Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

11
Jun18

Professores, acordos, dinheiro e austeridade

por P. P.

 

De Luís Cardoso Cartoon

 

   Os nossos governantes e os media há muitos dizem que já não nos encontramos em fase austeridade e que a crise cessou. Na verdade, quando comecei a ouvir tais confabulações estranhei uma vez que, no hipermercado os preços pareciam continuar a subir, o total dos bens adquiridos continuava elevado e até superior ao de antes, o mesmo verificando-se nas roupas, telecomunicações, água, ...

 

   Desde muito cedo aprendi a não mentir. Aliás, trata-se de um comportamento desde sempre proibido em família. Na realidade, "mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo"; com o devido respeito pelos portadores de deficiência motora.

 

   Entretanto, neste país à beira mar, continuamos a assistir a inúmeros episódios de corrupção no futebol, bancos, ... Nada de importante, desde que o contribuinte pague. Várias são as individualidades cujo vencimento é superior ao do nosso Primeiro Ministro ou do Presidente da República

 

   No seio do Governo, nunca se constaram reduções salariais e poucos foram os benefícios retirados a classe tão privilegiada, quanto adolescente. Quantos professores, entre outros, não fazem parte da Assembleia da República esquecendo, num ápice, as suas origens? O importante são as selfies para o Facebook e Instagram. Este comportamento já não me choca. Quantas promessas, acordos e princípios eleitorais deram origem, dada a contenção económica, ao papel higiénico a usar na Assembleia da República, medida que não deixa de ter o seu lado ecológico, embora, em termos de reflorestação e ordenamento do território nada se faça... Estou certo que o mesmo sucede em muitas Câmaras Municipais, de cidades que não têm perfil para o ser, mas cujo vencimento de qualquer presidente torna-se elemento motivador. O mesmo acontece com os respetivos funcionários. Todos eles com ordenados superiores aos Presidentes de vilas, muitos destes com trabalho de mérito junto às Escolas, mesmo sem usufruírem de determinadas "regalias extra". Subitamente, ocorreu-me a ideia do IMI. São os que acreditam na Educação.

 

   A minha opinião acerca do atual estado da Educação e da situação dos Professores, é conhecida, como podem ler aqui e aqui. Uma ilação que não se deve olvidar, consiste em terem-nos mentido a todos, cidadãos deste país. A austeridade persiste. Portugal continua pobre e endividado.

 

   Pondo isto de lado, é assim tão difícil contabilizar o tempo de serviço real dos professores, mesmo que sem ajustar os vencimentos, apresentado a verdade? Entrei nos quadros, na altura, quadro de zona pedagógica, no meu 5.º ano de serviço. Mais tarde, passei ao quadro de Escola. Sempre em localidades com distâncias superiores a 100 km de casa, e acessos algo parcos. Ingenuamente acreditei que mais cedo ou mais tarde seria recompensado. Pelo contrário, "doutorei-me" em cuidador de pais com doença oncológica e avó doente de Alzheimer.

Como corrigir os erros do concurso nacional de professores, realizado no ano transato, em que muitos do quadro, há anos, fomos ultrapassados por outros de forma... Por exemplo, se eu quisesse mudar de grupo de recrutamento, o que na minha situação é possível, para conseguir uma melhor aproximação de casa, concorreria na 3.ª prioridade. Muitos outros menos graduados acabaram por nos passar à frente. Afinal, tenho 20 ou 11 anos de serviço? É que se forem 11 posso sempre tirar umas férias de 9 anos. Não vos parece justo (ironia!)?

 

   Desenganem-se aqueles que pensam que todos concorremos em função da média de curso e anos de serviço. Desenganem-se aqueles que pensam que há anos atrás, nos miniconcursos, enquanto não colocados, tínhamos ajuda do Centro de Segurança Social e estes dias de serviço contabilizados, desde que colocados até dezembro. 

 

Não permitamos que os nossos governantes criem tentáculos semelhantes ao que se passa no Brasil. Cuidado, que eles já estão a desenvolverem-se...

 

 

Imagens gentilmente cedidas pelo Arlindo Ferreira do blogue DeAr Lindo

Cartoons de Luís Cardoso

 

 

26
Abr18

Série O Mecanismo - um reflexo da realidade do nosso país?

por P. P.

O Mecanismo

 

   O Mecanismo é uma série brasileira, dirigida por José Padilha, aquele que assinou Tropa de Elite. Trata-se de uma coprodução Netflix baseada na obra Lava Jato: O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil de Vladimir Netto. Nos papéis principais, Selton Mello e Caroline Abras.

 

   Num formato que oscila numa mistura de documentário e drama, é-nos dado a conhecer todo o esquema de corrupção conducente à ainda atual Operação Lava-Jato, até 2014, sendo que esta ainda decorre. Isto leva-me a ponderar uma eventual 2.ª temporada. A realidade das situações e muitas das situações podem levar alguns espetadores a associarem esta "história" brasileira, ao que se tem verificado no nosso país.

