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[in]Sensato

Momentos [in] sensatos de reflexão, opinião e entretenimento

Do séc. XX - Já não há heróis

Música by PP

 

   Não é fácil ficar indiferente a muitos dos êxitos da década de 80. Neste caso, na sua 2.ª metade, altura em que ouvir música portuguesa deixou de ser algo fora de moda, decadente, ... 

Esta banda, In Loco, teve como principal êxito Já não há heróis, em 1987. Tal como se deu a conhecer, desapareceu do panorama musical. Uma atenção especial à letra e aos teclados.

 

 

Ainda há heróis?

 

Letra

 

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A polémica do ministro do ambiente e os carros a gasóleo

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    Dizem que o ministro do ambiente tem razão e explicam o porquê.

Todos estamos cientes das alterações climáticas que se verificam, fruto de erros do passado, da industrialização desmedida e da sede do homem pelo lucro fácil. Algumas das causas ainda persistem. A questão dos carros a diesel é a solução para o problema? Claro que não. Existem inúmeros comportamentos a adotar. De momento, sabe-se que Na Alemanha já se testa um gásoleo "limpo" que reduz as emissões de CO2 em 65%.

    O que leva Portugal a não otimizar um sistema eficaz de transportes públicos? Será porque da direita à esquerda ninguém quer saber do interior do país, pois este não dá votos? Um exemplo prático. Para percorrer 3,5 km, a minha mãe apenas tem ao dispor o serviço de táxi, cuja viagem de ida e volta pode rondar os 20€. O mesmo se aplica aos percursos destinados a peões e/ou biciletas, domados por ervas, roubados pelo alcatrão das estradas, sem qualquer atenção por parte da Câmara Municipal que... "não tem dinheiro". 

    Todo o meu 12.º ano foi realizado de bicicleta ou a pé. Nos nossos dias, aqui e ali, independentemente das escolas, proliferam os carros de pais junto às escolas, interferindo no trânsito local. Os jovens não podem viajar de autocarro. "É coisa de pobre", ao bom estilo de uma novela brasileira. Entretanto, ao nível da política dos 4R, o que tem sido feito nos diferentes municípios? A quantos km distam os pontos verdes? Relativamente à reflorestação do país, quais são as medidas que têm sido implemententadas? 

    Por vezes, a política segue caminhos insensatos, sem explicações, nem o devido contributo para a mudança de comportamentos. O poder local continua centralizado e o interior esquecido...

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O dor dos inocentes

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    Nesta semana, na SIC, foi transmitida uma reportagem de Miriam Alves sobre vítimas de violação. Infelizmente, só contemplou o género feminino, mas a temática não teve, a meu ver, o destaque merecido. Isto porque, Uma violação, é uma violação, é uma violação, é uma violação.

    Nos nossos dias, questiono o que leva alguém a violar. Tenho muita dificuldade em entender. Como pôde um psiquiatra violar uma paciente grávida, medicada e no 5.º mês de gestação? O que leva o violador de uma jovem de 23 anos a sentir prazer pelo ato cometido, em tribunal, apoiado pela esposa? Qual o prazer de uma mulher ao saber que o marido é um violador?

    Situação muito constrangedora, paralisante e socialmente discriminada (a sociedade entende que, regra geral e na maior parte dos casos, "as vítimas assediam os violadores"), não encontra na nossa Lei uma forma de sanção efetiva, para os criminosos. O tempo de apresentar queixa é de 6 meses. Ora o choque, a paralisação da vítima e a vergonha vão além deste período de tempo. Tenha-se em conta, por exemplo, casos de assédio sexual, por exemplo. Após quanto tempo conseguimos falar a este respeito em ambiente clínico? Pode demorar anos. Aliás, eu próprio já passei por tal situação, não deixando de sentir repúdio. Ao nível clínico demorei entre 8 a 10 anos, para falar a respeito. E senti um alívio...

    Retomando as situações de violação, até que ponto a vítima tem uma legislação a seu favor?

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Sex Education - o humor deambula pelos problemas da sexualidade

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    A comédia dramática Sex Education, da Netflix, que estreou a 11 de Janeiro, e que é da autoria de Laurie Nunn, retrata a vida de Otis Milburn, interpretado por Asa Butterfield. Ele, que é filho de um casal de terapeutas sexuais que se divorciaram recentemente, vive com a sua mãe, Jean (Gillian Anderson, a eterna Scully de a série “The X-Files”) cresceu a ouvir em casa, e às escondidas, as consultas da sua progenitora com os seus pacientes.

