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Momentos [in] sensatos de reflexão, opinião e entretenimento

A correção do teste de inglês e a luta pela igualdade de género

 

O teste de inglês

    Ainda não entendi a finalidade da notícia A Correção do Teste que se Tornou numa Luta pela Igualdade de Género, na Escola Secundária de Santa Maria da Feira. No estágio, somos preparados por forma a evitar perguntas que suscitem respostas que possam pôr em causa o rigor científico, as religiões, ideologias políticas, ... Em suma, as diferenças. Por exemplo, em ciências naturais não devo colocar a pergunta "Indique três seres vivos". A forma de evitar constrangimentos passa por dar uma imagem ou um texto, solicitando que o aluno "Transcreva o nome de três seres vivos". Também somos preparados a lidar com o erro, mostrando que somos humanos, pedindo desculpa caso nos enganemos, passando à respetiva retificação, na prova do aluno. Pessoalmente, caso um aluno com uma resposta errada me alerte para o facto de ter colocado um "certo", dada a minha forma de ser e estar, não o penalizo. Quero que a sua atitude assertiva e coragem sejam valorizadas. Por outro lado, adoro perguntas que suscitem discussão. 

    Há uns anos atrás, recordo Bárbara Guimarães como capa de uma revista, na qual se fazia alusão ao bom gosto da apresentadora, adotando estilos masculinos, dos quais faziam parte, por exemplo, as gravatas. Eis-me ainda mais confuso: um boné, uma gravata e os collants, dependendo do estilo, não são acessórios para ambos os sexos? Curioso, uma vez mais, preocupa-me o conteúdo da pessoa, enquanto ser social, ao invés das roupas. Estas, são motivo de preocupação quando denotam casos de pobreza. 

    Espero que este não tenha sido um erro de correção que, por orgulho, a professora se recusou a assumir. Todavia, registo, de forma positiva, a resposta dada pela diretora da Escola Secundária de Santa Maria da Feira, Prof.ª Lucinda Ferreira, a qual garantiu que se o aluno "tivesse comunicado a situação, talvez pudesse ter averiguado o contexto" e que não lhe compete "averiguar algo que não foi comunicado". Destaco, dado ir ao encontro do Perfil do Aluno à Saída do Ensino Obrigatório e de acordo com o noticiado pela TVI24,  "se promovemos que os nossos alunos não sejam amorfos e pensem pela sua cabeça, não o posso condenar", revelando ainda que "gosta de ter alunos que pensam pela sua cabeça e têm sentido crítico".

    Porém, saliento, há algo nesta notícia, se podemos considerá-la como tal, que parece-me inusitado. Até porque envolve um partido político.

    Em tempos, também no 11.º ano, a professora de Português colocou-me errado numa resposta semelhante à considerada como a melhor. "Por que razão estás com essas trombas, P. P.?" Como insensato que sou respondi: "Não querendo pôr em causa a resposta da colega X, não entendo a razão pela qual a minha está errada. Passo a lê-la" (é certo que a li sem autorização). A resposta estava correta e nunca foi identificada como tal. O problema residia numa aula passada, durante a qual disse não considerar aquele pedaço de gente competente, dado deixar os alunos com dificuldades de parte. Quem sabe não esteja a ler isto. Ela que tanto se orgulhava do marido advogado, com escritório na cidade dos doutores, e que felizmente foi destacada, naquele ano, por gravidez de risco, provavelmente por causa da suma estupidez. Eu, P.P., aquele que sempre foi "o leitor" da aula. E assim, condiciona-se o futuro de muitos. Esta foi uma das situações pelas quais nunca quis ser professor do ensino secundário, com o devido respeito pelos bons professores deste nível de ensino, pois também os tive. Infelizmente, em pequeno número... 

    Numa outra perspetiva, alguns dos problemas suscitados pela igualdade de género tornam-se, muitas vezes, fúteis e ridículos, levando a que muitos não respeitem quem merece a nossa atenção, sobretudo numa época tão complexa quanto a da adolescência. Este não é o caminho.

 

[Atualização, às 15h 02 min.]

Aqui, pode ver a reportagem do Porto Canal, mas caso queira ler a experiência de um professor, em 2009, siga esta hiperligação

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Da violência à Educação

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    Normalmente, tenho por hábito não categorizar os problemas sociais por género, dado o silêncio que a sociedade impõe, sobretudo, a um deles. Aquele que é associado à força, valentia, ausência de sentimentos nobres e atos pouco subtis.

