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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

05
Dez18

Sensualidade, pornografia, pedofilia, o que não se fala e o Tumblr

por P. P.

Tumblr

   Nesta segunda-feira, eis que muitos dos utilizadores do microblogue Tumblr foram surpreendidos com um comunicado referente à alteração das políticas da plataforma, a qual, no dia 17,  deixará de permitir imagens de nudez, erotismo ou pornografia.  "Conteúdo adulto inclui principalmente fotos, vídeos ou GIFs que mostram genitais humanos reais ou mamilos femininos, e qualquer conteúdo - incluindo fotos, vídeos, GIFs e ilustrações - que retratam atos sexuais."

 

   Devo referir que esta plataforma é das poucas com um sistema que valorizo, no que diz respeito a imagens mais ousadas. Eu, enquanto bloguista de conteúdos para maiores de 18 anos, posso impedir o acesso ao meu microblogue a todos os que não estão registados na plataforma e/ou que nas definições tenham assinalado "não pretendo visualizar conteúdo adulto". Parece que tal não foi suficiente. "Passamos um tempo considerável pesando os prós e contras da expressão na comunidade que inclui conteúdo adulto" , escreveu Jeff D'Onofrio, CEO do Tumblr , como se pode ler no artigo Tumblr Bans Adult Content. “Ao fazer isso, ficou claro que sem esse conteúdo, temos a oportunidade de criar um lugar onde mais pessoas se sintam à vontade para se expressar.”

 

   Já há algum tempo não visitava, de forma atenta, a plataforma pelo que fui apanhado desprevenido. Ao que parece, pelo que li, neste sistema de microblogues foram detetados conteúdos pedófilos, o que levou a APPLE a retirar a APP da sua Apple Store. Curiosamente, ou não, no que ao meu iPad diz respeito, esta sempre se manteve. A meu ver, a pedofilia é um ato hediondo. Nada tem a ver com o sexo entre adultos, a sensualidade, nus artísticos, sexo enquanto forma de manifestação artística,... A equipa falhou, não reconheceu o erro ao nível dos equipamentos utilizados e recursos humanos e agora, todos são postos em causa. É certo que, nesta plataforma, encontramos microblogues dedicados à moda, inclusive no masculino, arte, música... Mas também é verdade que nela se encontram espaços sem qualquer nudez a incentivar a mutilação, os distúrbios alimentares, o bullying entre jovens... Estes três últimos aspetos levaram-me a deambular pela rede uma vez que, numa formação de pedopsiquiatria infantil e da adolescência, constatou-se, de acordo com o pedopsiquiatra e professores, que muitos dos casos que surgiam numa das cidades vizinhas tinham como base o Tumblr. Aliás, no livro "O Coração de Simon contra o Mundo" ou no filme com base neste, "Com Amor, Simon", esta rede é referida. 

 

    Não se lutando contra o bullying, o incentivo à violência, à degradação humana e à infelicidade de muitos jovens e famílias será assim, como refere o CEO, que conseguiremos "a oportunidade de criar um lugar onde mais pessoas se sintam à vontade para se expressar"? Não me parece. Por outro lado, um dos aspetos negativos na plataforma prende-se com a dificuldade em encontrar um artigo. Não existem páginas nem um calendário de referência. Somente, um arquivo no qual vemos imagens ou quase nada a respeito do artigo. Isto no seio de muitos posts... Inserir comentários é outro pesadelo.

 

   De lamentar a forma como procederam por forma a calar manifestações artísticas, sem distinguir variáveis nem refletir de forma ponderada. Parece-me que o fim avizinha-se. Isto é, todos aqueles microblogues adolescentes que referi manter-se-ão. Não mostram mamilos, nem genitais! Acedê-los continuará a ser uma tarefa difícil, dado os nossos jovens divulgarem as hiperligações recorrendo a APP de mensagens de texto.

 

Do nothing or...

 

 

   Nem toda a nudez deve ser condenada.

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   Esta última foto pertence à galeria do artista visual Curro Rodríguez, provavelmente destinada a desaparecer. A arte e a nudez são condenáveis, ao contrário dos aspetos anteriormente mencionados. 

25
Nov18

A depressão nos jovens em Malhação - Vidas Brasileiras

por P. P.

tvg_20181011-sz-malhacao-vidas-brasileiras

 

 

   As formações que tenho vindo a fazer e um problema de saúde nas duas últimas semanas impediram-me de acompanhar Malhação Vidas Brasileiras, no Canal Globo.

   Foi com grande agrado e satisfação que, nesta sexta-feira, no episódio da manhã, constatei a abordagem da depressão na adolescência, consequências no relacionamento com os outros e aceitação pelos pares e medicação. Se no caso dos adultos, nos nossos dias, fazer a medicação entre pares é complicado, imagine-se o caso das crianças ou adolescentes. Sim, a depressão também abraça crianças, pelo que todos os sinais e sintomas não devem ser descurados.