 

   Otis Milburn é um adolescente, naquela fase em que todos os jovens começam a pensar no início da sua atividade sexual, e Jean é uma terapeuta sexual, que fala abertamente com o seu filho sobre o tema, seria de esperar que Otis fosse mente aberta relativamente ao assunto. Na teoria até é, mas na prática …. No entanto, as coisas mudam de figura quando Otis conhece Maeve, papel interpretado por Emma Mackey.

 

    Em oito episódios, com uma excelente dose de humor, são abordadas temáticas da nossa adolescência e da dos outros. Algumas problemáticas referentes à sexualidade podem deixar o espetador "espantado", dado nunca ter pensado na existência das mesmas. Assim sendo, entre outros, são abordados temas como:

- os problemas, durante o coito, dos homens (rapazes) com o pénis grande;

- a dificuldade de alguns em tocarem nos seus genitais, considerando-os "nojentos";

- a virgindade de hetero e homossexuais;

- as atitudes adotadas por forma a integrar um grupo;

- os comportamentos entre grupos e a frieza que muitas vezes adotamos, durante esta etapa;

- o crescimento dos adolescentes, sem a presença dos pais;

- o reflexo dos pais nos filhos, obrigando-os à prática de atividades que não são do agrado deles;

- a masturbação;

- o sofrimento daqueles(as) que não se encontram ao mesmo nível de maturação sexual que a dos seus pares;

- as consequências, a longo prazo, de quando se assiste à cópula de um progenitor com outra pessoa;

- etc.

 

    Ingredientes mais do que suficientes para pais, adolescentes, professores e psicólogos, numa série bem contextualizada, com sequência, interpretações e roteiro muito bons e uma banda sonora, também ela magnífica, a qual acenta em músicas dos anos 80. A ver

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Um diário virtual

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Photo by JESHOOTS.com from Pexels 

 

    A elaboração de um diário não é tarefa exclusiva para crianças ou adolescentes. Quem encontra na escrita uma forma de lavar a alma e/ou de melhorar o seu interior, esta prática parece-me pertinente. 

    Atualmente, já não é necessário desperdiçar papel ou gastar dinheiro nesta prática. Assim, caso possua um computador, experimente baixar o Mini Diary. Apenas precisa de uma password. Os recursos são limitados, assim como o aspeto é todo ele minimalista. Contudo, responde às necessidades básicas. No caso do sistema operativo android, Writeaday é uma boa aposta. Colorido, com recursos, como é exemplo o Foco do Dia.

 

E você, já ponderou a escrita de um diário ou o blogue é uma forma de subtitui-lo?

 

    Em relação à utilização dos telemóveis, na Alemanha adotou-se uma medida que me parece bastante pertinente. Estes aparelhos são classificados de acordo com o grau de radiação emitida. Do estudo mais recente, resultou o documento que partilho aqui.

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Por aqui, um novo estilo

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Photo by Brigitte Tohm from Pexels

 

    Neste momento, banhado por cores algo inusitadas, sem dinâmica nem vida, é inevitável expressar o meu jubilo perante o gesto e obra artística da Gaffe

    Obrigado, pelo magnífico trabalho no visual deste meu blogue, naquilo que penso chamar-se layout

 

    Aquilo de que mais gosto? 

Sem dúvida a imagem do cabeçalho. Tão Insensata, suscetível de várias interpretações. Nunca consegui encontrar uma capaz de definir este espaço. 

 

    Uma vez mais, obrigado.

E um obrigado também a vocês, fieis seguidores e leitores. 

    Por enquanto, ainda é-me difícil escrever, visitar os vossos espaços, ler... Devagar renascerei.

    Até já!

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Terminado, ou não, um ciclo de dor ...

É altura de agradecer

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    Apesar da dor e da confusão que se instala nestes momentos, limitando as nossas capacidades, é chegado o momento de em meu nome e no da minha mãe, agradecer a todos aqueles que nos "deram a mão", durante este percurso iniciado em 2012, pautado não somente pela demência, como também por 2 cancros distintos, perdas e episódios de burnout. Por "dar a mão" entenda-se também uma palavra amiga, um sorriso, alento... E destes, fazem parte muitos de vocês, amigos da blogosfera.
 
