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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

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Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

O Burnout pode afetar os mais novos

Os nossos dias

Agosto 19, 2019

P. P.

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O artigo O Risco de Burnout em Crianças com Dificuldades de Aprendizagem e de Atenção de 15 de julho deste ano, não me passou despercebido. Um texto cuja leitura recomendo. De facto, e cada vez mais, "os alunos são sujeitos a níveis elevados de stresse ou frustração durante um longo período", fruto de: currículos desajustados, a ausência do "brincar", longos períodos na Escola, a ausência dos avós, a guerra entre pais separados que pensam em si e não no fruto do relacionamento, dificuldades e especificidades próprias do aprendiz, a idealização de perfis de alunos, por parte dos pais, acima das potencialidades do discente, a competição parva entre pais/encarregados de educação que a impõem aos seus filhos,...

Como é evidente, pelas situações discriminadas, não defendo que o Burnout possa abranger somente alunos com dificuldades específicas de/na aprendizagem. São muitas as causas da ansiedade, no atual sistema educativo, muitas vezes hostil. Nem aos professores é dado tempo para serem-no. Da Perturbação de  ansiedade ao burnout a linha pode ser ténue. Muito ténue...

Como é importante identificar sinais e sintomas de uma doença ou transtorno, passo a transcrever os referidos no artigo citado, referentes ao burnout em crianças e jovens, ao longo da escolaridade, sem deixar de, uma vez mais, alertar para a importância do "diagnóstico" ser efetuado por um profissional.

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1. Antes chegava a casa e, de imediato, fazia os trabalhos de casa. Agora já não. É preciso lembrá-la das responsabilidades. E mesmo assim ainda reclama.

2. Antes tinha energia, iniciativa própria para, por exemplo, contar à família, com detalhes, como tinha sido o seu dia na escola, agora já não. Tudo é “arrancado a ferros”. Mostra desmotivação e queixa-se de cansaço. A tristeza passa a ser uma constante.

3. Antes não fugia do convívio social. Agora isola-se. Inventa desculpas para não sair de casa e faltar, por exemplo, aos aniversários dos colegas de escola.

4. Antes era mais segura e confiante. Agora mostra ansiedade e até medo. Nas vésperas dos testes, por exemplo, chora ao estudar a matéria e as noites passaram a ser de insónias. Deixou de ter um sono de qualidade.

5. Antes tinha uma atitude positiva perante a vida. Agora questiona e critica tudo. Põe defeitos em coisas que sempre elogiou.

6. Antes estudava com determinação e os resultados eram melhores. Agora, não consegue manter os índices de concentração necessários para o estudo. Por exemplo, 10 minutos depois de ter iniciado a aula, já não consegue estar focada nas palavras do professor.

7. Antes não evidenciava sinais de impaciência. Agora, está permanentemente cansada, irritada, muitas vezes com coisas que nunca a incomodaram no passado.>>

 

O stresse e a ansiedade juvenis devem preocupar o Ministério da Educação?

Que ações pode/deve esta instituição levar a cabo, no intuito de não prejudicar a saúde mental daqueles que abrange? 

Sobre o Burnout

O conceito

Agosto 13, 2019

P. P.

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Nuno de Noronha, na Sapo Lifestyle, publicou o artigo Será Cansaço ou Esgotamento? Aprenda a Identificar o Burnout , cuja leitura recomendo. No entanto, devo referir que a identificação/diagnóstico deste síndroma deve ser realizado por um profissional de saúde e não de forma "leviana", como aconteceu durante anos com a "depressão", gerando a banalização do termo/doença.

 

Burnout é definido  como "uma síndrome resultante de um stresse crónico no trabalho que não foi administrado com êxito e que se caracteriza por três elementos: sensação de esgotamento, cinismo ou sentimentos negativos relacionados a seu trabalho e eficácia profissional reduzida". A depressão pode ou não estar associada, atendendo à definição desta síndrome.

 

Professores e a Lei do Regime de Trabalho em Meia Jornada

A "ditadura" laboral

Agosto 05, 2019

P. P.

Ministério trava direito de professores do quadro a trabalhar a tempo parcial, tal como refere o Público, na versão para assinantes, datada de 2 de agosto. Em causa está a Lei 84/2015 de 7 de agosto e o regime de meia jornada.

 

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No seu art.º 114.º-A, ponto um, esta “consiste na prestação de trabalho num período reduzido em metade do período normal de trabalho a tempo completo a que se refere o artigo 105.º, sem prejuízo da contagem integral do tempo de serviço para efeito de antiguidade”. Ao ter de ser requerida por escrito, não pode ter a duração inferior a um ano. Além de abranger somente o setor público, os requisitos são dúbios e desfasados da realidade docente, na qual, cada vez mais predominam os casos de burnout, depressão, todo um leque de doenças alusivas à idade, ao desgaste físico/emocional e problemas de vária ordem no seio familiar. Estes são, de acordo com o ponto 4, do artigo e da Lei citados:

Critérios para beneficiar da meia jornada


No intuito de não evidenciar casos conhecidos, que possam comprometer a privacidade de alguns amigos, passo a exemplificar algumas das minhas vivências, apesar de nunca ter recorrido à Lei em causa. Na verdade, desconhecia-a.