 

 

   Quase a chegar uma nova edição de Morangos com Açúcar, série portuguesa, da TVI, que sempre detestei e nunca acompanhei, limitando-me a assistir à influência negativa que exerceu nos nossos jovens, sobretudo nas suas primeiras temporadas, espero que, desta vez, se constate a abordagem de temáticas relevantes, com atores de diferentes raças, bonitos,feios... Em suma, que retrate a realidade, à semelhança do que acontece em Vidas Brasileiras. Uma novela, mesmo juvenil, modela comportamentos e pode induzir aprendizagens. Por outro lado, as ilusões geradas não são favoráveis. 

 

   A ilustração que se segue, infelizmente corresponde a uma realidade que muitas vezes se observa nas aulas de ciências da natureza. Mais tarde, abordarei este tema.

 

Na sala de aula de ciências

 

10
Nov18

Desafio 52 semanas - Lembra-me a minha adolescência

por P. P.

 

Desafio 52 semanas

 

 

 

Semana 45 - Lembra-me a minha adolescência

 

   Relativamente à minha adolescência devo considerar 3 etapas: o início, a fase intermédia e a fase final (o jovem adulto). De início, tudo foi muito engraçado. O aparecimento dos pelos e a expetativa de que aparecessem muitos mais, num louro que os fazia "desaparecer" quando à luz solar. Os sonhos e as alterações comportamentais. A 1.ª vez que fiz a barba (aliás, que o meu pai me a fez), entre fragrâncias de lima-limão. Sim, naquela altura, além de brincar a explorar o corpo da colega, na aula de Biologia, e vice-versa, escrevíamos as letras de músicas nos tampos das mesas da escola, enquanto o professor falava de qualquer coisa que seguramente não era sexo. A música e as revistas alemãs de música fizeram parte desta etapa, assim como a leitura de cada livro que fosse proibido ("Sucessões ecológicas"? Para nós seria algo como "Sucessões sexuais"). Não me refiro às revistas de porno ordinário que víamos durante a aula de Português, a quatro, enquanto a professora apenas conversava com "os drugas", explorando as práticas semanais destes, regra geral a destruir jazigos ou a copular nos mesmos. 

   Uma fase de deuses e deusas, na qual tomei consciência de mim próprio e tornei-me obcecado por perfumes. Entretanto, as rádios piratas começaram a progredir. Para bem da música.

 

 

 

 

   Não posso esquecer a fase das mamas.

 

 

 

Assim como do rei e da rainha.

 

 

   Foi nesta fase que comecei a gostar cinema europeu e de autor. 5 Noites 5 Filmes, na RTP2 prevalecia face ao estudo. Joaquim Leitão, Pedro Almodóvar, Bernardo Bertollucci foram alguns nomes presentes.

 

 

Quanto cinema dos anos 60 a 80.

Quanta música...

E a exuberância.

 

   Agora sei, e já consigo falar a respeito, do assédio sexual por parte de um professor de trabalhos manuais ou oficinais, para comigo e uma prima da mesma turma. Tanto fugimos que tivemos negativa no 2.º período. 

 

Com as hormonas mais estabilizadas surgiu uma estrela, que levou-me a adorar o 9.º ano.

 

 

E palavras intemporais, na forma de música.

 

 

Entretanto, a ansiedade foi-se instalando, domando-me.

Caminhei rumo a uma fobia social e tornei-me ainda mais diferente do que já era. Uma etapa antecedida de erros, de estar impedido de ser quem era/como era, de questionamentos e anseio pela chegada do manto negro da morte. 

Adiante...

Para finalizar, ainda que a acne não me tenha abandonado (Forever Young) , a tolerância e um Eu que se formava, ciente dos defeitos (I Want the perfect body/ I want the perfect soul).

Seguiram-se sonhos desencontrados, retornos, abandonos, erros, o bom, o mau, amores impossíveis, improváveis, pedaços e fragmentos de um ser. Uma súmula de pessoas encantadoras, fascinantes, repugnantes e detestáveis. 

 

 

   Neste TAG participam para além de mim, a 3ª face, a Ana, a Ana Paula, a Catarina, a Carlota, a Charneca em Flor, a Daniela, a Desarrumada, a Fátima, a Gorduchita, a Hipster Chic, a Happy, a Isabel, a Mãe A, a Mariana, a Maria Mocha, a Marquesa de Marvila, a Mimi, a Paula, a Sweetener, a Sofia, a Tatiana e a Tita

24
Mai18

Por 13 Razões - o alerta para dimensões da terrível adolescência

por P. P.

