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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

21
Jan19

Petição para limitar os TPC entre Deus e o Diabo

por P. P.

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Photo by Beto Franklin from Pexels

    José Eduardo Moniz, conceituado jornalista português, atualmente em funções na TVI, lançou uma petição para limitar os TPC (trabalhos para casa, que costumo designar como Sugestões de Tarefas para Casa), na sua rúbrica Deus e o Diabo, no Jornal das 8 do dia 28/12/18. Como consta da sua página, no Facebook:

 

Petição de José Eduardo Moniz contra os TPC

    

    Para José Eduardo Moniz, de acordo com o noticiado no sítio eletrónico TVI24, "o que se exige é uma reflexão sobre o papel da escola, à luz das evoluções que as sociedades modernas vêm registando e dos desafios que se colocam às novas gerações em contextos cada vez mais concorrenciais, que abalam estruturas familiares e o equilíbrio psicológico dos mais jovens. É uma situação que reclama grande flexibilidade e enorme capacidade de adaptação. É por causa do que fica expresso que tomei a iniciativa de lançar uma petição pública dirigida aos nossos deputados, no sentido de legislarem em benefício dos portugueses mais novos, em particular, dos que frequentam os primeiro e segundo ciclos."

 

     De acordo com Margarida Davim (2018), na Revista Sábado, citando Moniz  (2018) "os tempos livres, o seu bom aproveitamento e uma conjugação ajustada entre obrigações de aprendizagem e espaços para lazer constituem fator determinante para um equilibrado crescimento intelectual e físico das crianças", pelo que se exige "uma reflexão sobre o papel da escola, à luz das evoluções que as sociedades modernas vêm registando e dos desafios que se colocam às novas gerações em contextos cada vez mais concorrenciais, que abalam estruturas familiares e o equilíbrio psicológico dos mais jovens".

Dando continuidade à linha de pensamento do mentor, Margarida Davim afirma "O que o jornalista pede à Assembleia da República é que legisle, citando-o, "em benefício dos portugueses mais novos, em particular, dos que frequentam os primeiro e segundo ciclos", numa petição que defende que "a brincadeira e os jogos fazem parte não só atividade quotidiana [das crianças], como são elemento central para o seu desenvolvimento e processo de socialização". "Como tal, a escola (pública ou privada) deve fazer com que se cumpra esse "direito ao ócio e ao desporto", tendo por dever organizar as atividades de aprendizagem de forma a que não ponham em causa esse direito dos alunos à participação na vida social e familiar."

 

    Serão estes os únicos e verdadeiros problemas que se colocam às nossas crianças e adolescentes? Ou será esta uma tentativa subtil de denegrir a imagem dos professores, os maus da fita?

 

    De facto, em alguns casos, assiste-se a um exagero nas propostas de tarefas para casa. Pior, é querer que estas sejam realizadas com correção, quando aprendemos pelo erro. Mas, será que nós, professores temos tempo para explorar o erro? 

     No caso da matemática, por exemplo, o treinamento sistemático é condição essencial ao sucesso na disciplina. Costumo propor exercícios a repetir em casa, levando os alunos, da faixa etária mencionada pelo jornalista, a assinalá-los como "importantes", assinalando-os, por exemplo, com "I". Somente resolvo tarefas pertinentes e gosto de explorar várias formas de raciocínio.

 

     Do que se esqueceu José Eduardo Moniz?

A extansão dos programas, a complexidade, a inadequação dos mesmos ao desenvolvimento inteletual e emocional dos alunos, ... No que à matemática diz respeito, esta parece estar a ser revirada do avesso.

O número de horas passados na escola e a carga horária de docentes e discentes, a falta de tempo dos professores para explorar novas metodologias de ensino, os pais que despejam os filhos na Escola como se esta fosse uma "reserva" de crianças e jovens, com os deveres de educá-los, alimentá-los, fornecer materiais escolares,...

A falta de tempo para brincar e saber fazê-lo nos intervalos escolares, conversar,... Estas competências terão de vir a ser treinadas uma vez que os alunos já não as dominam. Nos intervalos, os mais pequenos, caso possam, refugiam-se na sala de aula. Os outros brincam e namoram com telemóveis, alheios ao que se passa em seu redor. Muitos vivem num mundo de princepes e princesas, alheios ao sofrimento dos outros, às realidades da vida, ao respeito para com os mais velhos e aos pares... A proteção exagerada e doentia é assustadora. 

     Fala-se, por exemplo, em implementar Empriendorismo no 1.ºCEB (1.º ciclo do ensino básico). Ideias para projetar alguns senhores dos gabinetes. Queremos crianças e jovens alegres, com prazer por aprender, preparados para a vida ativa. 

