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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

26
Fev19

Arte - Nu dans un paysage by Pierre-Auguste Renoir

por P. P.

Nu dans un paysage by Pierre-Auguste Renoir

Nu dans un paysage by Pierre-Auguste Renoir - The Bournes Foundation

 

   Pela arte, a evolução do conceito e padrões de beleza.

Numa retrospetiva ao passado, atendendo a que nem sempre o excesso de peso está associado a uma má alimentação ou evidências negativas na saúde, não será mais profícuo o culto da Beleza Natural, o da diferença?

09
Abr18

À conversa com o escritor Nuno Nepomuceno

por P. P.

 

Nuno Nepomuceno - foto cedida pelo autor

 

 

   

   Nuno Nepomuceno é um escritor português, nascido em 1978, licenciado em Matemática. Em 2012, venceu o Prémio Literário Note com o seu primeiro romance, O Espião Português.

 

Trilogia Freelancer - O Espião Português - foto cedida pelo autor

 

 

   O seu estilo de escrita delicia-me, ao revelar-se, simultaneamente, cuidado, dinâmico e intrigante. Nas suas obras há sempre algo a aprender. Ultimamente, tenho-me debruçado nos thrillers do autor.

A religião pode mover mundos conturbados ou possibilitar, pela fé, a segurança que tantos ambicionam.

 

   Gentilmente, o Nuno Nepomuceno (N. N.) acedeu participar numa entrevista para o nosso blogue.

Vamos conhecer melhor este escritor e as obras?

Venha comigo.

 

 

P. P. : — Como é que da matemática se caminha rumo à escrita, uma área muitas vezes considerada oposta e rotulada como "inacessível" àqueles que, no 10.º ano optaram pela área científica?

 

N. N. : — Eu acredito que as duas coisas não têm necessariamente de estar desassociadas. Mais importante do que a formação científica que possuo, sou português. Como tal, julgo que tenho a obrigação de escrever e expressar-me corretamente na minha língua. É claro que para escrever um livro é preciso um pouco mais do que saber pontuar ou ter um léxico minimamente variado. Mas é um ponto de partida. Outro é a leitura. Fui habituado a ler desde bastante pequeno. A minha mãe começou por levar-me à biblioteca itinerante que passava na aldeia onde vivíamos e, a partir daí, o gosto foi crescendo até passar a um interesse. Houve um momento, que não sei precisar com exatidão, mas que situo durante a adolescência, em que comecei a sentir curiosidade sobre como seria estar do outro lado do livro, ou seja, poder ser eu a criar a história, decidir o rumo das personagens e entrar no imaginário do leitor. É por isso que escrevo, para poder tocar as pessoas.

 

 

P. P. : — Nas últimas obras que li, A Célula Adormecida e Pecados Santos, é possível, se assim o pretendermos, efetuar aprendizagens muito relevantes a respeito das religiões mais conhecidas e frequentemente envolvidas em conflitos e na (de)organização mundial, a par da escrita dinâmica.  Qual o trabalho de campo realizado para tais abordagens ou de onde emergiu o fascínio pelas temáticas em causa?

 

N. N. : — Tanto um como outro tiveram uma preparação semelhante. Comecei por decidir o tema, procurei algum material em que me pudesse apoiar, como livros ou artigos de imprensa, e fui aos locais que escolhi para cenários da ação. São exemplos as viagens que fiz a Istambul e a Jerusalém, ou as visitas à Sinagoga de Lisboa e à Mesquita Central de Lisboa. Foi da abertura dessas comunidades que surgiu parte do enredo dos livros, ou seja, foi através das conversas que mantive com os respetivos representantes e da observação que fiz dos espaços que decidi o que iria fazer com alguns capítulos. Findo este processo, passei à redação, que tentei fazer ininterruptamente sempre que foi possível. Ambos levaram cerca de quatro meses a serem escritos.

 

   Em relação à inspiração, acabou por aparecer de formas diferentes. Antes de escrever A Célula Adormecida, decidi que o livro iria ser sobre uma célula terrorista. Os grupos extremistas de inspiração islâmica acabaram por surgir de forma natural, pois na altura o auto-proclamado Estado Islâmico era continuamente referido nos serviços noticiosos. Pecados Santos foi pensado de forma diferente. A ideia de escrever mais um livro dedicado a outra das religiões monoteístas — o judaísmo, neste caso — surgiu a meio de A Célula Adormecida. Estava a ficar tão contente com o que escrevia, que achei que não poderia parar ali. Os crimes violentos e restante enredo só vieram depois. Fui à procura de algo que fosse simultaneamente surpreendente e interessante.

