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Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

21
Dez18

Luís Covas, o fotógrafo que não teme o mundo a preto e branco

por P. P.

Luís Covas por Nuno Guerra

Luís Covas por Nuno Guerra

 

    Luís Covas (L.C.) fotografa o seu mundo. Este, nem sempre é colorido, possuíndo tonalidades a preto e branco.
    A natureza, a cidade, as pessoas e os seus gatos são prioridades ao olhar, trabalho de luz.

Vamos conhecê-lo melhor?

 

P.P.: – Quem é o Luís Covas?


L.C.: – Sou designer gráfico de profissão e um amante incondicional de fotografia. Para mim, é impossível passar pelo mundo sem olhar em redor e imaginar tudo o que vejo no enquadramento de uma lente, seja ela o telemóvel ou da minha câmara fotográfica.

 

6219-2. de Luís Covas

 

 

P.P.: – Qual é a origem do teu fascínio pela fotografia?


L.C.: – O meu pai . Lembro-me de ver fotos a preto e branco da Madeira (onde nasci) tiradas, reveladas e ampliadas por ele. Na altura não havia câmaras digitais, usavam-se rolos e as fotos eram reveladas e ampliadas/ impressas em laboratório. Quando estudei na Faculdade de Belas Artes de Lisboa tive oportunidade de fazer o mesmo, e diria que a verdadeira incursão neste mundo começou nessa altura.

 

João Galrão por Luís Covas

 


P.P.: – Constato, na tua galeria, expressões faciais humanas e a solidão.
Os Homens estão cada vez mais sós? Porquê?


L.C.: – Sem dúvida devido à revolução digital e à internet. Ao mesmo tempo que fez do mundo uma aldeia, tornou-nos cada vez mais virtuais e cada vez menos humanos. Nota-se isso no dia-a-dia, no contacto que evitamos perante a facilidade com que trocamos uma mensagem sem ter que nos mostrarmos, de revelar as nossas vulnerabilidades perante os outros. Isso isola-nos cada vez mais e distancia-nos da nossa condição humana. Falta-nos o toque, a emoção de um olhar trocado frente a frente, uma conversa, um abraço...

 

Fotografia de Luís Covas

 


P.P.: – Quais são os teus projetos presentes e futuros?

Onde podemos encontrar os teus trabalhos?


L.C.: – Sempre quis explorar este lado humano no meu trabalho como fotógrafo. Seja quando viajo, quando no dia-a-dia percorro as ruas da cidade ou em estúdio.
   Por outro lado, a beleza do nu fotográfico sempre me atraiu. Nesse sentido, criei um projeto chamado My Undressed Soul , onde desafio homens a ‘despirem as suas almas’ e tornarem-se vulneráveis perante a minha lente. Despido de roupa, o modelo torna-se o centro de um cenário onde a sua personalidade passará sem necessidade de acessórios. No decurso de uma conversa informal, trocamos impressões, falamos das nossas emoções e experiências de vida. O dedo nunca sai do botão e o obturador vai disparando, revelando a alma que habita aquela pele nua. Seja uma sexualidade estonteante no olhar, uma pose reveladora de um carácter desafiador ou a doçura de um olhar parcialmente oculto num corpo másculo, tudo isso transparecerá no resultado final.

   Por enquanto este projeto existe apenas no Instagram, onde podem encontrar as fotografias aqui divulgadas e outras. Numa vertente menos condicionada pelo imposto moralismo das redes sociais, apresento também versões não censuradas de algumas das imagens no meu perfil no FlickrEste perfil destina-se a um público adulto, livre de preconceitos.

   Neste perfil exploro também as relações humanas do ponto de vista da sexualidade. Não vejo razão para não mostrar um pénis (erecto ou não) se este for tão belo ou intenso quanto um olhar. É apenas mais uma vertente da nossa condição humana e também um exercício visual onde exploro a luz e a sombra, contados através do dramatismo e do contraste do preto e branco.

   Em termos futuros pretendo explorar cada vez mais a humanidade como tema. Talvez criar um projeto apenas com retrato de rosto, correr o mundo em busca dessa nossa condição, onde quer que ela exista.

 

Na galeria algumas fotografias do projeto mais recente do Luís Covas.

 

O Insensato agradece a tua colaboração e participação.

 

 Nesta publicação respeitou-se o não recurso ao A.O. por parte do entrevistado.

Todas as fotografias estão sujeitas a direitos de autor - Luís Covas

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