 

     Para quando uma educação saudável desprovida dos sabores governamentais?

 

O que tem a dizer a respeito da educação e escolas dos nossos dias?

10
Jul18

A tua orientação sexual não é uma escolha

por P. P.

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   Apesar de muito exigente, o que por vezes gera alguns conflitos durante o ano letivo, com a necessidade de explicar as minhas intenções aos pais/encarregados de educação, ao longo destes 20 anos, até há data contados em menor número pelo nosso Governo, tenho vindo a manter, com os alunos, amizades sólidas. Depois de professor/ aluno, ficamos amigos. Nas aulas de ciências naturais, é da minha prática pedagógica, abordar "tudo" de forma confidencial e com respeito pelo outro. Em alguns aspetos, são o confessionário dos discentes, sobretudo quando à mesma turma é-me atribuída matemática. Preocupo-me, além dos conteúdos, que os alunos desenvolvam o espírito crítico, respeito e tolerância. Por exemplo, as fotografias depois da remoção do tumor da minha mãe foram-lhes mostradas à turma de então, com intuito de constatarem como uma doença pode modificar o nosso aspeto, pondo em causa a saúde enquanto tríade, e não termos o direito de julgar o nosso semelhante.

 

   Conste ou não do programa, desde 1997 incluo educação sexual como parte integrante do currículo oculto. Esta é muito mais do que falar de sexo e prevenção das IST ou gravidezes indesejadas. Trata-se de um exercício de tolerância, consciencialização das nossas diferenças, vocacionado para o respeito, o amor pelo outro e a amizade. Exercícios de debate em redor de temas como o divórcio e os filhos, a violência no namoro, ... Momentos de reflexão e construção de algumas peças do futuro ser.

 

   Volvidos alguns anos, após terem sido meus alunos, já no 9.º ano ou secundário, tenho vindo a constatar o sufoco de muitos, tendo mesmo de recorrer a formas de quebrar o gelo, em redor da sua orientação sexual. "Professor eu gosto de raparigas, mas também gosto de rapazes!" Gera-se um turbilhão de sentimentos, quase sempre com receio da reação da família e de ordem religiosa. 

Normalmente, digo para não se preocuparem. Com o decorrer do tempo, descobrirão qual é o sexo pelo qual se sentem realmente atraídos ou se é de facto por ambos. É interessante a necessidade destes adolescentes em terem um rótulo, que os remete para um grupo. Entendo e recordo-me que, na adolescência, um pouco de tempo parece uma eternidade e é nesta que defendo a continuidade em dar a mão. Há que sugerir a não utilização de determinadas aplicações de cariz sexual (sim, em primeiro testo-as) e a tentativa de resistir a eventuais fontes de assédio, muitas vezes presentes no seio familiar, sem que os pais se apercebam. Quem não se lembra de, na adolescência, no período da manhã querer usar certo perfume que passa a odiado no período da tarde? Também os sentimentos, a par das hormonas efervescem.

 

   Assim é um dos últimos casos que me chegou. A homofobia de um familiar parece traduzir-se naquilo que de facto entendo como "homofóbico" (aquele que tem medo de se sentir atraído por membros do mesmo sexo), manifestando-se em atitudes de bullying  e um desejo que ainda não decifrei. A este respeito nada mais posso adiantar, como o leitor certamente entenderá. De certa forma, estas são variáveis que não me ocorreram até então. Muito menos envolvendo um adulto (apenas no corpo e idade cronológica) e um adolescente. Certamente, o meu lado naif.

 

   Sejamos objetivos, a orientação sexual não é uma escolha. Há que saber estar entre os restantes com normalidade, sem sentimentos de culpa. Um Homem faz-se pelos seus atos! De que importa se procura carinho nos braços de uma pessoa do mesmo sexo, de ambos ou do oposto? Por outro lado, quem realmente gosta de nós, aceita-nos. Da família não fazem parte somente aqueles que partilham o mesmo ADN, mas sobretudo as pessoas que estão presentes nos bons e nos maus momentos, capazes de nos dizerem por exemplo, "ficas tão mal com essa roupa" Estes são os Amigos, a família do coração.

 

   Esta orientação não é comandada pelo sujeito. "Sou bissexual durante o curso e depois passarei a hetero". O respeito pelo outro é importante. 

 

   Parece-me que, durante o percurso educativo, a educação para os afetos vai-se perdendo, dando lugar à presente ameaça dos currículos extensos e desajustados, associados a uma carga horária que impede as crianças de o serem, bem como os adolescentes. A relação pedagógica é mais difícil de criar nos nossos tempos do que, por exemplo, há 10 anos...

 

Fonte da foto de capa, aqui

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