 

por-13-razoes-a-serie-do-netflix-que_sezx

 

   Assisti à 1.ª temporada da série pouco tempo depois de ler o livro. Não escondo ter considerado os primeiros episódios aborrecidos. O "meu" Clay, nas palavras do escritor, não correspondeu ao Clay da ficção. No livro, a ação foi mais célere. Mas não me arrependi por ter seguido a série e o livro, que apresentam Hannah Backer com distintas doenças mentais, dentro do mesmo género. Num dos meios, Hannah é portadora de depressão na adolescência e no outro, constatam-se ainda aspetos de fobia social. É importante saber que algumas doenças mentais instalam-se na adolescência, nem sempre sendo identificadas pelo seu portador. Por exemplo, é preciso saber avaliar o tipo de isolamento, causas, frequência... A ajuda dos profissionais de saúde é impreterível para uma vida feliz, conseguindo-se um tratamento eficaz quando realizado atempadamente. 

 

   Para mim, os episódios mais marcantes foram os das violações e o do corte dos pulsos (suicídio), por parte de Hannah. Episódios considerados para um público adulto e inadequados a pessoas sensíveis, estas são realidades às quais pais, professores e adolescentes não podem permanecer alheios. Num dos casos, uma jovem alcoolizada é violada, com "o consentimento" do namorado, também ele drogado, mas sem o seu, e sem força para resistir a um ato que não pretende. Continuo a questionar o que leva os jovens a tais graus de alcoolismo, mas não estou incumbido de julgar. No outro caso, o de Hannah, a ação decorre dentro de um jacuzzi, com uma interpretação fantástica por parte da atriz, na expressão corporal e facial. Em ambos os casos, o mesmo violador. Um jovem a quem, durante o crescimento, não foram impostas regras, rico e com elevado grau de popularidade, sobretudo no meio desportivo do Secundário. 

 

   Não podemos abnegar estas realidades.

Quantos(as) amigos(as) temos que passaram por esta terrível realidade, a da violação? Quantos não assistimos, direta ou indiretamente, ao suicídio de um(a) colega?

 

   Toda a ação decorre durante o ensino secundário americano - High School -, mas na generalidade, no nosso país, considero-a mais evidente no ensino superior. Contudo, sublinho, estes casos existem nas nossas escolas, no ensino básico e secundário, intra e/ou extramuros. Inclusive, em alguns casos, no seio familiar...

 

   Curiosamente, vi o episódio da violação na mesma época em que, no nosso país, na Queima das Fitas do Porto, uma jovem alcoolizada foi masturbada (ou violada?) pelo namorado, com plateia - o grupo de amigos - e direito a vários apelidos pouco simpáticos, num transporte público da cidade.

 

   Antes de falarmos da 2.ª temporada, recordemos o trailer da primeira.

 

 

   De uma temporada de 13 episódios narrada por Hannah Backer, os 13 da segunda temporada, estreados a 18 de maio, no nosso país, são-no, desta vez, por cada um dos seus colegas. 

   Nesta temporada, o bullying mantém-se. Polaroids são divulgadas, dando a conhecer a existência de um local onde as raparigas são drogadas e violadas. A violência continua. Em simultâneo, decorre o julgamento do caso Hannah, dada uma ação levada a cabo pela mãe contra a Escola. Em cada dia do julgamento, uma nova Hannah, até então desconhecida. Em alguns aspetos, uma Hannah que não corresponde à da primeira temporada, uma vez que a doença mental parece ter sido esquecida. Isto é, determinadas ações e atitudes não são prática dos doentes com as problemáticas assinaladas. Hannah é várias vezes mostrada como uma jovem sorridente e integrada no grupo, o que não é verdade. Assistimos às perceções de cada um dos envolvidos. Todos temos segredos. 

 

   Aliás, nesta temporada é feito o apelo para que os pais comuniquem com os seus filhos, tentem ler sinais e que também os jovens recorram a alguém de confiança, por forma a lavar a alma e procurar ajuda. <<No momento em que começares a falar sobre estes temas difíceis, tudo se tornará mais fácil>>, alertam alguns dos atores de Por 13 Razões, logo no início da segunda temporada da série norte-americana que, no ano passado, pôs o mundo a discutir o suicídio juvenil e o assédio sexual, ainda antes do movimento Me Too.

 

   O protagonismo das vítimas de bullying é considerável. De tal forma que, uma delas, do sexo masculino, é agredido na casa de banho, entre murros e pontapés, e com a cabeça mergulhada na sanita, acaba por ser penetrado com o pau de uma vassoura. Chocante? Sim. Real? Infelizmente, também a esta pergunta a resposta é afirmativa. As toxicodependências não foram esquecidas, assim como os contextos e importância de um grupo específico, nesta faixa etária. 

    A utilização de armas, por adolescentes, é um assunto também abordado. Por vezes, no potencial assassino, pode esconder-se quem sofreu abusos...

   Esta série põe em evidência a importância do que já escrevi neste espaço. Nas nossas Escolas, além de psicólogos devem existir professores com o papel de coach junto dos discentes.

 

   Assista ao trailer da 2.ª temporada.

 

 

 

Qual é a sua opinião acerca dos nossos adolescentes e riscos?

 

 

 

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