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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

10
Jul18

A tua orientação sexual não é uma escolha

por P. P.

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   Apesar de muito exigente, o que por vezes gera alguns conflitos durante o ano letivo, com a necessidade de explicar as minhas intenções aos pais/encarregados de educação, ao longo destes 20 anos, até há data contados em menor número pelo nosso Governo, tenho vindo a manter, com os alunos, amizades sólidas. Depois de professor/ aluno, ficamos amigos. Nas aulas de ciências naturais, é da minha prática pedagógica, abordar "tudo" de forma confidencial e com respeito pelo outro. Em alguns aspetos, são o confessionário dos discentes, sobretudo quando à mesma turma é-me atribuída matemática. Preocupo-me, além dos conteúdos, que os alunos desenvolvam o espírito crítico, respeito e tolerância. Por exemplo, as fotografias depois da remoção do tumor da minha mãe foram-lhes mostradas à turma de então, com intuito de constatarem como uma doença pode modificar o nosso aspeto, pondo em causa a saúde enquanto tríade, e não termos o direito de julgar o nosso semelhante.

 

   Conste ou não do programa, desde 1997 incluo educação sexual como parte integrante do currículo oculto. Esta é muito mais do que falar de sexo e prevenção das IST ou gravidezes indesejadas. Trata-se de um exercício de tolerância, consciencialização das nossas diferenças, vocacionado para o respeito, o amor pelo outro e a amizade. Exercícios de debate em redor de temas como o divórcio e os filhos, a violência no namoro, ... Momentos de reflexão e construção de algumas peças do futuro ser.

 

   Volvidos alguns anos, após terem sido meus alunos, já no 9.º ano ou secundário, tenho vindo a constatar o sufoco de muitos, tendo mesmo de recorrer a formas de quebrar o gelo, em redor da sua orientação sexual. "Professor eu gosto de raparigas, mas também gosto de rapazes!" Gera-se um turbilhão de sentimentos, quase sempre com receio da reação da família e de ordem religiosa. 

Normalmente, digo para não se preocuparem. Com o decorrer do tempo, descobrirão qual é o sexo pelo qual se sentem realmente atraídos ou se é de facto por ambos. É interessante a necessidade destes adolescentes em terem um rótulo, que os remete para um grupo. Entendo e recordo-me que, na adolescência, um pouco de tempo parece uma eternidade e é nesta que defendo a continuidade em dar a mão. Há que sugerir a não utilização de determinadas aplicações de cariz sexual (sim, em primeiro testo-as) e a tentativa de resistir a eventuais fontes de assédio, muitas vezes presentes no seio familiar, sem que os pais se apercebam. Quem não se lembra de, na adolescência, no período da manhã querer usar certo perfume que passa a odiado no período da tarde? Também os sentimentos, a par das hormonas efervescem.

 

   Assim é um dos últimos casos que me chegou. A homofobia de um familiar parece traduzir-se naquilo que de facto entendo como "homofóbico" (aquele que tem medo de se sentir atraído por membros do mesmo sexo), manifestando-se em atitudes de bullying  e um desejo que ainda não decifrei. A este respeito nada mais posso adiantar, como o leitor certamente entenderá. De certa forma, estas são variáveis que não me ocorreram até então. Muito menos envolvendo um adulto (apenas no corpo e idade cronológica) e um adolescente. Certamente, o meu lado naif.

 

   Sejamos objetivos, a orientação sexual não é uma escolha. Há que saber estar entre os restantes com normalidade, sem sentimentos de culpa. Um Homem faz-se pelos seus atos! De que importa se procura carinho nos braços de uma pessoa do mesmo sexo, de ambos ou do oposto? Por outro lado, quem realmente gosta de nós, aceita-nos. Da família não fazem parte somente aqueles que partilham o mesmo ADN, mas sobretudo as pessoas que estão presentes nos bons e nos maus momentos, capazes de nos dizerem por exemplo, "ficas tão mal com essa roupa" Estes são os Amigos, a família do coração.

 

   Esta orientação não é comandada pelo sujeito. "Sou bissexual durante o curso e depois passarei a hetero". O respeito pelo outro é importante. 