 

A Célula Adormecida - foto cedida pelo autor

 

Pecados Santos - foto cedida pelo autor

 

 

 

P. P.: — Como é que se consegue escrever, por forma a estimular leituras compulsivas, sou um desses casos, no que concerne à sua obra, sem perder a elegância e o estilo intimista?

 

N. N.: — Poderia dar uma resposta conveniente e dizer que é algo intrínseco, que acontece de forma natural, mas não é bem assim. Essencialmente, procuro focar-me nas personagens e trabalhá-las. Independentemente do enredo, elas serão sempre a base do livro e aquilo que nos fará ler mais, a razão pela qual nos sentimos incapazes de o largar. Se forem fracas, o livro acabará por parecer igualmente vazio, por melhores que sejam os arcos narrativos. Foi por isso que demorei doze anos a escrever a trilogia Feeelancer. O Espião Português, o primeiro volume, foi deitado fora quando eu estava a meio e reescrito após uma pausa de dois anos exatamente porque eu não fiquei satisfeito com o que escrevera na altura. Por vezes, é preciso retroceder para avançarmos de seguida.

 

 

P. P.: — Convida os leitores e seguidores deste blogue a ler os teus livros.

 

N. N.: — Não tenho muito a dizer. Considero que tenho escrito livros de qualidade, emocionantes, com enredos coesos, personagens bem trabalhadas e arcos narrativos interessantes e fortes. O resto dependerá do gosto pessoal de cada leitor.

 Muito obrigado pela entrevista. Espero que o Insensato continue por muitos mais anos e com cada vez mais leitores.

 

 

P. P.: — Obrigado, Nuno.

Sem dúvida tens alcançado os teus objetivos, ao escrever livros de qualidade e arcos narrativos fortes e fascinantes. Espero que tenhas cada vez mais sucesso e que as tuas obras, noutros países, alcancem o destaque merecido.

 

   Após a entrevista, não deixa de ser interessante como continuo a aprender com o Nuno, tendo em conta as suas respostas. Um autor que vos convido a descobrir.

 

 

*  Todas as fotografias utilizadas nesta publicação foram gentilmente cedidas pelo autor, a quem muito agradeço.

Todos os direitos das imagens estão reservados ao escritor.

27
Fev18

Leitura - Pecados Santos

por P. P.

   Há 2 dias comecei a ler o último livro de Nuno Nepomuceno, referido na página do Facebook do autor, licenciado em matemática. 

 

Ontem, li 131 páginas de uma só vez. Nada encontrei que me fascinasse na TV ou Internet, pelo que ao som de música clássica dediquei-me a este livro enigmático, que tanto ensina sobre religião, ao deambular entre uma sucessão de crimes. Aspetos do Judaísmo e não só. Um thriller

 

   Recomendo, vivamente, a minha última leitura,  Mil Sóis Resplandecentes.

Não ficará indiferente, garanto!

 

 

Pecados Santos by PP

 

 

18
Jan18

Leitura - Mil Sóis Resplandecentes

por P. P.

 

 

<< - Que rapariga estúpida! Pensas que tens alguma importância para ele, que és desejada na casa dele? Pensas que te considera uma filha? Que te vai receber lá? Deixa-me dizer-te uma coisa. O coração de um homem é perverso, perverso, Mariam. Não é como o ventre de uma mãe. Não sangra, não se dilata para te arranjar lugar...>>

 

Khaled HosseiniMil Sóis Resplandecentes

 

 

 

 

IMG_20180117_104956_237 by PP

 

 

 