    Esta foi a semana de Nove Mortes Anunciadas. E ao que parece, Portugal parou para refletir acerca deste flagelo. Até quando? A inércia e os brandos costumes que nos caracterizam levam-me a não ter fé no progresso na adoção de medidas. 

    O problema da violência doméstica ou entre familiares encontra-se plasmada nas Sagradas Escrituras. Como tal, a dimensão desta problemática não é recente. Todos conhecemos um ou outro exemplo, que acompanhamos em silêncio, intervimos de forma física ou por palavras ou que denunciamos. Por vezes, ao adotamos esta última medida, o(a) agressor(a) teve conhecimento da nossa envolvência, por parte daqueles que nos devem proteger... Esta é uma situação com a qual convivemos diariamente nas nossas Escolas. A violência não está patente somente entre progenitores. Por outro lado, toma diferentes dimensões, que não apenas a física: a psicológica, sexual, inibidora da liberdade do ser humano e seus direitos,...

    Apesar da forte pressão que a Igreja Católica Romana exerce em muitos de nós, há muito esta tem-se demonstrado infrutífera. A descrença ou caminhos alternativos na fé tomam lugar, sem que uma real mobilização rumo a respostas profícuas sejam levadas a cabo.

    Impõe-se intervir na violência entre géneros, os mais velhos, os escravos sexuais e não sexuais, os doentes, em contexto laboral, ... Urge adotar medidas que, a meu ver, passam pela educação, papel primordial dos nossos professores, profissionais de saúde e agentes de segurança. Simultaneamente, da adoção de medidas preventivas. Entretanto, quais são as medidas a tomar? A Escola dos nossos dias prepara os alunos para reagir perante a frustração ou uma reação não desejada por parte do outro? Claro que não! E eis-me perante outro tipo de violência, a menos falada: a de filhos sobre os pais. 

    Claro que podia dar continuidade a esta reflexão. Adensar-se-iam factos, fatores e evidências, numa bola de neve densa. Importa referir, que o aqui exposto, não representa uma classe social ou casos com um ou outro tipo de toxicodependências. A realidade é bem mais generalizada e abrangente. 

    Será altura de darmos as mãos e dizer não ao ritmo desta sociedade sem valores, repleta de máscaras? Ou não será este um tema, agora abordado pelos nossos meios de comunicação, que cedo cairá, uma vez mais no esquecimento?

 

Aguardemos as próximas selfies...

 

Sugestões de leitura

Entre Marido e Mulher Ninguém Mete a Colher

Não! Não Somos Todos Jamaica e as nossas Forças da Autoridade não são Racistas

 

 

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Petição para limitar os TPC entre Deus e o Diabo

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Photo by Beto Franklin from Pexels

    José Eduardo Moniz, conceituado jornalista português, atualmente em funções na TVI, lançou uma petição para limitar os TPC (trabalhos para casa, que costumo designar como Sugestões de Tarefas para Casa), na sua rúbrica Deus e o Diabo, no Jornal das 8 do dia 28/12/18. Como consta da sua página, no Facebook:

 

Petição de José Eduardo Moniz contra os TPC

    

    Para José Eduardo Moniz, de acordo com o noticiado no sítio eletrónico TVI24, "o que se exige é uma reflexão sobre o papel da escola, à luz das evoluções que as sociedades modernas vêm registando e dos desafios que se colocam às novas gerações em contextos cada vez mais concorrenciais, que abalam estruturas familiares e o equilíbrio psicológico dos mais jovens. É uma situação que reclama grande flexibilidade e enorme capacidade de adaptação. É por causa do que fica expresso que tomei a iniciativa de lançar uma petição pública dirigida aos nossos deputados, no sentido de legislarem em benefício dos portugueses mais novos, em particular, dos que frequentam os primeiro e segundo ciclos."

