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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

26
Dez18

Roma, o filme autobiográfico da Netflix

por P. P.

ROMA da netflix.jpg

    Roma é um filme da Netflix que tem cativado os espetadores e os críticos. O seu nome deve-se ao bairro onde decorre a ação, em 1970 e 1971.

 

    A história de Cleo, uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe média, no turbulento México, no início do governo de Luis Echeverría, ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e já foi eleita o melhor longa-metragem de 2018 por críticos, em Los Angeles, Nova York, Chicago e São Francisco.

 

     Este filme foi inspirado na infância do seu realizador, Alfonso Cuarón, de 57 anos, na altura com 9 anos, dando ênfase à mulher que o criou, dando lugar a uma metáfora do país e da sua história, do seu passado e do seu presente. Um relato cru e emotivo sobre as realidades, alegrias, tristezas e o quotidiano oculto por trás da vida doméstica e um testemunho desolador – e, ao mesmo tempo, esperançoso – sobre as desigualdades sociais e raciais. Em vários momentos, senti-o como a história de tantas mulheres do interior do nosso país que, naquela década e anteriores, rumaram à capital, à procura de uma vida melhor e forma de ajudar a sustentar os irmãos mais novos, sacrificando-se por conta de outrem, criando os respetivos filhos e engravidando inesperadamente. Um filme de memórias. Aliás, “a memória é o narrador implícito”, argumenta o cineasta à IndieWire.

 

    Do argumento, a devoção de Libo, a ama de Cuáron, aos patrões, inclusive durante a própria crise conjugal destes e que se sobrepõe a todos os problemas pessoais e à agitação social na cidade. 

 

    Um filme artístico, podendo para muitos ser considerado aborrecido. Muito se esconde na imagem a preto e branco, como foi filmado e na densidade de todos os personagens. Deixo-lhe o trailer.

 

 

 

 

29
Nov18

Mamma Mia, Where We Go Again ... ou não

por P. P.

 

Mamma Mia 2

 

 

   Neste fim de semana, recorrendo ao videoclube do MEO, vi o filme Mamma Mia 2 ou Mamma Mia, Here We Go Again.

   Com uma história pobre, mas boas interpretações, o filme sobrevive e alegra-nos trazendo novos êxitos dos ABBA, incluindo alguns menos conhecidos. A contextualização do filme deixou-me algumas dúvidas. Apesar da ação decorrer em Grécia, onde constam as formações rochosas típicas e o relevo evidenciado no primeiro filme?

   Um filme a ver, num momento em que se procure serenidade e alegria.

 

 

26
Nov18

Um adeus a Bernardo Bertolucci

por P. P.

Bernardo Bertolucci.png

 

 

   Realizador e roteirista italiano, Bernardo Bertolucci marcou a minha adolescência com 1900 e O Último Tango em Paris, filme considerado erótico, que encaro como dramático.

Foram tantas as outras obras deste e de outros realizadores europeus. Sim, o nosso continente tem uma história cinematográfica muito rica e reflexiva. Convido-vos a explorarem-a. 

Além do YouTube, uma vez que a RTP já não transmite ciclos de cinema tão nobres, podem recorrer à plataforma Filmin.

 

 

RIP

 

11
Jun18

Filme Al Berto - um poeta maldito?

por P. P.

Al Berto

 Ler o artigo da Rádio Sines

 

 

 

   Alberto Raposo Pidwell Tavares, que adotou o pseudónimo de Al Berto, nasceu em 1948 em Coimbra, mas viveu toda a infância e adolescência em Sines, no litoral alentejano. Após um exílio em Bruxelas, entre 1967 e 1974, onde estudou pintura, regressou a Portugal para se dedicar à literatura. Morreu aos 49 anos. A sua poesia é densa, por vezes taciturna, associada aos fantasmas da vida de quem não receia dizer o que pensa, ainda que vivendo, até certo ponto, só. Pode encontrar alguma das suas obras literárias, para venda, aqui.

 

Um momento de poesia, pelo próprio, em 17 de janeiro de 92.

