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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

25
Jun19

Euphoria - a série que retrata a vida de muitos dos nossos jovens

por P. P.

euphoria

 

Na semana passada, na HBO Portugal, foi lançado o 1.º episódio da série Euphoria (veja o trailer). A cada segunda-feira, um novo episódio. Hoje vi o segundo. Uma série sobre droga, sexo e violência (sem esquecer a virtual), para maiores de 18 anos, sem falsos pudores e bem realista, destinada a um público adolescente. Nos EUA, já foi pedido o seu cancelamento, como pode ler aqui.

Assim, como a classificação etária refere, ela deve ser vista por adultos. Na verdade, considero-a excelente para os pais e para que estes se façam acompanhar dos seus filhos, debatendo as temáticas.  A intensidade das situações e a forma como são retratadas estão muito mais consistentes do que em Por 13 Razões - 13 Reasons Why  -, através de cenas realistas, bem interpretadas e ousadas. O ideal para os pais que vêem os filhos como anjos. 

Uma juventude que pouco ou nada lutou para alcançar objetivos e metas que nunca definiram. O mundo da droga tal como ele é. Em ambos os episódios, senti a minha geração e parte do meu grupo, agradecendo por nunca ter-me sentido motivado para tal dependência. Na verdade, os temas são, em parte, baseados na própria batalha com a droga do seu criador, Sam Levinson. É impossível ficar indiferente aos momentos de ressaca, há necessidade da dose diária por parte dos toxicodependentes. Para quem está habituado à exploração da nudez feminina, também neste aspeto Euphoria pauta pela diferença: no 1.º episódio é bem evidente uma ereção e no 2.º, uma cena de balneário que mostra muitas e muitas serpentes (como alguém disse).

De referir que muitos dos aspetos relacionados com as nudes, sexo virtual e as novas tecnologias devem servir de aprendizagem/reflexão aos mais velhos, uma realidade ainda muito atual.

Nesta obra, tal como acontece nos nossos dias, muitas são as vezes em que os rapazes pedem para conversar, enquanto elas exigem sexo. Evidência de que o desejo sexual feminino é superior ao dos homens?

 

18
Fev19

The Deuce - da prostituição ao mundo da pornografia

por P. P.

the-deuce-temporada 1

 

     No início da década de 70, nos EUA, a prostituição ilustrava a lendária rua 42, de Times Square, também conhecida por The Deuce. Sexo, drogas e violência conviviam entre si, enquanto a indústria pornográfica emergia. The Deuce é uma série acerca destas realidades, disponível na HBO Portugal, nas suas duas temporadas, estando já prevista a terceira. Assim sendo, a 1.ª temporada contempla os anos 71 e 72 e é aquela sobre a qual me debruço, neste texto. Por outro lado, a 2.ª temporada, reflete o espaço entre 1977 e 1980.

 

    Esta não é uma série para todos. Não é recomendável a menores de 18 anos, pessoas impressionáveis ou com a mente menos aberta. Com um excelente elenco, cenários, figurinos, luz, banda sonora e adereços, aqui o sexo parece, em muitos casos, real, assim como a violência. A relação entre os chulos e as prostitutas encontra-se bem evidente, tal como as dependências e a violência no seu todo. 

    No intuito de fugir aos chulos, na procura de novas oportunidades ou como parte integrante da violência por estes exercida, algumas das prostitutas de então deparam-se com uma indústria desconhecida, na qual, de início, apenas tinham de gravar atos sexuais, sem áudio nem rostos expostos. Entretanto, estas faces começaram a ser expostas, gerando-se conflitos familiares. Mas esta indústria protegia as mulheres da violência das ruas...

    Duas personagens, uma estudante e uma escritora, deambulam neste mundo, no intuito de compreender a submissão feminina. Mergulhamos ainda num mundo em que a homossexualidade era considerada doença mental, de acordo com a DSM, e à mudança do conceito, aumentando a liberdade e à exploração de ambos os sexos. Veja o trailer seguindo a hiperligação.

 

Nota 9 em 10 

24
Mai18

Por 13 Razões - o alerta para dimensões da terrível adolescência

por P. P.

 

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   Assisti à 1.ª temporada da série pouco tempo depois de ler o livro. Não escondo ter considerado os primeiros episódios aborrecidos. O "meu" Clay, nas palavras do escritor, não correspondeu ao Clay da ficção. No livro, a ação foi mais célere. Mas não me arrependi por ter seguido a série e o livro, que apresentam Hannah Backer com distintas doenças mentais, dentro do mesmo género. Num dos meios, Hannah é portadora de depressão na adolescência e no outro, constatam-se ainda aspetos de fobia social. É importante saber que algumas doenças mentais instalam-se na adolescência, nem sempre sendo identificadas pelo seu portador. Por exemplo, é preciso saber avaliar o tipo de isolamento, causas, frequência... A ajuda dos profissionais de saúde é impreterível para uma vida feliz, conseguindo-se um tratamento eficaz quando realizado atempadamente. 

