Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, ao deambular entre dois polos

[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, ao deambular entre dois polos

Eliminar o 2.º Ciclo para reduzir o número de retenções nas nossas Escolas?

 

joanna-kosinska-129039-unsplash

Photo by Joanna Kosinska on Unsplash

 

   Ainda estou atónito após a leitura do artigo de Alexandra Inácio, na secção Educação, do Jornal de Notícias, com o título "Proposta eliminação do 2.º ciclo para reduzir número de chumbos", atualizado às 00.29 p.m. Curiosamente, esta notícia e concomitante estudo do Conselho Nacional de Educação, no relatório Estado da Educação 2017, aborda o envelhecimento da classe docente. Qual a relação entre o 2.º CEB (Ciclo do Ensino Básico) e o envelhecimento da classe docente?

 

 

"Tendo em conta o envelhecimento da população docente e a redução na procura dos cursos de formação de professores, urge fazer e divulgar rapidamente um estudo da necessidade de novos professores para os diversos grupos de recrutamento", lê-se no documento que será hoje aprovado pelos conselheiros. 

(...) Comparativamente com os outros estados membros da União Europeia só a Grécia tem menos professores com menos de 30 anos do que Portugal. A somar a este cenário nunca houve tão poucos candidatos a cursos de Educação Básica. Este ano letivo, após as três fases do concurso nacional de acesso, num total de 21 licenciaturas em 12 ingressaram menos de dez estudantes. O Politécnico da Guarda não recebeu nenhum aluno e no de Portalegre apenas entrou um.

Cf. a notícia referida

 

   Ainda de acordo com o noticiado por Alexandra Inácio, Maria Emília Brederode Santos, a eliminação do 2.º CEB facilitaria a transição entre ciclos e reduziria os níveis de retenção, ainda elevados. "Um ano para entrar, outro para sair" - é assim que é definido o 2.º ciclo, composto pelo 5.º e 6.º anos, sem que Maria Emília Brederode Santos assuma uma nova fórmula.

 

   O 2.ºCEB foi criado com o intuito de preparar os alunos para os ciclos seguintes (antigo unificado e secundário). A metodologia de ensino, as práticas de avaliação e o envolvimento com a comunidade educativa é idêntica à dos Ciclos precedentes, quebrando barreiras com o importantíssimo 1.º CEB. Não será importante apurar quais as causas do insucesso apontado e clarificar o que se entende pelo mesmo? A autora refere "Apesar dos níveis de reprovação terem atingido mínimos históricos ainda são um problema. (...) E em Portugal, quem mais chumba são alunos de estratos sociais, económicos e culturais abaixo da média. O que leva a presidente do CNE a defender que o sistema "ainda é discriminatório".

 

   Esta constatação não se verifica nos restantes níveis de ensino? De novo, em contradição ou sem qualquer sentido "A taxa de retenção no 2.º ano (primeiro em que é possível reprovar) foi em 2016/2017 de 7,4%, a segunda mais alta do Ensino Básico, só superada pelos chumbos no 7.º ano (11,4%)". Imaginem-se os resultados no 7.º ano sem a preparação levada a cabo durante o 2.ºCEB.

 

   Os professores do 2.ºCEB têm preparação específica para trabalhar com os níveis etários em causa, facilitando a transição entre ciclos. Preocupados que estão, os estudiosos "de gabinete", com o envelhecimento da classe docente, qual o destino pretendido para os docentes do 2.ºCEB? Que estes preencham as vagas nas Escolas Superiores e Universidades, por forma a dar trabalho aos professores universitários, incumbidos da formação de professores, mas sem alunos nos dias que correm? Tal já se verificou, em muitos casos, relativamente à aquisição de competências para lecionar inglês no 1.ºCEB.

Quais são as reais preocupações dos "inovadores" para com as aprendizagens dos discentes e concomitante preparação para a vida ativa, preconizadas no Perfil do Aluno à Saída do Ensino Básico? Qual o investimento na educação? 

   Sejamos francos, há muito entendemos que é apanágio deste governo e anteriores a transição dos alunos de forma facilitista. Há muito que os professores e pais empenhados entenderam-o. Entretanto, nada se fala a respeito de alterações curriculares. Desajustados dos interesses e nível etário dos alunos, insiste-se no erro. Não tivessem estes resultado do trabalho de muitos "estudiosos". Sempre os tais, claro. Aqueles de "gabinete". Resta perguntar, que futuro? Que país?

 

 

24 comentários

Comentar post