Mil Sóis Resplandecentes, de Khaled Hosseini, acompanha a história de duas mulheres afegãs, de duas gerações distintas, cuja vida se cruza no meio das convulsões que afetaram o país no último quarto do século XX e início do século XXI. O livro, escrito numa linguagem acessível mas tocante, faz com que o leitor tome contacto com uma realidade completamente diferente da nossa e, muitas vezes, quase inacreditável perante tantos valores que hoje e já desde há algum tempo tomamos como certos. Encontramo-nos cara a cara com a intolerância, com a guerra e com a força da tradição. Mas é também nesse cenário que percebemos o poder da amizade e do amor.
Muitas coisas me tocaram ou chocaram ao longo da leitura deste livro, mas nada como a transcrição de um panfleto com as regras impostas pelos talibans às mulheres, quando chegaram ao poder. Proibições de sair de casa desacompanhadas, de mostrar o rosto, de cruzar o olhar com um homem ou de rir, trabalhar e ir à escola. Custa a acreditar que isto tenha existido.

 

Célia M., Mil Sóis Resplandecentes, acedido em 17/01/2018, às 16h 30 min

 

12
Out17

Livro | Vendedor de Lágrimas

por P. P.

 

Vendedor de Lágrimas de Paulo Guerra

 

 

 

 

   A publicação dos trabalhos de Paulo César levaram alguns leitores a questionarem-me acerca da aquisição do seu livro Vendedor de Lágrimas. Pois bem, a obra tem uma página no Facebook, através da qual podem contactar o autor.

 

Com a autorização do Paulo, que não utiliza o AO, deixo-vos as palavras iniciais deste Vendedor de Lágrimas.

 

 

 

Há anos que fotografo usando Paulo César como nome, desde sempre a paixão pela fotografia e também o acto de escrever fizeram parte de mim.

Quando escolhi o nome como fotógrafo optei apenas pelos meus nomes próprios, queria ser apenas eu, começar do zero, sem herança genética, sem passado, apenas presente e futuro.

Como escritor sou Paulo Nascimento Guerra, sou eu, com passado, presente e futuro, com a herança genética, com as memórias, com os esquecimentos, com todas as virtudes e todas as falhas destes anos desta vida.

Mas sempre eu, e todos os eus que vivem em mim.

Desde há muito que existe o sonho de ter um livro de textos.
Estes meses de pausa do início de 2016 fizeram-me ter tempo para escolher e rever textos escritos desde 2001. Concluí que devo direccionar mais a atenção, o tempo e a energia para mim, para as minhas coisas, para tornar os meus sonhos concretos e reais.

O nome "Vendedor de Lágrimas" surgiu há uns dois anos, sem eu saber o porquê, e sem ter no momento um texto que o justificasse, ou sequer, ter a noção de quem seria esse tal vendedor, ao escrever o texto descobri que sou eu o Vendedor de Lágrimas, o "que passa a vida a secá-las nos rostos dos outros"... E que "morrerei um dia afogado porque as limpo e as seco".

De início foi estranho, não tinha a noção de quem seria, mas o juntar das letras, o formar das palavras... As frases fizeram todo o sentido e sim... Sou eu o "protagonista" do meu livro, tal como devemos ser todos da nossa própria vida, os obreiros de nós mesmos.

Vivi uma vida emprestada nestes meses, esta que me acompanhou, preencheu e secou neste início de ano. É óbvio que existiu toda uma vida antes deste "empréstimo", existem e existirão muitos meses desta "nova" vida, a todas estou grato.
Estou grato por ter uma alma que, sem reclamações, se ajustou ás várias formas que o meu corpo assumiu na vida emprestada. Não sei como conseguiu tal ginástica, reduzindo-se e encaixando num corpo que eu não reconhecia de todo.

O meu segundo livro já tem nome: "Liturgia das Almas", gosto da ideia de alma, acredito apesar de não ser palpável, é algo que ninguém em concreto e absoluto consegue definir o que pode ser, e sobre o qual escrevo muitas vezes.
Deste primeiro retirei todos os textos onde a palavra alma aparecia.

Porquê o segundo livro com o nome de "Liturgia das Almas"? Não sei, tal como o "Vendedor de Lágrimas", o título veio até mim.

Sei que a escrita terá um papel importante nesta "nova" vida, sei que nesta minha caminhada, em que muitas vezes caminhar é voltar para trás e seguir um outro caminho, sempre haverá textos. De agora em diante deixarão de ser apenas meus, serão nossos, vossos.

Ambiciono que a minha escrita faça a diferença.