 

   Para mim, os episódios mais marcantes foram os das violações e o do corte dos pulsos (suicídio), por parte de Hannah. Episódios considerados para um público adulto e inadequados a pessoas sensíveis, estas são realidades às quais pais, professores e adolescentes não podem permanecer alheios. Num dos casos, uma jovem alcoolizada é violada, com "o consentimento" do namorado, também ele drogado, mas sem o seu, e sem força para resistir a um ato que não pretende. Continuo a questionar o que leva os jovens a tais graus de alcoolismo, mas não estou incumbido de julgar. No outro caso, o de Hannah, a ação decorre dentro de um jacuzzi, com uma interpretação fantástica por parte da atriz, na expressão corporal e facial. Em ambos os casos, o mesmo violador. Um jovem a quem, durante o crescimento, não foram impostas regras, rico e com elevado grau de popularidade, sobretudo no meio desportivo do Secundário. 

 

   Não podemos abnegar estas realidades.

Quantos(as) amigos(as) temos que passaram por esta terrível realidade, a da violação? Quantos não assistimos, direta ou indiretamente, ao suicídio de um(a) colega?

 

   Toda a ação decorre durante o ensino secundário americano - High School -, mas na generalidade, no nosso país, considero-a mais evidente no ensino superior. Contudo, sublinho, estes casos existem nas nossas escolas, no ensino básico e secundário, intra e/ou extramuros. Inclusive, em alguns casos, no seio familiar...

 

   Curiosamente, vi o episódio da violação na mesma época em que, no nosso país, na Queima das Fitas do Porto, uma jovem alcoolizada foi masturbada (ou violada?) pelo namorado, com plateia - o grupo de amigos - e direito a vários apelidos pouco simpáticos, num transporte público da cidade.

 

   Antes de falarmos da 2.ª temporada, recordemos o trailer da primeira.

 

 

   De uma temporada de 13 episódios narrada por Hannah Backer, os 13 da segunda temporada, estreados a 18 de maio, no nosso país, são-no, desta vez, por cada um dos seus colegas. 

   Nesta temporada, o bullying mantém-se. Polaroids são divulgadas, dando a conhecer a existência de um local onde as raparigas são drogadas e violadas. A violência continua. Em simultâneo, decorre o julgamento do caso Hannah, dada uma ação levada a cabo pela mãe contra a Escola. Em cada dia do julgamento, uma nova Hannah, até então desconhecida. Em alguns aspetos, uma Hannah que não corresponde à da primeira temporada, uma vez que a doença mental parece ter sido esquecida. Isto é, determinadas ações e atitudes não são prática dos doentes com as problemáticas assinaladas. Hannah é várias vezes mostrada como uma jovem sorridente e integrada no grupo, o que não é verdade. Assistimos às perceções de cada um dos envolvidos. Todos temos segredos. 

 

   Aliás, nesta temporada é feito o apelo para que os pais comuniquem com os seus filhos, tentem ler sinais e que também os jovens recorram a alguém de confiança, por forma a lavar a alma e procurar ajuda. <<No momento em que começares a falar sobre estes temas difíceis, tudo se tornará mais fácil>>, alertam alguns dos atores de Por 13 Razões, logo no início da segunda temporada da série norte-americana que, no ano passado, pôs o mundo a discutir o suicídio juvenil e o assédio sexual, ainda antes do movimento Me Too.

 

   O protagonismo das vítimas de bullying é considerável. De tal forma que, uma delas, do sexo masculino, é agredido na casa de banho, entre murros e pontapés, e com a cabeça mergulhada na sanita, acaba por ser penetrado com o pau de uma vassoura. Chocante? Sim. Real? Infelizmente, também a esta pergunta a resposta é afirmativa. As toxicodependências não foram esquecidas, assim como os contextos e importância de um grupo específico, nesta faixa etária. 

    A utilização de armas, por adolescentes, é um assunto também abordado. Por vezes, no potencial assassino, pode esconder-se quem sofreu abusos...

   Esta série põe em evidência a importância do que já escrevi neste espaço. Nas nossas Escolas, além de psicólogos devem existir professores com o papel de coach junto dos discentes.

 

   Assista ao trailer da 2.ª temporada.

 

 

 

Qual é a sua opinião acerca dos nossos adolescentes e riscos?

 

 

 

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