 
    O papel dos cuidadores informais é ingrato. Dificilmente compreendido por quem nunca o exerceu e/ou desconhece as doenças mencionadas. Inclusive, injustiçado por pessoas com "formação superior". Não posso esquecer, quando certo dia, no período do intervalo da manhã, certos colegas terem proferido que também eu podia ser transmissor de cancro, como se de uma doença contagiosa se tratasse, dado os meus pais, naquela altura, em simultâneo, terem a doença. Ou quando, na mesma escola e pelos mesmos elementos, qualquer esquecimento meu era rotulado de Alzheimer. Não me peçam para gostar de tais seres desprezíveis. Porém, de nada adianta odiar a ignorância. Afinal, estes seres não refletem a imagem de quando me vejo ao espelho, a vossa, nem a de tantos outros.
 
   Como cuidadores, o cansaço psicológico instala-se, fruto das inúmeras noites não dormidas, dos medos, incertezas, dos sinais e sintomas das patologias em causa,... Um obrigado a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, tentaram aliviar a nossa dor, nesta perda recente, que na quinta-feira culminou em conduzir à sua última morada, a nossa "bebé", mãe e avó. Que a Luz vos guie e ilumine.
 
    Obrigado, aos meus antigos alunos, desde o início de carreira até aos atuais, a muitos dos auxiliares de educação/administrativos das Escolas por onde passei e amuitos dos pais/EE das minhas turmas. A alguns dos meus professores, desde o ensino básico ao superior, alguns familiares, aos nossos vizinhos e ao meu grupo de colegas de trabalho/amigos desde o meu 1.º ano de serviço (vocês sabem quem são!). No que ao corpo clínico diz respeito, obrigado à neurologista da minha avó e aos médicos de clínica geral que cuidaram de cada um de nós, aturando as nossas birras e cinzentismo. Não posso deixar de mencionar ao meu atual diretor, desde há 4 anos, o único merecedor de toda a minha consideração, pois sempre me respeitou, tratou com delicadeza e correção. Não posso deixar de mencionar todos os profissionais da "nossa" farmácia e a "nossa" solicitadora. Agradeço ainda à minha coach, da Mindcoaching, Dr.ª Filipa Ferreira. Também a todas as pessoas "comuns", que neste ou naquele momento, revelaram o quanto são bem formadas, através de gestos simbólicos ou palavras. A "formação" é interior e não aquela que se adquire nas universidades. Por isso, não podemos invalidar um "analfabeto".
 
    A missa do 7.º dia realizar-se-à na próxima sexta-feira, dia 1, às 18h, na nossa terra.
 
    A todos vós, Paz, saúde e amor.
 
Um sentido e sincero "Obrigado".
Como dos mencionados, de forma implícita ou não, alguns estão em sofrimento ou têm um ou outro ente querido em sofrimento, muita força e alento.
 

#doençadealzheimer

#cancro

#gratidão

#morte

#adeus

#pessoasdemerito

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O Mutismo da Despedida - o último capítulo

 

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II.ª parte - O capítulo final

 

     Quando à minha avó foi diagnosticada a doença de Alzheimer, ficando quase logo acamada, por problemas no sistema locomotor, dado trabalhar a 115 Km de distância, o que implicou vê-la quinzenalmente, escrevi as linhas seguintes, no blogue de então, a minha casa.

 

 

Não raramente, pensei que as despedidas pudessem acontecer dentro desta dimensão planetária. Considerava impreterível a inércia de um corpo e a viagem de uma alma entre mundos opostos, dissipados nas verborreias de uma ou outra crença capaz de em nós soltar o abraço da ténue confiança, tão relevante para a cobardia. Afinal, existem despedidas sem adeus. Despedidas encerradas num mutismo elevado ao sentido da dor. Destino ou consequência fisiológica, assim foi a sua.

 Neste outono, num dia trivial, solarengo e chuvoso como tantos outros, fez-se silêncio nas percepções do mundo real. Sem aparentar qualquer sofrimento, com o suporte do chão rochoso, eis que aquele ladrar da cadela serra da estrela sinalizou a sua localização. Caída estava, não naquele lugar, não naquele momento… Ao estender a mão ao genro, para a ajudar a levantar-se, a primeira referência: queria uma mão para com ela atravessar o rio que à sua frente corria . Um rio da sua infância, da sua terra natal. Desde então, sucessivas e constantes abordagens ao passado.