 

   Pessoalmente, não fiquei seduzido pelo 1.º episódio e parte do 2.º. Ao ler críticas muito positivas por parte de ingleses e americanos decidi dar uma nova oportunidade a O Mecanismo. De facto, fiquei "acorrentado". Apenas a apontar o som durante os diálogos, uma vez que as personagens falam baixo e em algumas cenas sussurram. Tive dificuldade em entender muito do que era dito, ponderando colocar legendas em português ou inglês, opção não disponível, ou modificar o áudio para inglês. Nas cenas sem diálogos, o som e respetivos efeitos são bons. A apontar a iluminação, em tons quentes, dando maior beleza à série, sobretudo às cenas eróticas.

 

   A personagem interpretada por Selton Mello surge-nos com ar desgastado, cansado de lutar pela justiça e remar contra a maré, o que expressa no olhar e voz, enquanto interveniente ou narrador. A seu lado, uma polícia forte, personagem fictícia, que consegue posicionar-me, na pele de atriz Caroline Abras.

 

   No Brasil decorreram alguns movimentos liderados, inclusive, por antigos políticos, por forma a tentar boicotar o lançamento e/ou conteúdo desta série. Esta classe é mostrada tal como é, corrupta, fator semelhante a muitos episódios que se verificam (verificaram) no nosso país, em alguns contextos semelhantes.  

 

   O Mecanismo podia chamar-se A Teia. Um ciclo semelhante a muitos biológicos norteiam todo o esquema de corrupção, desde, por exemplo, o canalizador, até ao ministro mais conhecido. Não há lugar para as favelas ou quadros de miséria, atendendo às classes sociais envolvidas no escândalo.

 

   Conseguirão os nossos policiais desvendar todo O Mecanismo?

Não sofrerão represálias?

 

Veja o trailer.

 

 

Sugestão de leitura: artigo de O Observador

13
Dez17

A supremacia dos Raros ao sabor do país

por P. P.

   A respeito do caso Raríssimas, acabei de ler um artigo no Jornal i, no qual o Ex-presidente do Conselho Fiscal defende Paula Brito e Costa.

 

 

matrix-2953862_1920.jpg

 

 

É difícil acreditar que a dirigente de uma instituição tão importante quanto a citada possa ter cometido os abusos de que é acusada. Só que "difícil" não significa "impossível". Aquilo que somos, os nossos valores e a nossa educação podem tornar-nos abutres deslumbrados, alheios à realidade, independentemente das nossas origens. Neste caso, a Sr.ª em causa começou por trabalhar num quiosque, como se pode ler aqui. O anseio por uma vida de luxo parece cativar muitos. Operar metamorfoses, inclusive.  São felizes?

 

   Do parecer do ex-presidente do Conselho Fiscal considero hilariantes as afirmações, de acordo com a publicação mencionada:

 

- "Existindo essas coisas como compra de roupa e compras de gambas... tudo isso no cômputo geral não tem expressão"

 

- "Uma pessoa nestas funções tem de estar em reuniões, receber convidados, nunca fui questionado se devia ou não comprar vestidos ou pô-los na contabilidade, mas compreendo que uma pessoa nestas funções tem necessariamente de andar de uma maneira luxuosa, tem de andar bem vestida"

 

   Por acaso, nos nossos dias, estar apresentável exige tamanhos dispêndios? Tenhamos como exemplo alguns elementos das Casas Reais da Europa. O que visto e o que como devem advir de rendimentos que não me pertencem? A isto não se chama roubo? Ou é mais elegante dizer "abuso do poder"?

Qualquer pessoa que trabalhe com crianças e sobretudo com determinados portadores de deficiência, dificilmente consegue estar "impecável". Refiro-me a quem trabalha no terreno, onde incluo assistentes sociais e todo um conjunto de técnicos. Esta é uma forma de distinguir quem exerce funções para cativar os outros e que de facto se preocupa, toca, brinca, dá comida, dá a mão... Tanto há a dizer a este respeito, mas fico-me por aqui.

 

   Acredito que todos nós já ouvimos histórias acerca de abusos cometidos nesta e naquela instituição. Casos pontuais, ou não, quase sempre abafados por algum superior que ameaça o futuro de quem denuncia, ainda que dentro da instituição. Felizmente, e com conhecimento de causa, existem sempre aqueles que ajudam dentro das instituições. Muitas vezes, pessoas que quase não têm para elas, mas que de casa levam bens essenciais, contentado-se com o sorriso ou afeto de quem ajudam ou dividem o que têm. Pessoas que não se destacam ou valoriam nas redes sociais por atos de mérito. Neste ponto, comprova-se que não podemos generalizar o todo.

 

Todavia, há que ter presente que "a perfeição não existe". 

Não deixemos de lutar contra os "raros" que proliferam, na defesa de quem realmente merece os nossos cuidados e serviços. E esta é uma das instituições que deve ser acarinhada, como se pode ler aqui, bem como tantas outras. Medidas de fiscalização e outras perentórias devem ser levadas avante, para que um povo sólidário, não deixe de acreditar.

 

 

Pesquisar

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Sussure-nos

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Direitos

Ainda que procure uma utilização cautelosa e não abusiva de textos, imagens e sonoridades, poderá haver lugar à utilização indevida de obras objeto de direitos de autor. Contudo, apesar do recurso às hiperligações de origem, sempre que a legislação o implique ou seja devidamente informado, de imediato procederei a reajustes. Os textos e fotografias sem referência bibliográfica são da minha autoria.

Wook