 

     De acordo com Margarida Davim (2018), na Revista Sábado, citando Moniz  (2018) "os tempos livres, o seu bom aproveitamento e uma conjugação ajustada entre obrigações de aprendizagem e espaços para lazer constituem fator determinante para um equilibrado crescimento intelectual e físico das crianças", pelo que se exige "uma reflexão sobre o papel da escola, à luz das evoluções que as sociedades modernas vêm registando e dos desafios que se colocam às novas gerações em contextos cada vez mais concorrenciais, que abalam estruturas familiares e o equilíbrio psicológico dos mais jovens".

Dando continuidade à linha de pensamento do mentor, Margarida Davim afirma "O que o jornalista pede à Assembleia da República é que legisle, citando-o, "em benefício dos portugueses mais novos, em particular, dos que frequentam os primeiro e segundo ciclos", numa petição que defende que "a brincadeira e os jogos fazem parte não só atividade quotidiana [das crianças], como são elemento central para o seu desenvolvimento e processo de socialização". "Como tal, a escola (pública ou privada) deve fazer com que se cumpra esse "direito ao ócio e ao desporto", tendo por dever organizar as atividades de aprendizagem de forma a que não ponham em causa esse direito dos alunos à participação na vida social e familiar."

 

    Serão estes os únicos e verdadeiros problemas que se colocam às nossas crianças e adolescentes? Ou será esta uma tentativa subtil de denegrir a imagem dos professores, os maus da fita?

 

    De facto, em alguns casos, assiste-se a um exagero nas propostas de tarefas para casa. Pior, é querer que estas sejam realizadas com correção, quando aprendemos pelo erro. Mas, será que nós, professores temos tempo para explorar o erro? 

     No caso da matemática, por exemplo, o treinamento sistemático é condição essencial ao sucesso na disciplina. Costumo propor exercícios a repetir em casa, levando os alunos, da faixa etária mencionada pelo jornalista, a assinalá-los como "importantes", assinalando-os, por exemplo, com "I". Somente resolvo tarefas pertinentes e gosto de explorar várias formas de raciocínio.

 

     Do que se esqueceu José Eduardo Moniz?

A extansão dos programas, a complexidade, a inadequação dos mesmos ao desenvolvimento inteletual e emocional dos alunos, ... No que à matemática diz respeito, esta parece estar a ser revirada do avesso.

O número de horas passados na escola e a carga horária de docentes e discentes, a falta de tempo dos professores para explorar novas metodologias de ensino, os pais que despejam os filhos na Escola como se esta fosse uma "reserva" de crianças e jovens, com os deveres de educá-los, alimentá-los, fornecer materiais escolares,...

A falta de tempo para brincar e saber fazê-lo nos intervalos escolares, conversar,... Estas competências terão de vir a ser treinadas uma vez que os alunos já não as dominam. Nos intervalos, os mais pequenos, caso possam, refugiam-se na sala de aula. Os outros brincam e namoram com telemóveis, alheios ao que se passa em seu redor. Muitos vivem num mundo de princepes e princesas, alheios ao sofrimento dos outros, às realidades da vida, ao respeito para com os mais velhos e aos pares... A proteção exagerada e doentia é assustadora. 

     Fala-se, por exemplo, em implementar Empriendorismo no 1.ºCEB (1.º ciclo do ensino básico). Ideias para projetar alguns senhores dos gabinetes. Queremos crianças e jovens alegres, com prazer por aprender, preparados para a vida ativa. 

 

     Para quando uma educação saudável desprovida dos sabores governamentais?

 

O que tem a dizer a respeito da educação e escolas dos nossos dias?

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Baywatch: SOS Matemática

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    Ah, a tão temida matemática. Quem não se lembra de tremer cada vez que a data da próxima ficha de avaliação de matemática se aproximava? Muitas coisas podem ter mudado no Sistema de Ensino Português, mas o medo da matemática permanece. Continuamos a ter maus resultados nos exames internacionais. Em 2018, mais de metade dos alunos do 9º ano tiveram negativa nesta disciplina.

    Para muitos, parece que somos cronicamente incapazes de tirar boa nota a matemática - assim como os espanhóis parecem incapazes de dominar o Inglês. Será que os alunos Portugueses não conseguem aprender e… pronto, não há muito a fazer? Claro que não. Os alunos Portugueses são tão capazes como outros quaisquer. Algumas bases deste problema residem nas atuais diretrizes do Ministério da Educação e na implementação de currículos desajustados ao nível etário dos alunos. Por outro lado, a falta de investimento na educação e ideias preconcebidas a respeito desta disciplina. Como exemplo, o facto dos pais terem sido maus alunos nesta ou noutra disciplina, não significa que os filhos também o sejam. A persistência é muito importante.

