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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

16
Abr18

A minissérie Alias Grace


por P. P.

Alias Grace

 

   Alias Grace é uma minissérie, em 6 episódios, coproduzida entre a CBS e a Netflix, baseada no romance homónimo de Margaret Atwood (1996) e adaptado por Sarah Polley. No papel principal, a brilhante interpretação de Sarah Gadon. O elenco, a direção, os figurinos, a edição e a reconstituição de época são alguns dos pontos fortes para ver esta obra.

 

   Esta série retrata, num ambiente enigmático, o papel da mulher na sociedade dos meados do século XIX e a violência a que estas estavam sujeitas. Nela conta-se a história de Grace (Sarah Gadon), uma imigrante irlandesa no Canadá, desde os seus 15 anos, que está presa, acusada de matar seus patrões, Thomas Kinnear (Paul Gross) e Nancy Montgomery (Anna Paquin). A empregada que "matou os patrões" torna-se um caso de curiosidade para muitos e de condenação para outros. Um grupo de pessoas, liderado pelo reverendo Verringer (David Cronenberg), quer o perdão para Grace. Para isso, contratam o Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft), para que possam descobrir a verdade: Grace é culpada ou inocente?

 

   A interpretação de Margeret Atwood é magistral. Grande parte do seu trabalho resulta da expressão facial e do olhar. O mesmo se aplica a Anna Paquin, de O Piano, a patroa doce, ordinária, insensível, meiga e todo um conjunto de emoções que, pelo olhar desencadeia em nós

 

   Assistimos ainda aos primeiros passos da psicoterapia e à crueldade vivida nos asilos. O lugar da mulher na sociedade é discutido, em diálogos duros. De forma nua e crua é mostrado como as mulheres eram tratadas naqueles tempos e ambientes, sem direitos, abusadas, humilhadas e abandonadas. Este é o retrato de Grace, menina mulher que mostra as consequências dos abusos sofridos desde tenra idade. Por outro lado, naqueles tempos, a mulher prisioneira e desprotegida que se deparava com homens que não sabiam reagir, a não ser pela prática de abusos físicos, psicológicos e sexuais. O desejo desencadeado por Grace no "médico da mente" levam-no a mergulhar no mundo da paciente, tornando-se duvidoso, deixando de espelhar a humildade, confidencialidade e vondade iniciais. 

 

   Embora a série vá do presente ao passado e vice-versa, a forma como a diretora filma não nos deixa perdidos ou torna a minissérie enfadonha e/ou desinteressante. Além disso, a montagem com cortes rápidos, em momentos que Grace se lembra de certos detalhes e passagens da sua vida, ajuda na criação de uma grande colcha de retalhos. Colcha essa simbólica, mas também literal. Quando concluída podemos entender quem é Grace, o que só acontece no final. Uma vez mais somos desafiados por Grace a questionarmo-nos acerca de quem é ela.

 

 

 

   Para si, que já viu a série, Grace é a assassina, cúmplice, doente, injustamente envolvida nos acontecimentos ou inocente? Nas palavras dela reside a verdade ou a capacidade de dominar os outros, mérito de uma certa dose de psicopatia?

 

   O trailer

 

 

Uma das melhores séries de 2017.

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