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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular entre pólos

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Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular entre pólos

A respeito da autodeterminação da identidade e expressão de género

 

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 Photo by Sharon McCutcheon on Unsplash

 

 

   Neste texto de opinião, não me preocuparei com as diferentes designações que têm vindo a ser atribuídos aos transexuais. Importa que o leitor entenda do que se fala, com simplicidade e clareza.

 

   Há muitos anos atrás, quase 20, tive contacto com a 1.ª amiga transexual. Na altura, admito que não sabia do que se tratava. Naqueles tempos, estes casos apenas eram confidenciados a amigos íntimos e por vezes, a um ou outro técnico de saúde.  De maneira geral, em meu entender, vivia-se na ignorância acerca da realidade dos transexuais

Uma vez que, por razões profissionais e familiares, esta minha amiga nunca fez tratamento hormonal nem de mudança de sexo, tenho vindo a acompanhar o sofrimento mais profundo de quem se sente de outro género, não podendo, em contextos triviais, manifestá-lo. O viver num mundo que não o seu, acorrentado num corpo com o qual nunca se identificou. Posso exemplificar, a recusa em usar soutien, a aversão às mamas, quantas vezes apertadas por forma a não se evidenciarem, a preferência pelas roupas masculinas e todo um conjunto de hábitos não muito associados ao género feminino, o repúdio pela menstruação e genitais,...

Que fique claro, na transexualidade não estamos perante uma orientação sexual. A minha amiga sente atração por mulheres, como homem. Toda a forma de galanteio, mimos e cortesias numa relação são "masculinas". Como tal, não há atração por uma lésbica. Dentro do corpo de uma mulher, há um homem. 

 

   O sofrimento de um transexual é atroz. O bullying começa bem cedo na escola, a rejeição pelos familiares, colegas, "amigos"... Destes atores, há quem se recuse a ver o óbvio. Também há quem procure exorcizar a identidade e a expressão de género, sem qualquer pergunta ao sujeito em causa. 

 

   Entendo que, ao longo dos tempos, o conceito e sofrimento dos transexuais tem vindo a ser "denegrido" pela pornografia. Muitas vezes, são chamados de transexuais ou até mesmo de hermafroditas, quando os "atores" estão em fase de mudança de sexo. Tal não é correto. Um transexual não tem os dois sexos e quando tal acontece, é porque um deles ainda não foi removido. Conste ainda que os transexuais não sentem atração física ou sexual por ambos os géneros. Regra geral, assistimos a "atrizes e atores" que procuram na pornografia, o dinheiro necessário à continuidade dos tratamentos. 

 

   Por mais palavras que utilize, é indescritível o sofrimento das pessoas nesta "condição". Até a religião pode ser (é!) castradora. Porém, não é de ânimo leve que se deve decidir mudar de sexo. Ao longo da adolescência existem várias dualidades e devaneios. A própria educação pode influenciar a criança/adolescente no encontro da sua identidade. Em suma, para "rotular" um transexual, é necessário passar por uma equipa de especialistas, de diferentes áreas, que emitam esse parecer. Assim, foi com a minha amiga, há tantos anos atrás. Como tal, concordo com o veto exercido pelo nosso PR à lei proposta para a mudança de sexo aos 16 anos, 

 

   Que a sociedade aprenda a respeitar os transexuais. O processo é lento, tanto a nível social como a nível das transformações no sujeito. Há que saber respeitar e compreender o que é viver acorrentado num corpo com um sexo com o qual não nos identificamos

 

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 Photo by Evan Kirby on Unsplash

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