    A forma como olhamos para a matemática - esse obstáculo invencível - é só o começo deste problema crónico. Se alguém vos disser que algo é difícil, vão começar com receio logo à partida. E ainda só estão na casa zero! Depois, é preciso reservar espaço para o resto. 

    Ao longo do percurso dos nossos alunos muitos problemas estão à espreita. Infelizmente, nem todas as escolas têm recursos TIC disponíveis para o ensino desta e outras disciplinas, os professores não têm muito tempo para criar novos materiais e implementar diferentes tipos de avaliação, valorizando-se o preenchimento de documentação dúbia e desnecessária, nem todas as escolas têm crédito horário para aulas de apoio,...

    A ver todo este périplo estão os explicadores de matemática. Quais nadadores-salvadores na praia, há dezenas de explicadores do ensino secundário em Lisboa e no Porto prontos a saltar para a água e salvar os alunos em apuros. Antes, este era um privilégio apenas de alguns - só as famílias com algum desafogo podiam pagar explicações - mas agora tornou-se mais acessível. Com meia-dúzia de cliques, conseguem encontrar um explicador para os vossos filhos.

    Claro que continua a ser um investimento, mas está ao alcance de muitos mais bolsos. E acreditem que é um investimento que vale a pena: deixam de fugir da matemática, ajuda a que se preparem convenientemente para os exames, e podem escolher a área que realmente querem. A internet tem coisas fantásticas, não é?

 

Artigo pratricionado e não remunerado pela Fixando,  devidamente reajustado por mim

Fixando Porto e Lisboa

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Pagar ou não propinas no 1.º ciclo de estudos académicos

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    Uma nova situação divide a esquerda da direita, aqui representada pelo PSD: pagar ou não as propinas no primeiro ciclo de estudos académicos.

    Nos meus tempos, apenas aqueles cujos pais tinham um rendimento superior a determinada quantia pagavam propinas. Recentemente, o Presidente da República (PR), o mesmo que aprovou que estas fossem pagas por todos, independentemente do contexto social, afirmou: "<<[O fim das propinas] significa dar um passo para terminar o que é um drama, que é o número elevadíssimo de alunos que terminam o secundário e não têm dinheiro para o ensino superior, porque as famílias não têm condições, portanto, têm de trabalhar, não podem permitir-se aceder ao ensino superior>>" - Marcelo Rebelo de Sousa, PR, Convenção Nacional do Ensino Superior, 7 de janeiro de 2019. O BE já deu os primeiros passos neste sentido, mas mesmo entre socialistas, nem todos corroboram desta ideia. O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior afirmou que dentro de 10 anos esta medida será possível de implementar. Entretanto, no próximo ano letivo, estas baixarão €212.

 

    De acordo com Nuno Crato, "o fim das propinas é um erro e significa que o país inteiro estaria a financiar os jovens que estão a estudar.” No Twitter, foi Rui Rio, líder do PSD, quem considerou que acabar com as propinas significaria por os portugueses que não frequentam a universidade a pagar pelos que a frequentam. “A justiça social faz-se pela ação social, nunca desta forma.”

 

 

