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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

02
Abr19

Uma Opinião: A Série After Life

por P. P.

After Life

     Um parecer intimista e pessoal

 

    After Life é uma série de humor negro, em 6 episódios, de 30 minutos cada. Como produtor e ator principal, o inglês Ricky Gervais.

    Nesta série recorre-se ao humor (negro), por forma a abordar temas sérios e pertinentes. Em primeiro lugar, o luto e a forma como podemos encará-lo. Pessoalmente, tive dificuldade em assistir ao 1.º episódio, dado remeter-me para o período de quatro meses após a morte do meu pai, vítima de mieloma múltiplo.
   No argumento, a personagem principal acabou de perder a mulher da sua vida para o cancro. Segue-se a outra etapa, associada ao luto, ao meu luto de então: a depressão e/ou o burnout. Todos os momentos humorísticos que abarcam os momentos desde a falta de paciência até à impulsividade, orlados pelo vocabulário e gestos questionáveis, foram, no meu caso, uma realidade difícil de ultrapassar e de forte penumbra/culpabilidade. Só que o argumentista não se ficou por aqui, ao mostrar um lado menos bom, no perfil da personalidade do psicanalista, com o que também me deparei, durante alguns episódios do meu destino. Na verdade, estes profissionais são humanos, e como tal, erram. Manter o profissionalismo sem deixar que alguns dos seus defeitos transpareçam, parece-me muito difícil.
    Na continuidade desta história, o amor abriu novos horizontes.
Já na minha…

    Os 6 episódios são preenchidos por personagens com as quais nos podemos identificar, não obedecendo a critérios estéticos dúbios.

De sinalizar que o luto é vivido (e deve ser levado a cabo) de maneira diferente, de pessoa para pessoa.  

30
Mar19

Série - Que Coisa Mais Linda

por P. P.

Que coisa mais linda

    Que Coisa mais Linda é uma série brasileira, recentemente lançada na plataforma Netflix. Com 7 episódios, Que Coisa Mais Linda é uma série que evidencia a resiliência, o preconceito, o racismo, as assimetrias, o alcoolismo, o empreendedorismo, as mães e aquelas que tentam sê-lo, no Rio de 1959. Trata-se de uma história de mulheres que ousaram enfrentar o machismo. De homens rudes e de brandos costumes e dos que com eles contrastam. Em simultâneo, o começo da Bossa Nova, um estilo musical por nós tão conhecido.

    Malu (Maria Casadevall) é o ponto de partida da trama, ao viajar para o Rio de Janeiro, no intuito de encontrar o marido e começar uma vida nova. Inesperadamente, descobre que ele fugiu com todo dinheiro que lhe pertencia. Além disso, ele estava muito individado.  Ela decide dar início a uma nova fase, sozinha, abrindo um clube dedicado à música, no local onde ela e o marido iriam abrir um restaurante. No decorrer da sua história, esta liga-se à de outras três mulheres: Lígia (Fernanda Vasconcellos), que renunciou do sonho de ser cantora para se casar ; Thereza (Mel Lisboa), uma jornalista à frente da sua época; e Adélia (Pathy Dejesus), que vive num morro e trabalha como empregada de limpeza para se sustentar e à filha.

 

 

     Em meu entender, esta é uma série para ser vista por pais e filhos, no intuito de alertá-los para as diferenças de género e para a violência doméstica. Apesar de indicada para maiores de 16 anos, alunos do 2.º CEB já conseguem acompanhá-la e entendé--la, sobretudo se orientados. Escusado será dizer que defendo a Educação para os Afetos. Nesta obra, a violência doméstica é apresentada de forma real e contextualizada

 

    No atinente a aspetos específicos, os figurinos, os cenários, o desempenho dos atores e a história são excelentes. Sem dúvida que esta é uma das minhas séries do ano. No último episódio, um final inesperado, o qual deixa em aberto a probabilidade de uma 2.ª temporada. Veja o trailer aqui.

26
Mar19

O Cais - a série sensual e misteriosa dos autores de A Casa de Papel

por P. P.

    O Cais (El Embarcadero) é uma série espanhola, em 8 episódios, dos autores de A Casa de Papel, disponivel na HBO Portugal. Momentos de suspence adoçados por muita sensualidade. A minha série preferida dos últimos tempos.