   O regresso não mais se fará.

   Quando de novo a encontrar, ainda me reconhecerá?…

Artigo da minha autoria, datado de 16/11/2011

 

     O tempo passou, entre preocupações, momentos de adaptação mútua, uma aprendizagem contínua, receios... Os apoios, orientações e ajudas foram poucos. Subitamente, com os pais, vimo-nos no papel de cuidadores informais. Mas nem sempre as ações que consideramos corretas são acompanhadas pela justiça dada pela vida.

    No ano seguinte, o cancro da minha mãe foi diagnostico seguindo-se, volvidos 372 dias, a mesma situação, desta vez, na pessoa do meu pai. Dolente e cruel, o mieloma múltiplo do meu progenitor progrediu de forma caótica, deixando-nos marcas que ainda não sararam, desde a sua partida, volvidos 4 anos. Independentemente das circunstâncias e dos momentos/etapas de vida, a minha avó sempre teve a nossa atenção e recebeu os nossos cuidados. 

     A nossa certeza, a partida não seria fruto da demência. Na verdade, o mutismo saliente e evidente fez-se sentir em dezembro. Os intestinos deixaram de funcionar, a alimentação foi feita com recurso a seringas, uma ferida surgiu na orelha, a voz perdeu a potência e na perna, uma isquémia que alastrou, de forma significativa há 4 dias. Com o coração a bater com a força de um passarinho, amputar a perna foi posto de parte. Na quarta, enquanto a minha mãe lhe colocava creme no rosto, os olhos fecharam-se. Não querendo acreditar no sucedido, fizemos diferentes palpações, julgávamos sentir o pulso inexistente, ... A sua paz chegou, levando-a por um manto que não creio negro. Em nós, a dor da saudade. Por parte da sua gata, a homenagem ficando sentada no sofá junto à dona, onde ainda hoje permanece, saindo apenas para comer ou realizar as necessidades fisiológicas. 

    Ontem, foi um dos dias mais duros da minha vida. Como foi doloroso levá-la à sua última morada. Sem rugas, já que a sua vida foi repleta de espinhos, com uns 4 cabelos brancos nos seus 91 anos, assim viajou um corpo cuja alma acredito igual. Transparentes. Debati-me perante aquela que considerei uma segunda mãe e que foi, durante anos, a nossa bébé. Não foi fácil controlar a emoção, perante os meus sentires e os da minha mãe que, agarrada a um corpo sem vida, lamentava já não ter quem cuidar, aquela que foi a Sua mãe e o facto de agora sermos dois. Sim, dois e uma gata. Do futuro, não esperamos facilidades, mas somos fortes para oferecer resistência às vicissitudes que nos forem surgindo.

     Neste momento, dada a minha dificuldade em escrever e organizar o raciocínio, partilho as palavras que utilizei pouco após a sua morte, com ligeiras adaptações. Também elas dotadas de sentimento, sem atenção a critérios ortográficos ou de outra natureza. 

 

 

"Vovó", a última forma que utilizei, por forma a reconhecer-me. Tentei-a, ao ouvir uma amiga mencionar, com carinho, a forma como é abordada pela netinha, uma vez que "avó" já nada significava para a avó E.
"Mãe", assim reconhecia (desculpem a redundância) e chamava a minha, sua filha. Agora, sou só eu e a minha mãe..
O Alzheimer não mata, mas as consequências são devastadoras. A minha avó, connosco ficou, em casa e aos nossos cuidados 7 anos e 3 meses. Rimos, choramos, desesperámos...
Agora descansa em paz.
A paz merecida por uma mulher com M, que foi mãe e pai, apesar de casada, com um homem que jamais a mereceu ou respeitou. Ela que foi das poucas pessoas que sei ter-me amado. E das que me ama...
Um obrigado a todos aqueles que, de uma forma ou de outra ,estiveram connosco, neste longo período de sofrimento, que evidencia o quanto a vida não é justa. Pelo menos, para alguns...

 

Que deus te dê o eterno descanso.

 

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