Na argumentação de Rui Rio, Nuno Crato e Marçal Grilo há uma lógica comum, explicada pelo antigo ministro socialista: “Abolir as propinas é um erro porque é manifestamente injusto. E é injusto pelo seguinte: as propinas são uma forma das pessoas contribuírem para a sua formação e para a sua valorização pessoal e profissional e é um investimento que tem um alto retorno. Porque é que não devem ser abolidas? Ao abolir transfere-se dinheiro dos mais pobres para os mais ricos. Sabe porquê? Porque se ninguém paga propinas, significa que o Estado paga tudo e se o Estado paga tudo são os nossos impostos, diretos e indiretos, que contribuem para esse bolo. Os mais pobres pagam impostos — mesmo que não pagam os diretos como o IRS, pagam os indiretos. Uma medida destas é injusta porque vai penalizar aqueles que são mais desfavorecidos.
Nuno Crato defende que as desigualdades sociais no acesso ao ensino superior se combatem através do reforço “das bolsas de ação social” ou na “construção de habitação” para os alunos — uma das fatias mais gordas dos custos de um aluno deslocado. Marçal Grilo vai mais além e acredita que o importante é aumentar o leque de quem tem direito a receber a ação social.
O Estado o que tem de fazer é o seguinte: dizer que ninguém deve ficar de fora por razões económicas e financeiras e deve ter um sistema de ação social escolar, como tem, mas mais generoso para as pessoas poderem ter acesso a mais coisas e abranger um maior número de estudantes. Há, de facto, uma camada da população que pode não estar ao alcance da ação social escolar, mas que também não tem condições para pagar as propinas”, diz o antigo ministro da Educação, lembrando que as propinas são apenas uma parte da fatura de quem estuda longe de casa. Há ainda os custos de habitação, deslocação, refeições.
“A bolsa tem é de cobrir tudo isso. E veja-se que os miúdos que têm ação social escolar já não pagam propinas. Esta é uma medida errada porque é injusta. As propinas não são um factor de desigualdade social. Se forem bem compensadas com um sistema de ação social escolar são um sistema de maior igualização das pessoas”, conclui.

 

in Observador, extraído em 09/01/2019, às 22h.21min

 

Qual é a sua opinião no que concerne a esta temática?

Quais são as alternativas?

 

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The Grinch e o contributo para um Natal diferente

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    The Grinch foi o filme escolhido pela minha Escola, por forma a proporcionar uma manhã diferente aos alunos, sobretudo aos mais carenciados, num Centro Comercial.

 

    Os filmes de animação há muito têm vindo a conquistar crianças e adultos. Este é um desses filmes. À animação (e humor!) junta-se a música, devidamente contextualizada. Porém, na versão portuguesa, a este nível, e atendendo ao público-alvo, a não tradução destes temas é uma falha evidente. O mesmo se passa com alguns elementos animados, com conteúdos em inglês e que deveriam constar na nossa língua. 

 

    O filme está muito bem traduzido e escrito. Há uma história, entre rimas, que recorda a nossa  infância. Eis o argumento:

 

 

O mesquinho Grinch odeia o Natal e quer tornar todos os Whos da cidade de Whoville tão infelizes quanto ele. Ele tenta todos os ardilosos truques que consegue imaginar para roubar qualquer vestígio da data festiva, mas não consegue.

 

      A reflexão e a discussão, as quais devem estar associadas a qualquer obra de mérito, são-nos possibilitadas. Para começar, temos algumas das razões que induzem muitas pessoas a abnegarem ou sentirem-se tristes, nesta época. Por outro lado, a prioridade não são os presentes, algo tão entranhado na nossa sociedade, mas o convívio entre todos, além do familiar. De referir, a criança que não quer um presente físico, mas a presença da mãe cujo mérito e esforço no trabalho reconhece. Quantos filhos refletem a respeito do sofrimento e esforça dos pais, no dia a dia, num ou vários empregos, por forma a proporcionar-lhes algum conforto?

    Dia 20 começa a época natalícia. Já pensou quantas pessoas estão imensamente sós, escondidas entre sorrisos e as paredes de uma casa? O que pensa a respeito do individualismo que se tem apoderado do ser social, que aparenta querer a sua ilha, sem qualquer outro elemento que não alimente o respetivo egocentrismo?

 

    Deixo-lhe o trailer do filme

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Entre a guerra dos pais e o orgulho

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    Quando existem filhos, Há que ponderar Quando o Melhor a Fazer é o Divórcio.  Sobretudo, se estes forem pequenos ou adolescentes. 

   Ninguém é de ninguém, pelo que lutar de forma desonesta pela custódia dos descendentes, não atender aos seus sentimentos, suas motivações, torná-los elementos de confronto e não propiciar um ambiente tranquilo, com algum diálogo e decisões conjuntas não contraditórias, por parte dos pais, não se pode tratar de amor. O egoísmo individual supera sentimentos nobres que os progenitores devem manifestar em relação às suas crias.