 

    As mais valias desta série, na sua primeira temporada, são: o magnífico casting, a luz, produção, realização, argumento, banda sonora, desempenho dos atores e figurinos. Como personagens principais, o nosso conhecido Álvaro Morte, o Professor de A Casa de Papel, Verónica Sánchez e Irene Arcos. 

 

El Embarcadero T1

 

    Em Valência, Oscar, um economista, aparece morto dentro da sua viatura. Ao que tudo indica, um caso de suicídio. Alejandra, sua esposa, é chamada a meio da noite, no intuito de reconhecer o corpo, daquele que julgava em Frankfurt, a trabalho. Mas, podemos viver junto de alguém que realmente não conhecemos, ao contrário daquilo que pensávamos? Assim sucede em O Cais. Oscar tinha uma amante, Veronica, com quem vivia como se casado, a menos de 50 km da sua residência como Alejandra, uma arquiteta em ascensão. 

    Na tentativa de descobrir o que aconteceu ao marido, a esposa depara-se com várias realidades e vertentes, daquele que foi o seu marido, numa relação de 8 anos. A primeira descoberta vai ao encontro de "a outra" e tudo culmina no branqueamento de capitais.

 

    A série levanta questões pouco frequentes no cinema ou em séries. Valeria recordou-me a personagem Gabriela, de Jorge Amado. Toda ela é sensualidade, amante do amor livre, da simplicidade e desprendida dos bens materiais e financeiros. Alguns dos tópicos a refletir sobre esta série são: o poli-amor, sexo vs amor, vidas opostas e duplas, a liberdade, a natureza e a saúde, a vida desconcertante nos nossos dias, o luto ...

 

    Esteja preparado para emoções e pensar a respeito de alguns preconceitos sociais/ formas de estar e ser. Deixo-lhe o trailer, aguardando o seu feedback.

 

 

 

 

 

 

 

01
Mar19

Viver sem Permissão

por P. P.

Vivir sin Permisso

 

    A demência, quando diagnosticada atempadamente, possibilita alguns anos com qualidade de vida, ao seu portador.  Esta fase pode marcar uma reflexão profunda a respeito dos erros de uma vida. O doente, tem o direito de ocultar o seu estado à família e amigos, embora este não me pareça o melhor caminho.

 

    Em Vivir Sin Permisso, série espanhola, da Telecinco, filmada na Galiza, o clã do narcotráfico, Nemo Bandeira, ao deparar-se com o diagnóstico de Doença de Alzheimer, logo dá início à procura de um sucessor.  Entre os filhos e o afilhado a escolha não parece fácil. Há ainda uma filha bastarda, fruto do seu único e grande amor - o primeiro. Esta, não habituada a uma vida de luxo e refutando muitas das ofertas do pai, mantém uma relação muito boa com o seu meio-irmão, homossexual e drogado. Por outro lado, a assertividade que lhe assiste, serve de referência ao pai e aos erros cometidos no passado. Doente, apercebe-se que não devia ter deixado o seu grande amor e que o dinheiro de nada serve, quando não se constrói uma família com laços. A inveja e a ambição são capazes de transformar algumas pessoas, tornando-as assassinas. O mesmo se passa com o desejo de vingança...

 

    Com um elenco de luxo, cenários magníficos e belezas naturais encantadoras, o argumento somente falha um pouco, no início, no que concerne às especificidades da doença de Alzheimer. De resto, os episódios deixam-nos sedentos de continuar a acompanhar a história, que não se esgota nem repete. Quando os seus direitos foram adquiridos pela Netflix, já a 2.ª temporada desta série estava prevista. 

 

    Uma série imperdível, como pode ver no trailer

18
Fev19

The Deuce - da prostituição ao mundo da pornografia

por P. P.

the-deuce-temporada 1

 

     No início da década de 70, nos EUA, a prostituição ilustrava a lendária rua 42, de Times Square, também conhecida por The Deuce. Sexo, drogas e violência conviviam entre si, enquanto a indústria pornográfica emergia. The Deuce é uma série acerca destas realidades, disponível na HBO Portugal, nas suas duas temporadas, estando já prevista a terceira. Assim sendo, a 1.ª temporada contempla os anos 71 e 72 e é aquela sobre a qual me debruço, neste texto. Por outro lado, a 2.ª temporada, reflete o espaço entre 1977 e 1980.

