Série Chernobyl - uma realidade tão recente
Junho 21, 2019
P. P.
Num ambiente deprimente, assistimos a alguém que não consegue viver com o passado. No limite, enforca-se. Assim, surge, em silêncio, o nome da minissérie, em 5 episódios, Chernobyl da HBO.
Ao viajarmos até à 2.ª metade dos anos 80, concretamente 1986, na Ucrânia, são-nos dados pormenores acerca de um acidente, consequência de mentiras, na central nuclear de Chernobil. Dados realistas com alguma ficção, por forma a enriquecê-la. Cenas com diálogos longos e credíveis, como se de um documentário se tratasse. Um acontecimento ainda tão recente e com consequências assoladoras para o mundo. Afinal, como referido, trata-se de um processo que envolveu radioatividade letal para os seres vivos, encontrada ainda hoje, até nos não vivos.
Do argumento, enquanto o mundo lamenta o ocorrido, o cientista Valery Legasov (Jared Harris), a física Ulana Khomyuk (Emily Watson) e o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) tentam descobrir as causas do acidente. Nos seus 3.º e 4.º episódios, a realidade dura e crua é-nos finalmente apresentada. Considero que as imagens em questão deveriam ser mais chocantes e traumatizantes, no intuito de alertar para os perigos de uma guerra nuclear. Por outro lado, deste modo, continuaria a não fugir à realidade.
Tenho dificuldade em compreender o anseio de muitos em visitar Chernobil após o lançamento da série. Talvez por não ter ficado evidente, nem de forma marcante, que a radioatividade ainda está presente, as suas consequências nos embriões, nos solos, nos organismos…. Pelo exposto, a série peca, não obstante seja grandiosa enquanto memória e documento histórico.
Veja o trailer.