Espero que alguns textos vos façam ir aos vossos sótãos de memórias empoeiradas (de muitas delas só queremos o esquecimento), que com outros vos provoque "murros no estômago", por vos fazer sentir coisas que não queriam, mas também que vos façam sorrir, sonhar, e acima de tudo dar forças e querer, para conseguirem viver os vossos sonhos de peito cheio e de olhos abertos.

Num ápice tudo pode mudar, sei que desperdiçamos demasiado do nosso tempo com nadas, que fazemos os outros desperdiçar tempo, mas é fácil fazer mais. É fácil fazermos melhor. É fácil sermos melhores e uns pelos outros, sem egos inflamados, e umbigos do tamanho do mundo.

Somos nadas, e a imagem de que existem mais estrelas no céu do que grãos de areia em todas as praias do mundo, diz muito da nossa pequenez, e também da nossa grandeza. Esta é tanto maior quanto mais e melhor fizermos por nós e pelos outros, isto será seguramente um dos sentidos maiores do meu viver, pelo menos que seja destas minhas vidas.

Estou grato.
Dizem que o melhor que temos na vida são os amigos. É quase isso, o melhor só pode mesmo ser Nós mesmos... E todas as pessoas que trazemos no coração. Há as especiais, que até podem passar anos que continuam assim mesmo, especiais para nós, são aqueles que apelido de habitantes do meu coração, felizmente tenho muitos, nenhum sobra, nenhum faltará, haverá sempre espaço para todos aqueles que esta vida me trouxer, e também o desprendimento suficiente para deixar partir quem tiver de partir.

Tenho sorte, muita sorte, e estou grato à vida mesmo com todos os pesares.Grato à vida apesar das pausas, dos dissabores, dos contratempos, mas também de tantas coisas boas que me fazem sorrir.

Estou grato a todos, aos que me amam (a vossa presença nos momentos difíceis, seja de que modo for, seguramente torna os dias mais fáceis) e também muito aos outros, eu não quero ser como vocês, eu sou apenas o que sou, e sei que em cada dia quero ser melhor do que aquilo que já fui antes.

Estou grato à minha mãe, por tudo. Pela companhia, pelo amor, pelo afecto, pelas horas a dar-me a mão no hospital, pelo orgulho que tem em mim, pelos silêncios quanto ás coisas que não gosta, também grato pelos momentos maus. Estamos todos longe da perfeição, mas sei que está comigo, do mesmo modo incondicional que estou com ela.

Acredito que tudo na vida tem um propósito maior, mesmo que não seja tangível, nem entendamos o porquê, sei que esta vida "emprestada" que felizmente se desvanece fez com que este Vendedor de Lágrimas nascesse mais rapidamente.

Espero que gostem, se comovam. E que de uns quantos não gostem também, aguardo os comentários. Esse retorno será importante para mim.

A todos entrego estes meus textos, que a partir de agora são nossos.

Sejam gratos, façam a diferença.
Paulo Nascimento Guerra

 

26
Ago17

Opinião do livro Aqueles que Merecem Morrer

por P. P.

   Em cada capítulo, uma personagem. 

Personagens que se cruzam numa escrita envolvente e com mistério.

Pessoas que não sabem que "ninguém é de ninguém", mergulhando na profundidade do inconsciente que apela a atos pouco nobres e irrefletidos na sua essância, apesar de devidamente planeados. Para eles, existem aqueles que merecem morrer, sem lugar ao adeus.

 

Para si, quem são "aqueles que merecem morrer"?

 

 

Aqueles que Merecem Morrer

 

 

 

06
Ago17

Leitura - De Negro Vestida

por P. P.

   Este é o livro que a minha mãe, nos seus 66 anos, devorou num ápice. De João Paulo Videira, da Chiado Editora, um retrato de muitas mulheres da sua geração.

 

A respeito desta obra, na contracapa da minha edição, José Cabeleira Gomes refere:

 

(...) Este romance, ao dar voz à mulher, ajusta contas com o homem. Incapaz de distinguir o sexo do amor, incapaz de respeitar a mãe dos seus filhos. O homem cobridor!" ...

 

 

 

20170805_De Negro Vestida por PP

 

Atualização, em 25 de setembro de 2017

 

Para saber mais, a respeito da obra, leia esta publicação, no blogue do autor.

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