 

   Num destes dias, sabendo que os pais estiveram a discutir a sua custódia no tribunal, as dores de barriga, a desorientação e o desespero de X foram evidentes. A certa altura, vomitou. Às auxiliares pedi que, naquele dia, apesar de todas as partidas que lhes prega, num misto de miúdo reguila e inteligente, nele vissem um filho. E assim foi. Na aula, chamei-o para junto de mim, por vezes sentei-o na minha perna e não exigi que acompanhasse a matéria lecionada. O facto de estar perto do professor, ainda que de apoio, e exercer tarefas de suporte à prática do docente, levaram-o, por momentos, a esquecer a dolente incerteza, a não chegada do professor titular, de quem esperava uma resposta em relação ao incerto. 

    Naquela sessão, X não foi ouvido. Nele, não é evidente aquilo que pretende. Gosta dos progenitores. Nesta ou naquela manhã, pouco importa, chegou-nos atrasado, relativamente agressivo e a queixar-se da vida. Uma vez mais sentei-o na perna e tentei explicar-lhe que nunca nos devemos sentir as pessoas mais infelizes do mundo. Dei-lhe o meu exemplo de vida e o de tantos alunos que já tive, inclusive aqueles aos quais levei escondido produtos de higiene básica. Aqueles que com o apoio da professora de Ciências, partilhávamos o lanche. Aqueles em que os cinco irmãos e os pais tomavam banho na mesma água, aquecida uma só vez, numa terra de muito frio, numa casa sem aquecimento. 

 

   Como aliviar a dor de X perante a minha hipocrisia ao saber que, em função do decidido pelos órgãos competentes, facilmente liderará grupos com comportamentos não assertivos, que o mundo das toxicodependências aproximar-se-à como um nevoeiro suave que nos acaricia o rosto e que, como tal, provavelmente e não tirará partido das magníficas competências que detém?

 

   Nesta manhã ou na outra chegou-nos com um nível de ansiedade superior ao normal. A certa altura, após ir à casa de banho, confidenciou-nos "ter-se sujado". Por sorte, está numa escola onde há sempre roupa para eventuais emergências.  

 

   Apesar das relações humanas, sobretudo entre adultos, não serem fáceis, até que ponto é justo desencadear tamanho grau de sofrimento, sinais e sintomas? Para quando uma escola de pais, também útil para outros aspetos, na qual se ensine que amar um filho não implica obsessão, vingança ou a perceção de que este é um objeto?

 

   Cultivemos a tolerância.

Nem que seja por eles!

 

 

 

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A depressão nos jovens em Malhação - Vidas Brasileiras

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   As formações que tenho vindo a fazer e um problema de saúde nas duas últimas semanas impediram-me de acompanhar Malhação Vidas Brasileiras, no Canal Globo.

   Foi com grande agrado e satisfação que, nesta sexta-feira, no episódio da manhã, constatei a abordagem da depressão na adolescência, consequências no relacionamento com os outros e aceitação pelos pares e medicação. Se no caso dos adultos, nos nossos dias, fazer a medicação entre pares é complicado, imagine-se o caso das crianças ou adolescentes. Sim, a depressão também abraça crianças, pelo que todos os sinais e sintomas não devem ser descurados.

 

 

   Quase a chegar uma nova edição de Morangos com Açúcar, série portuguesa, da TVI, que sempre detestei e nunca acompanhei, limitando-me a assistir à influência negativa que exerceu nos nossos jovens, sobretudo nas suas primeiras temporadas, espero que, desta vez, se constate a abordagem de temáticas relevantes, com atores de diferentes raças, bonitos,feios... Em suma, que retrate a realidade, à semelhança do que acontece em Vidas Brasileiras. Uma novela, mesmo juvenil, modela comportamentos e pode induzir aprendizagens. Por outro lado, as ilusões geradas não são favoráveis. 

 

   A ilustração que se segue, infelizmente corresponde a uma realidade que muitas vezes se observa nas aulas de ciências da natureza. Mais tarde, abordarei este tema.

 

Na sala de aula de ciências

 

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Eliminar o 2.º Ciclo para reduzir o número de retenções nas nossas Escolas?

 

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Photo by Joanna Kosinska on Unsplash

 

   Ainda estou atónito após a leitura do artigo de Alexandra Inácio, na secção Educação, do Jornal de Notícias, com o título "Proposta eliminação do 2.º ciclo para reduzir número de chumbos", atualizado às 00.29 p.m. Curiosamente, esta notícia e concomitante estudo do Conselho Nacional de Educação, no relatório Estado da Educação 2017, aborda o envelhecimento da classe docente. Qual a relação entre o 2.º CEB (Ciclo do Ensino Básico) e o envelhecimento da classe docente?