O meu primeiro caso de burnout surgiu aos 40, a 3 meses do fim do ano letivo, sem ter em atenção o mês das vigilâncias e correção dos exames. Acabara de perder o pai, num estado extremamente doloroso, vítima de um mieloma múltiplo. Simultaneamente, era cuidador informal, com a minha mãe, da minha avó, doente de Alzheimer, a qual acompanhámos até ao último segundo de vida, nos nossos braços. Paralelamente, também a minha mãe é doente oncológica. Beneficiei de Mobilidade por Doença (MPD), cujos requisitos estão plasmados no Despacho n.º 9004-A/2016, o que possibilita lecionar perto de casa, com o serviço distribuído de acordo com a sensibilidade da direção. Não, ao contrário do que muitos pensam, inclusive, professores, a MPD não é um excelente recurso para trabalhar perto de casa. Sobretudo, para todos aqueles que têm, junto de si, casos terminais. Recordo, durante as noites passadas em branco, com os gritos da minha avó, num mundo paralelo ao nosso, num espaço temporal diferente, passar toda a manhã com um caso de deficiência, com aspetos similares. Alerto ainda para os casos aos quais lhes são incumbidas as piores turmas, no desempenho de funções como professores e diretores de turma. O desgaste é enorme. Perante estes contextos, há dificuldade em compreender que muitos dos casos necessitem de trabalhar em meia jornada, com o ordenado ajustado à mesma? Os requisitos para esta medida fazem sentido? A MPD e o exercício de funções, nesta medida anulam-se?


Escolher trabalhar em regime de meia jornada não é mais que um direito de escolha que deve ser respeitado. Não o conceder é privar o outro da liberdade de escolha que, em determinada altura da vida pelas mais diversas razões, pode ocorrer.


Por tudo o exposto, consideramos que a lei do regime de trabalho em meia jornada deve ser alterada. Tal como está não abrange quem realmente precisa, mas apenas ( na alínea a) ) quem tem netos.. Então e o facto de exigirem que se tenha netos também não interfere com a liberdade de escolha dos nossos filhos?! Isto, sem atender aos 55 anos requeridos à data. Quanto a mim, não faz qualquer sentido. Com efeito, estamos perante uma “ditadura” laboral que não se coaduna, a meu ver, com um regime democrático.

Uma Opinião: A Série After Life

Abril 02, 2019

P. P.

After Life

     Um parecer intimista e pessoal

 

    After Life é uma série de humor negro, em 6 episódios, de 30 minutos cada. Como produtor e ator principal, o inglês Ricky Gervais.

    Nesta série recorre-se ao humor (negro), por forma a abordar temas sérios e pertinentes. Em primeiro lugar, o luto e a forma como podemos encará-lo. Pessoalmente, tive dificuldade em assistir ao 1.º episódio, dado remeter-me para o período de quatro meses após a morte do meu pai, vítima de mieloma múltiplo.
   No argumento, a personagem principal acabou de perder a mulher da sua vida para o cancro. Segue-se a outra etapa, associada ao luto, ao meu luto de então: a depressão e/ou o burnout. Todos os momentos humorísticos que abarcam os momentos desde a falta de paciência até à impulsividade, orlados pelo vocabulário e gestos questionáveis, foram, no meu caso, uma realidade difícil de ultrapassar e de forte penumbra/culpabilidade. Só que o argumentista não se ficou por aqui, ao mostrar um lado menos bom, no perfil da personalidade do psicanalista, com o que também me deparei, durante alguns episódios do meu destino. Na verdade, estes profissionais são humanos, e como tal, erram. Manter o profissionalismo sem deixar que alguns dos seus defeitos transpareçam, parece-me muito difícil.
    Na continuidade desta história, o amor abriu novos horizontes.
Já na minha…

    Os 6 episódios são preenchidos por personagens com as quais nos podemos identificar, não obedecendo a critérios estéticos dúbios.

De sinalizar que o luto é vivido (e deve ser levado a cabo) de maneira diferente, de pessoa para pessoa.  

Direitos

Ainda que procure uma utilização cautelosa e não abusiva de textos, imagens e sonoridades, poderá haver lugar à utilização indevida de obras objeto de direitos de autor. Contudo, apesar do recurso às hiperligações de origem, sempre que a legislação o implique ou seja devidamente informado, de imediato procederei a reajustes. Os textos e fotografias sem referência bibliográfica são da minha autoria.

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