O conteúdo pode ser ofensivo para pessoas mais sensíveis, mas corresponde à realidade, naqueles tempos, da relação entre o público português da época e a poesia. Aqui, encontra uma transcrição escrita.

 

 

Um momento mágico do autor, em sida.

 

 

 

 

   Trata-se de um drama biográfico que relata um período da vida de um dos mais carismáticos poetas portugueses da segunda metade do século XX, entre 1975 e 1978. Tal sabe a pouco, por vezes confundindo-se a obra cinematográfica com um filme LGBT. A realização e o argumento ficam a cargo de Vicente Alves do Ó.

 

   Em Sines viveu, naquele período, de forma aberta, uma relação condenada pela sociedade. 

Neste documentário não encontramos a literatura do poeta maldito, ligado à noite, mas uma fase de devaneios, fruto da liberdade aparentemente conseguida no país de brandos costumes, influenciada pela música e cultura inglesa e francesa. Não esquecer o espírito libertário, tão característico dos americanos, nas décadas de 60 e 70.

 

   Al Berto viveu com um grupo de amigos numa casa senhorial à entrada de Sines, conhecida como “palácio”. A casa tinha sido pertença da família dele, mas fora expropriada para a construção de bairros operários do complexo industrial de Sines (a parte inglesa da família de Al Berto, os ingleses Pidwell, foi viver para Sines no fim do século XIX e enriqueceu com a indústria conserveira, criando laços familiares com latifundiários alentejanos). No palácio, este grupo de jovens esclarecidos de Sines adotou um estilo de vida hippie, em regime de ocupação. No período em análise, Al Berto viveu um história de amor com o irmão do realizador deste filme, que acabou de forma turbulenta.

 

   Vinte anos volvidos da morte do poeta, a 13 de junho, o trailer do documentário foi lançado, neste mesmo dia, em 2017. Atores pouco conhecidos do público, mas com grandes capacidades artísticas. Embora tenha gostado, considerando-o um filme ao estilo dos canais ARTE ou Sundance, esperava mais ousadia, história e ação.

 

Nota 3 em 5 

 

 

Escrevo-te a Sentir Tudo Isto

01
Mar18

Opinião - Táxi Driver (de 2017)

por P. P.

   Quando me deparei com o título, sem me preocupar com a leitura do argumento, pensei tratar-se de uma nova versão da polémica dos anos 70, com Robert de Niro e Judie Foster. Nada disso, estamos perante um título indie

 

Taxi-Driver-2017

 

   Trata-se de uma obra Coreana, dirigida por Hun Jang. De início pensei tratar-se de uma comédia, até que o nível de sensibilidade do filme começou a desenrolar-se.

 

  Indo ao encontro do Massacre Gwangjude 1980, um acontecimento histórico e trágico da Coreia do Sul, na procura da democracia, o diretor traz-nos um filme de grande carga sentimental. Há um toque especial na abordagem deste tema trágico, incidindo sobre a ligação entre um repórter alemão (Thomas Kretschmann) e taxista (Song Kang-ho) que o ajudou na recolha das notícias a divulgar para todo o mundo. Muitos dos factos são verídicos.

 

taxi-driver

 

Uma das provas de que o cinema americano não é o melhor.

Eis o trailer, com legendas em inglês.

 

 

26
Dez17

Análise do documentário Dream Boat

por P. P.

   Dream Boat (2017) é um filme ao estilo documentário, de 1h 35 min de duração, dirigido por Tristan Ferland Milewski, para maiores 18 anos, com o apoio dos canais ArteCanal + francês. É falado em inglês, alemão, francês e árabe, fruto da origem dos seus intervenientes, pessoas com um denominador comum, a orientação sexual. Por cá, encontramo-lo desde dezembro, na Netflix

 

   Uma vez por ano, o Dream Boat, o único cruzeiro para homossexuais masculinos, na Europa, parte numa viagem marítima pela costa do Mediterrâneo. Mais de 2 500 passageiros aguardam a sua partida.