 

    Esta não é uma série para todos. Não é recomendável a menores de 18 anos, pessoas impressionáveis ou com a mente menos aberta. Com um excelente elenco, cenários, figurinos, luz, banda sonora e adereços, aqui o sexo parece, em muitos casos, real, assim como a violência. A relação entre os chulos e as prostitutas encontra-se bem evidente, tal como as dependências e a violência no seu todo. 

    No intuito de fugir aos chulos, na procura de novas oportunidades ou como parte integrante da violência por estes exercida, algumas das prostitutas de então deparam-se com uma indústria desconhecida, na qual, de início, apenas tinham de gravar atos sexuais, sem áudio nem rostos expostos. Entretanto, estas faces começaram a ser expostas, gerando-se conflitos familiares. Mas esta indústria protegia as mulheres da violência das ruas...

    Duas personagens, uma estudante e uma escritora, deambulam neste mundo, no intuito de compreender a submissão feminina. Mergulhamos ainda num mundo em que a homossexualidade era considerada doença mental, de acordo com a DSM, e à mudança do conceito, aumentando a liberdade e à exploração de ambos os sexos. Veja o trailer seguindo a hiperligação.

 

Nota 9 em 10 

13
Fev19

Os Vizinhos - 1.ª temporada - os Indutores da nossa Vida podem estar tão Perto

por P. P.

Nieuwe-Buren I- Os Vizinhos T1

 


    Os Vizinhos ou Nieuwe Buren, aqui na sua 1.ª temporada (cf. a hiperligação) é uma série holandesa, que está disponível na plataforma Prime Video, nas suas duas temporadas.


    Um argumento fantástico, para uma produção e elenco à altura. Esta série dramática, facilmente adquire tons de erotismo e thriller. Aliás, tudo começa com uma criança, a brincar no jardim com um palhaço, segredando-lhe não poder regressar a casa. Isto porque, os pais estão a discutir com os vizinhos. Nada escutando, o palhaço aproxima-se da varanda e vê a cortina manchada de sangue, assim como o esboço de uma mão ensanguentada no vidro. Num ápice, a série regressa ao passado, no momento em que um casal procura uma casa para viver com a vinda da 1.ª filha. Como o bairro parece muito familiar compram uma das casas, envolvendo-se, de forma diferente, com os vizinhos.


    Alguns dos primeiros episódios podem dar a ideia de uma série lenta, mas tal não acontece. Estamos a ser preparados para uma dose de sensualidade e suspense intenso. Dos pontos inesperados e pouco abordados em séries e filmes, são retratados através da deficiência hereditária, dado o gene dominante de um dos progenitores e a doença incapacitante na velhice. Neste, o desejo e a inversão de papéis, no que ao mais capacitado diz respeito. A vingança e a maldade humana, que se pode esconder no mais etéreo dos seres humanos.


    Nesta primeira temporada são abordados alguns dos seguintes assuntos: relacionamentos abertos, a prática de swing, a sexualidade na 3.ª idade, a traição, o fio ténue da confiança, a discriminação em contexto escolar, em função das práticas dos pais, a terapia de casal, a deficiência hereditirária, a infertilidade, a religião, as toxicodependências, a falsa inocência e a sociedade de aparências.


     Os episódios finais são simplesmente contagiantes. Torna-se difícil abandonar a série por poucos minutos que seja. Afinal, tudo começou com evidências que podem ou não corresponder à realidade. Alguém morre? Em caso de vítimas, quantas são? Quem são os prováveis assassinos?

    Embora se trate de uma série aconselhada para maiores de 16 anos, não me parece recomendável a pessoas mais sensíveis. Um ponto a ter em atenção, nada do que é abordado é fantasia.

 

#theneighbors #nieuweburen #osvizinhos #primevideo #rtl4

31
Jan19

Sex Education - o humor deambula pelos problemas da sexualidade

por P. P.