 

   Parece-me que, durante o percurso educativo, a educação para os afetos vai-se perdendo, dando lugar à presente ameaça dos currículos extensos e desajustados, associados a uma carga horária que impede as crianças de o serem, bem como os adolescentes. A relação pedagógica é mais difícil de criar nos nossos tempos do que, por exemplo, há 10 anos...

 

Fonte da foto de capa, aqui

26
Dez17

Análise do documentário Dream Boat

por P. P.

   Dream Boat (2017) é um filme ao estilo documentário, de 1h 35 min de duração, dirigido por Tristan Ferland Milewski, para maiores 18 anos, com o apoio dos canais ArteCanal + francês. É falado em inglês, alemão, francês e árabe, fruto da origem dos seus intervenientes, pessoas com um denominador comum, a orientação sexual. Por cá, encontramo-lo desde dezembro, na Netflix

 

   Uma vez por ano, o Dream Boat, o único cruzeiro para homossexuais masculinos, na Europa, parte numa viagem marítima pela costa do Mediterrâneo. Mais de 2 500 passageiros aguardam a sua partida.

 

Dream Boat

 

 

 

Entre eles estão cinco homens, de cinco países diferentes, num processo libertador de ócio que assenta à fuga do quotidiano, às restrições familiares e políticas. No fundo, mantêm-se as questões pessoais, as dúvidas e problemas, como se de endoparasitas se tratasse. Quando se vive acorrentado, a dor está sempre presente, independentemente do ambiente  alegre (gay) e do glamour. Veja o trailer:

 

 

 

 

   A ação começa com o embarque dos passageiros em flip-flops e tops. Um par com roupas náuticas cumprimenta velhos amigos com beijos e taças de champanhe. Já no cruzeiro, a conversa cresce à medida que pequenas multidões se formam, num grande mar de sorrisos excitados. Aqui, assistimos a um movimento da câmara que da multidão acaba por focalizar-se nos 5 homens citados. Destes, fazem parte um passageiro indiano, no seu primeiro cruzeiro gay, um francês portador de deficiência que está determinado a divertir-se, um polaco que procura a alma gémea, um palestino que se mudou para a Bélgica, por forma a libertar-se dos movimentos políticos e religiosos e um fotógrafo austríaco, bem parecido, para o qual todos posam. Desconhecendo o nome destes personagens, estes homens começam a surgir através de suas histórias.

 

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   Tristan Milewski não aborda diretamente questões de raça e origem étnica, mas explora os pensamentos dos intervenientes sobre o amor e o status de HIV. A cultura mainstream gay é também retratada. 

 

 

   Algumas das entrevistas mais "difíceis" sugerem que Milewski gostaria que Dream Boat fosse mais substancial, impulso mantido, parte do tempo, com cenas de festas noturnas, campeonatos de corrida em salto alto, engates à beira da piscina e os passageiros repletos de acessórios, o que, em meu entender, por vezes se confunde com o mundo transformista.

 

DreamBoat 2

 

DREAMBOAT 1-master768.jpg

 

 

 

Esta necessidade de capturar tantas perspetivas diferentes dilui a intensidade de alguns dos sentimentos de solidão dos homens e o medo da rejeição. Contudo, são exatamente estes sentimentos e medos que validam este documentário, mostrando que uma orientação sexual não é uma escolha.

   

 

 

12
Ago17

In a Heartbeat - Quando dois meninos se apaixonam

por P. P.

   

In a heartbeat

 

 

 

 

   Há quem diga que a orientação sexual é uma escolha.

Discordo. Mais ainda ao começar a trabalhar com crianças mais pequenas e um determiando grupo muito especial, que não designarei, por forma a não o rotular. Garanto-vos que um grupo diferente, sem maldade e outras com perceções que muitos de nós não temos.

Alguns estarão chocados por referir "crianças mais pequenas" ou "crianças", mas atenda-se ao conceito de Sexualidade, de acordo com a e ao facto desta ter início com o choro do bebé, no intuito de ganhar a atenção da mãe. 

Orientação sexual, sexualidade e sexo não são a mesma coisa; embora as duas primeiras variáveis estejam mais próximas. 

 

   Na escola, um menino(a) pode apaixonar-se por outro(a)?

 

Veja a animação.

 

 

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