 

Dream Boat

 

 

 

Entre eles estão cinco homens, de cinco países diferentes, num processo libertador de ócio que assenta à fuga do quotidiano, às restrições familiares e políticas. No fundo, mantêm-se as questões pessoais, as dúvidas e problemas, como se de endoparasitas se tratasse. Quando se vive acorrentado, a dor está sempre presente, independentemente do ambiente  alegre (gay) e do glamour. Veja o trailer:

 

 

 

 

   A ação começa com o embarque dos passageiros em flip-flops e tops. Um par com roupas náuticas cumprimenta velhos amigos com beijos e taças de champanhe. Já no cruzeiro, a conversa cresce à medida que pequenas multidões se formam, num grande mar de sorrisos excitados. Aqui, assistimos a um movimento da câmara que da multidão acaba por focalizar-se nos 5 homens citados. Destes, fazem parte um passageiro indiano, no seu primeiro cruzeiro gay, um francês portador de deficiência que está determinado a divertir-se, um polaco que procura a alma gémea, um palestino que se mudou para a Bélgica, por forma a libertar-se dos movimentos políticos e religiosos e um fotógrafo austríaco, bem parecido, para o qual todos posam. Desconhecendo o nome destes personagens, estes homens começam a surgir através de suas histórias.

 

images.jpg

 

 

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   Tristan Milewski não aborda diretamente questões de raça e origem étnica, mas explora os pensamentos dos intervenientes sobre o amor e o status de HIV. A cultura mainstream gay é também retratada. 

 

 

   Algumas das entrevistas mais "difíceis" sugerem que Milewski gostaria que Dream Boat fosse mais substancial, impulso mantido, parte do tempo, com cenas de festas noturnas, campeonatos de corrida em salto alto, engates à beira da piscina e os passageiros repletos de acessórios, o que, em meu entender, por vezes se confunde com o mundo transformista.

 

DreamBoat 2

 

DREAMBOAT 1-master768.jpg

 

 

 

Esta necessidade de capturar tantas perspetivas diferentes dilui a intensidade de alguns dos sentimentos de solidão dos homens e o medo da rejeição. Contudo, são exatamente estes sentimentos e medos que validam este documentário, mostrando que uma orientação sexual não é uma escolha.

   

 

 

18
Set17

Cinema | Os Inocentes

por P. P.

 

Los Inocentes

 

 

 

 

   Não, não se trata do Silêncio dos Inocentes. Este é um filme que vi na semana passada, pensando que a principal temática girava em torno da escravatura...

 

   Los Inocentes é um filme argentino de 2015, disponibilizado na plataforma Netflix, dirigido por Mauricio Brunetti. Passado no século XIX, a escravatura ainda está presente. Um menino portador de deficiência motora é tratado de forma rígida e cruel pelo seu pai tirano. Um daqueles homens para quem os "negros eram uma praga" (frase do filme), "estando por tudo quanto é lado". Contudo, não se coíbe de procurar os prazeres da carne junto à escrava mais bonita de senzala. O irmão desta, melhor amigo do menino deficiente, acaba por encurtar o seu trajeto neste mundo, ao ser envergonhado pelo seu dono.

 

   Grávida, a escrava recusa-se a abortar. E aqui assistimos a todo o esplendor da igreja daqueles tempos, sua relação com as famílias ricas e eventuais beatas que matam.

 

 

   Nesta fase, já o filho do dono da fazenda e escravos tinha sido mandado estudar numa colégio distante. No entender do pai, nunca seria ninguém, além de um inválido inútil. Contudo, passados 15 anos, regressa à fazenda, com a sua noiva. Porém, não esperava reviver os abusos, constatar os abusos dos escravos e a existência de espíritos que pretendem levar avante os planos que um dia os levaram à morte. 

 

   Quando vi este filme, não me tinha apercebido que tratava-se de um filme de terror. A ação decorre com alguma lentidão, o que melhor permite entender os sentimentos das personagens. Os figurinos e cenários são pontos fortes, assim como a representação de muitos dos atores. Por vezes, a ação assusta. Ou assustou-me, talvez por acreditar em muito daquilo que pode ser fantasioso para muitos. Uma vez mais, a magia dos autores da América Latina, assiste-se numa obra cinematográfica. Este filme está avaliado com 5.2 no IMDb.

 

Veja o trailer.

  

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