 

 

"Tendo em conta o envelhecimento da população docente e a redução na procura dos cursos de formação de professores, urge fazer e divulgar rapidamente um estudo da necessidade de novos professores para os diversos grupos de recrutamento", lê-se no documento que será hoje aprovado pelos conselheiros. 

(...) Comparativamente com os outros estados membros da União Europeia só a Grécia tem menos professores com menos de 30 anos do que Portugal. A somar a este cenário nunca houve tão poucos candidatos a cursos de Educação Básica. Este ano letivo, após as três fases do concurso nacional de acesso, num total de 21 licenciaturas em 12 ingressaram menos de dez estudantes. O Politécnico da Guarda não recebeu nenhum aluno e no de Portalegre apenas entrou um.

Cf. a notícia referida

 

   Ainda de acordo com o noticiado por Alexandra Inácio, Maria Emília Brederode Santos, a eliminação do 2.º CEB facilitaria a transição entre ciclos e reduziria os níveis de retenção, ainda elevados. "Um ano para entrar, outro para sair" - é assim que é definido o 2.º ciclo, composto pelo 5.º e 6.º anos, sem que Maria Emília Brederode Santos assuma uma nova fórmula.

 

   O 2.ºCEB foi criado com o intuito de preparar os alunos para os ciclos seguintes (antigo unificado e secundário). A metodologia de ensino, as práticas de avaliação e o envolvimento com a comunidade educativa é idêntica à dos Ciclos precedentes, quebrando barreiras com o importantíssimo 1.º CEB. Não será importante apurar quais as causas do insucesso apontado e clarificar o que se entende pelo mesmo? A autora refere "Apesar dos níveis de reprovação terem atingido mínimos históricos ainda são um problema. (...) E em Portugal, quem mais chumba são alunos de estratos sociais, económicos e culturais abaixo da média. O que leva a presidente do CNE a defender que o sistema "ainda é discriminatório".

 

   Esta constatação não se verifica nos restantes níveis de ensino? De novo, em contradição ou sem qualquer sentido "A taxa de retenção no 2.º ano (primeiro em que é possível reprovar) foi em 2016/2017 de 7,4%, a segunda mais alta do Ensino Básico, só superada pelos chumbos no 7.º ano (11,4%)". Imaginem-se os resultados no 7.º ano sem a preparação levada a cabo durante o 2.ºCEB.

 

   Os professores do 2.ºCEB têm preparação específica para trabalhar com os níveis etários em causa, facilitando a transição entre ciclos. Preocupados que estão, os estudiosos "de gabinete", com o envelhecimento da classe docente, qual o destino pretendido para os docentes do 2.ºCEB? Que estes preencham as vagas nas Escolas Superiores e Universidades, por forma a dar trabalho aos professores universitários, incumbidos da formação de professores, mas sem alunos nos dias que correm? Tal já se verificou, em muitos casos, relativamente à aquisição de competências para lecionar inglês no 1.ºCEB.

Quais são as reais preocupações dos "inovadores" para com as aprendizagens dos discentes e concomitante preparação para a vida ativa, preconizadas no Perfil do Aluno à Saída do Ensino Básico? Qual o investimento na educação? 

   Sejamos francos, há muito entendemos que é apanágio deste governo e anteriores a transição dos alunos de forma facilitista. Há muito que os professores e pais empenhados entenderam-o. Entretanto, nada se fala a respeito de alterações curriculares. Desajustados dos interesses e nível etário dos alunos, insiste-se no erro. Não tivessem estes resultado do trabalho de muitos "estudiosos". Sempre os tais, claro. Aqueles de "gabinete". Resta perguntar, que futuro? Que país?

 

 

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Os alunos na sala de aula

    Curriculos desajustados aos diferentes níveis etários, falta de horas para brincar e socializar, elevado número de horas na Escola, ausência de regras, hiperatividade e falta de educação são alguns dos motivos conducentes aos comportamentos registados na imagem.

 

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   Até à data, felizmente, ainda não assisti ao "em 180º", "em cascata", "50/50", "tenda", "salva-vidas" e "estilo toalha usada", mas...

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