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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular entre pólos

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O Segredo dos Deuses da IURD - e não só!

Adoption

 

 

   O meu recente vício tem ido ao encontro das reportagens, tipo série, da TVI24, O Segredo dos Deuses e concomitantes debates.

 

   De início, confrontado com o caso Raríssimas, que tão grande repúdio me causa, não dei a devida atenção a toda a "calamidade" que envolve um esquema de adoções inusitadas por parte de elementos da IURD, em Portugal. Habituado, desde cedo, a trabalhar com crianças/adolescentes conduzidas ou depositas em lares, assim como a respeitar as diferentes religiões/seitas religiosas, desde que ávidas por um bem comum, pensei tratar-se de "falsas vítimas". Afinal, a certa altura, os seus caminhos iluminaram-se, dado terem encontrado quem as adotasse e assim evitasse uma vida de dificuldades, facilmente conducente a comportamentos disruptivos. 

  Não, não há lares de adoção perfeitos. Recordo um, que até merece o meu reconhecimento, do qual recebi alunos em dois anos distintos. No 2.º, por razões que desconheço, a coordenadora mudou. Muitos eram os alunos que se sentiam desalinhados e postos de parte, dado não fazerem parte dos prediletos desta identidade. Ainda em estágio, a frieza de um outro espaço, iniciava-se nos aspetos arquitetónicos.  De maneira geral, constatei e aprendi, com a diversidade de casos, a existência de um denominador quase sempre comum. Independentemente do grau de violência a que estes jovens tenham sido submetidos pelos progenitores, persiste o acreditar que tudo mudará quando, nas férias escolares, regressarem a casa. Os laços, inclusive com abusadores, mantêm-se. Não no sentido pejorativo ou obsceno. Trata-se da família. Uma estrutura condenada, disfuncional e sem qualquer orientação/acompanhamento. Também eu, à semelhança dos casos revelados pelo O Segredo dos Deuses refiro-me a casos com, pelo menos, 20 anos.  

 

   A que setores do Estado devemos pedir esclarecimentos quando crianças são levadas para fora do país, ou não, adotadas de forma ilegal e formatadas na forma de pensar e estar? Existirão responsáveis, num país de brandos costumes, cada vez mais corrupto? Serão as crianças em causa, agora jovens adultos, património de um país?

 

   Uma prostituta, dada a sua condição, é incapaz de educar os filhos, sem o apoio de diferentes estruturas? Sinceramente, penso que o consegue. E não é necessário recorrer a RSI e outros mecanismos que, para muitos, acentuam o fare niente. Pelo menos, na globalidade. Já trabalhei com casos do género.  Até porque p*t*s não são aquelas que encontramos sujeitas à violência e usurpação de um chulo, nas ruas, perante as mais adversas situações de perigo e dignidade. Para mim, essas são prostitutas. Muitas delas, conduzidas a tal por razões monstruosas. Merecem o meu respeito e se professor ou diretor de turma de um ou mais dos seus filhos, não são recebidas de forma diferente à dos "senhores doutores". Pessoalmente, considero existirem diferenças entre prostitutas e p#t#s.

   Sempre tive dificuldade em entender o fanatismo nas suas diferentes vertentes. Antes de começar a tecer estas linhas, algo desorganizadas, fiz uma breve pesquisa a respeito da IURD. Como Ser Aceito por Deus? deixou-me a pensar a respeito do seu deus e dos grupos que procuram a prosperidade... Quais são as diferenças entre a prosperidade, nestas instituições e riqueza? Somos movidos pelos bens materiais? E quando, perante certos problemas, como são exemplo as doenças raras e as terminais, de que nos adianta essa "prosperidade monetária"? Sejamos felizes, sem prejudicar o nosso semelhante e lutemos por um mundo melhor. Não posso deixar de destacar a leitura do artigo Adoções Elegais na IURD: Ultraje em Portugal.

 

   O ser humano é dotado de razão. Volvidos 20 anos, agora jovens adultos, o que demove estes seres de procurar os seus progenitores? De apurar o que realmente aconteceu no passado?!

O receio de deixarem de prosperar? De viver no luxo? Nem todos tinham idades inferiores a 4/5 anos quando submetidos a tais procedimentos... Ou seja, mesmo que escondido, há a memória de uma mãe, de uma avó, de um pai, de um lugar e/ou... Como é que, pelo que temos visto nas reportagens, jovens com um sério historial no mundo das drogas, aparentemente não têm marcas? Ah, uma boa história de dimensões trágicas cativa almas que não encontram a paz. 

 

O primeiro elemento, ligado ao governo, que se pronunciou a este respeito foi Pedro Passos Coelho. E o nosso PM? E o Presidente da República?

 

#nãoadotoestesilêncio

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