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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

08
Jul19

Próximo ano letivo: o 1.º dia de aulas

por P. P.

De acordo com o Decreto-Lei n.º 85/2019, de 1 de julho, os funcionários públicos terão falta justificada para acompanhar um filho menor de 12 anos, no primeiro dia de aulas de cada ano letivo.

Esta medida peca por abranger somente os funcionários públicos. Curiosamente, os professores, também eles funcionários públicos e com filhos, não poderão usufruír desta vantagem. E todos os outros trabalhadores, não têm este direito porque...

Não entendo! Uma lei que não é abrangente, justa nem democrática.

10
Jun19

Durante o teste de inglês

por P. P.

- Já terminaste a prova, L.?

- Não, falta-me esta! - respondeu com alguma aflição.

- Posso ajudar?

- Aqui diz para escrevermos se os elefantes can ou can't saltar (podem ou não podem "saltar"). Estou a olhar para eles, mas não sei se saltam!

Como bom elefante que sou:

- Olha para o professor e imagina-o um elefante. Um grande elefante. Achas que consigo saltar?

E a resposta da L. está... certa!

05
Jun19

As bolachas, aquelas bolachas

por P. P.

 

Bolachas Maria

 

    Ela vivia entre o silêncio e a hesitação.

Um mundo revolto, com poucas cores, pautado pelo medo e a incerteza. Aquela que congela e inibe.

 

    Durante o tempo na Instituição, a vontade de regressar ao lar, acreditando que tudo mudou. Na realidade, tudo piorou com o decorrer dos anos. A incontinência urinária acentuou-se. Naquela noite, caso o pai se fartasse da irmã, ela poderia ser a próxima vítima... Numa cama tão próxima da sua, quanto a medida do seu passo.

 

    Numa noite gelada, ao regressamos de uma atividade solidária, já com alguma fome e um manto de brilhantes exposto ao olhar, revelou: - Por vezes, ao fim de semana, no Lar, dão-nos 3 a 4 bolachas. Daquelas simples. São tão boas!

Referia-se à Bolacha Maria, com um sorriso e um pequeno brilho no olhar tocantes. De tal forma que, não fosse aquele manto cintilante que nos acompanhava, ajudar-me a ocultar o rosto, na procura de lugares sombrios, e um pequeno e silencioso rio tornar-se-ia visível. Eu e a diretora de turma sentimos um nó que nos induziu a alguns momentos de silêncio.

 

    Por vezes, podemos ser felizes com tão pouco...

Naquele momento, tive vergonha de mim, não sabendo que ali se abria um novo caminho.

03
Jun19

Alguém gostará de mim?

por P. P.

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    Tarde, junto à porta do laboratório.
O tempo, esse parece-me intemporal, mas constam pouco mais de 20 anos.
Uma aula terminada, um grupo/turma quase do meu nível etário.

Subitamente, encostada à parede, perdida no olhar, disse:
– Dizem que já não sou virgem. Alguém gostará de mim?
– O meu pai será sempre virgem. Nasceu em setembro! – respondi, brincando, ao tentar aliviar o olhar cuja barreira emocional nunca me permitiu ir além.


    Ainda encostada à parede, quase sem expressão facial e com aquele olhar triste, impenetrável e vazio, em resposta ao meu desafio “O que é para ti uma pessoa virgem?” retorquiu:
– Dizem que o meu pai me fez coisas e que agora não sou virgem. Assim, ninguém quererá ficar comigo. Acha que alguém gostará de mim?
– “Gostar” é muito mais do que uma condição. Certamente irás conhecer tantos homens e mulheres que gostarão de ti. Eu gosto de ti.
– No ano passado, a Prof.ª C. disse-me o mesmo.
– E não tem razão?


    Passaram-se os anos.
Casou, tem filhos e embora mais feliz do que quando mais nova, sinto algo estranho na sua escolha. Um homem que mais parece ter a idade do meu pai… Preconceito, talvez.

Em mim, a inusitada interrogação acerca da vida e do destino.

27
Mai19

Pães e Amor

por P. P.

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        Na cantina da Escola, durante o almoço, o professor apercebeu-se que a A. “roubava” pães.

   Abordou-a, reforçando que é preciso saber partilhar. Sugeriu que ficasse com alguns dos não consumidos, pedindo-lhe para que não esquecesse os outros meninos carenciados. No fim do dia, as assistentes operacionais, preparavam os pães, com carne, ou faziam marmitas discretas, para que, discretamente, eles as pudessem levar, para casa. Aquela seria a única refeição, ao chegarem a casa, até a manhã seguinte, já na Escola...

    Este professor era conhecedor da fome oculta e concomitantes comportamentos daqueles que pretendem "conservar a dignidade", tal como dizem.


    Ainda confuso com o ocorrido, o professor decidiu falar com a D.T., no sentido de, em conjunto, conseguirem apurar o que se passava com a A. Para a Escola, ela trazia lanches dignos de uma pré-adolescente e os pais evidenciavam uma obesidade normalmente atribuída aos  consumidores de fast food. A realidade fez-se sentir.

 

    A. levava os pães para que, à noite, os seus pais pudessem comer. Ambos portadores de deficiência e sem aquele tipo de “rendimento”, geralmente atribuído a quem nada faz, cuidavam da filha com todo o amor e cuidado, com muitas restrições. Já muitos “normais”…

 

    Isto é amor. 

15
Mai19

Aquela ereção - o que é isto?

por P. P.

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    Estava eu sentado e calmo, na sala de aula, quando o meu pénis decidiu crescer. "Agora? O que é que eu faço? Só tenho 10 anos."

    A meu lado, a menina à qual os professores frequentemente dizem "Calma, C.! Controla as hormonas". Não sei o que são hormonas, mas ela é tão gira. Então quando salta e deixa que... Isto não interessa.

    Não sei ao certo, mas algo levou-me a mostrar a minha "preocupação" e volume nas calças àquela miúda tão gira. Para meu azar, o professor apercebeu-se. De acordo com a expressão facial dele, julgo que ficou em dúvida a respeito do que eu estava a exibir. Coitado, só porque é mais velho deve pensar que tem uma pila maior com a minha!... Não me parece. Se assim fosse, daqueles calções rasgados sairia um "nariz".

 

    Fiquei confuso quando disse-me que tudo o que estava a acontecer comigo é normal, na pré e na adolescência. Passarei a andar com dois narizes, um mais desenvolvido, podendo exibi-lo a todas as meninas da escola. 

 

    Não pude acreditar quando, uma vez mais, o professor apercebeu-se que eu continuava a mostrar aquela elevação à C. Foi então que, sem que os outros entendessem, disse-me que existiam formas de disfarçar algo ... tão agradável. Comecei por cruzar a perna, tal como ele sugeriu, e quando chamado ao quadro, tentei puxar a minha camisola até àquela região. Só que ela era curta! Quase que me senti a brincar com "uma fralda". Mas eles disse-me "Está à vontade pois não se nota nada". E os meus colegas sem compreenderem o nosso diálogo. Se todos oa rapazes têm aquilo que ele chamou "ereção", inicialmente difícil de controlar, passarei a andar numa permanente luta de espadas com os meus colegas? Não, não pode ser. Eu só quero a C. Ela é aquela paixão... Minha e de mais ninguém!

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