Sex-Education

 

    A comédia dramática Sex Education, da Netflix, que estreou a 11 de Janeiro, e que é da autoria de Laurie Nunn, retrata a vida de Otis Milburn, interpretado por Asa Butterfield. Ele, que é filho de um casal de terapeutas sexuais que se divorciaram recentemente, vive com a sua mãe, Jean (Gillian Anderson, a eterna Scully de a série “The X-Files”) cresceu a ouvir em casa, e às escondidas, as consultas da sua progenitora com os seus pacientes.

 

   Otis Milburn é um adolescente, naquela fase em que todos os jovens começam a pensar no início da sua atividade sexual, e Jean é uma terapeuta sexual, que fala abertamente com o seu filho sobre o tema, seria de esperar que Otis fosse mente aberta relativamente ao assunto. Na teoria até é, mas na prática …. No entanto, as coisas mudam de figura quando Otis conhece Maeve, papel interpretado por Emma Mackey.

 

    Em oito episódios, com uma excelente dose de humor, são abordadas temáticas da nossa adolescência e da dos outros. Algumas problemáticas referentes à sexualidade podem deixar o espetador "espantado", dado nunca ter pensado na existência das mesmas. Assim sendo, entre outros, são abordados temas como:

- os problemas, durante o coito, dos homens (rapazes) com o pénis grande;

- a dificuldade de alguns em tocarem nos seus genitais, considerando-os "nojentos";

- a virgindade de hetero e homossexuais;

- as atitudes adotadas por forma a integrar um grupo;

- os comportamentos entre grupos e a frieza que muitas vezes adotamos, durante esta etapa;

- o crescimento dos adolescentes, sem a presença dos pais;

- o reflexo dos pais nos filhos, obrigando-os à prática de atividades que não são do agrado deles;

- a masturbação;

- o sofrimento daqueles(as) que não se encontram ao mesmo nível de maturação sexual que a dos seus pares;

- as consequências, a longo prazo, de quando se assiste à cópula de um progenitor com outra pessoa;

- etc.

 

    Ingredientes mais do que suficientes para pais, adolescentes, professores e psicólogos, numa série bem contextualizada, com sequência, interpretações e roteiro muito bons e uma banda sonora, também ela magnífica, a qual acenta em músicas dos anos 80. A ver

19
Jan19

Dogs of Berlim - o submundo numa das maiores cidades europeias

por P. P.

Dogs of Berlin S1

 

    Dogs of Berlim ("Cães de Berlim", na tradução à letra) é a 2.ª produção alemã da Netflix. Em 10 episódios, de cerca de 1h, a violência que se observa em algumas das diferentes cidades europeias, num drama policial, sem heróis perfeitos. O papel da segurança social, a luta pela sobrevivência, a inclusão de jovens reclusos no meio de trabalho, a luta entre diferentes nacionalidades, uma cidade multicultural e racial, os neonazis, o racismo, o lado escuro do mundo do futebol, a ilegalidade das casas de apostas e as lutas entre gangues são alguns dos aspetos abordados. Motivos mais do que suficientes para uma reflexão sociológica e o que se passa no nosso país. 

 

    Tudo começa com um jogador da seleção alemã, de origem turca, que aparece assassinado, e sem algumas falanges que foram... comidas pelo seu cão.

 

     Do elenco fazem parte Feliz Kramer e Fahri Yardim, que interpretam os papéis dos dois polícias pouco convencionais na capital alemã. E ainda,  Katharina SchüttlerAnna Maria MüheKatrin SassHannah Herzsprung, Antonio WannekMišel MatičevićJasna Fritzi Bauer e Constantin von Jascheroff. Um corpo de atores capaz de dar resposta às exigências desta série, com um argumento bastante bom, luz e fotografia. Para os mais preconceituosos, tal como na vida real, o nu frontal está presente. Dogs of Berlin conta-nos a história de dois detetives com personalidades diferentes. Um deles mantém conexões com um lado do mundo do crime... Contrariados, veem-se obrigados a formar uma equipa e a trabalhar, conjuntamente, no submundo da capital alemã. O desafio que se lhes põe vai obrigá-los a confrontarem as suas fraquezas humanas e as atividades criminosas. Surge um dilema: afinal, de que lado da lei estão?

 

    No nosso país, esta série é aconselhada a maiores de 16 anos. Contudo, parece-me necessário atender às características do adolescente. Deixo-lhe o trailer.

 

 

 

 

 

 

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