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Momentos [in] sensatos de reflexão, opinião e entretenimento

A depressão nos jovens em Malhação - Vidas Brasileiras

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   As formações que tenho vindo a fazer e um problema de saúde nas duas últimas semanas impediram-me de acompanhar Malhação Vidas Brasileiras, no Canal Globo.

   Foi com grande agrado e satisfação que, nesta sexta-feira, no episódio da manhã, constatei a abordagem da depressão na adolescência, consequências no relacionamento com os outros e aceitação pelos pares e medicação. Se no caso dos adultos, nos nossos dias, fazer a medicação entre pares é complicado, imagine-se o caso das crianças ou adolescentes. Sim, a depressão também abraça crianças, pelo que todos os sinais e sintomas não devem ser descurados.

 

 

   Quase a chegar uma nova edição de Morangos com Açúcar, série portuguesa, da TVI, que sempre detestei e nunca acompanhei, limitando-me a assistir à influência negativa que exerceu nos nossos jovens, sobretudo nas suas primeiras temporadas, espero que, desta vez, se constate a abordagem de temáticas relevantes, com atores de diferentes raças, bonitos,feios... Em suma, que retrate a realidade, à semelhança do que acontece em Vidas Brasileiras. Uma novela, mesmo juvenil, modela comportamentos e pode induzir aprendizagens. Por outro lado, as ilusões geradas não são favoráveis. 

 

   A ilustração que se segue, infelizmente corresponde a uma realidade que muitas vezes se observa nas aulas de ciências da natureza. Mais tarde, abordarei este tema.

 

Na sala de aula de ciências

 

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Eliminar o 2.º Ciclo para reduzir o número de retenções nas nossas Escolas?

 

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Photo by Joanna Kosinska on Unsplash

 

   Ainda estou atónito após a leitura do artigo de Alexandra Inácio, na secção Educação, do Jornal de Notícias, com o título "Proposta eliminação do 2.º ciclo para reduzir número de chumbos", atualizado às 00.29 p.m. Curiosamente, esta notícia e concomitante estudo do Conselho Nacional de Educação, no relatório Estado da Educação 2017, aborda o envelhecimento da classe docente. Qual a relação entre o 2.º CEB (Ciclo do Ensino Básico) e o envelhecimento da classe docente?

 

 

"Tendo em conta o envelhecimento da população docente e a redução na procura dos cursos de formação de professores, urge fazer e divulgar rapidamente um estudo da necessidade de novos professores para os diversos grupos de recrutamento", lê-se no documento que será hoje aprovado pelos conselheiros. 

(...) Comparativamente com os outros estados membros da União Europeia só a Grécia tem menos professores com menos de 30 anos do que Portugal. A somar a este cenário nunca houve tão poucos candidatos a cursos de Educação Básica. Este ano letivo, após as três fases do concurso nacional de acesso, num total de 21 licenciaturas em 12 ingressaram menos de dez estudantes. O Politécnico da Guarda não recebeu nenhum aluno e no de Portalegre apenas entrou um.

Cf. a notícia referida

 

   Ainda de acordo com o noticiado por Alexandra Inácio, Maria Emília Brederode Santos, a eliminação do 2.º CEB facilitaria a transição entre ciclos e reduziria os níveis de retenção, ainda elevados. "Um ano para entrar, outro para sair" - é assim que é definido o 2.º ciclo, composto pelo 5.º e 6.º anos, sem que Maria Emília Brederode Santos assuma uma nova fórmula.

 

   O 2.ºCEB foi criado com o intuito de preparar os alunos para os ciclos seguintes (antigo unificado e secundário). A metodologia de ensino, as práticas de avaliação e o envolvimento com a comunidade educativa é idêntica à dos Ciclos precedentes, quebrando barreiras com o importantíssimo 1.º CEB. Não será importante apurar quais as causas do insucesso apontado e clarificar o que se entende pelo mesmo? A autora refere "Apesar dos níveis de reprovação terem atingido mínimos históricos ainda são um problema. (...) E em Portugal, quem mais chumba são alunos de estratos sociais, económicos e culturais abaixo da média. O que leva a presidente do CNE a defender que o sistema "ainda é discriminatório".

 

   Esta constatação não se verifica nos restantes níveis de ensino? De novo, em contradição ou sem qualquer sentido "A taxa de retenção no 2.º ano (primeiro em que é possível reprovar) foi em 2016/2017 de 7,4%, a segunda mais alta do Ensino Básico, só superada pelos chumbos no 7.º ano (11,4%)". Imaginem-se os resultados no 7.º ano sem a preparação levada a cabo durante o 2.ºCEB.

 

   Os professores do 2.ºCEB têm preparação específica para trabalhar com os níveis etários em causa, facilitando a transição entre ciclos. Preocupados que estão, os estudiosos "de gabinete", com o envelhecimento da classe docente, qual o destino pretendido para os docentes do 2.ºCEB? Que estes preencham as vagas nas Escolas Superiores e Universidades, por forma a dar trabalho aos professores universitários, incumbidos da formação de professores, mas sem alunos nos dias que correm? Tal já se verificou, em muitos casos, relativamente à aquisição de competências para lecionar inglês no 1.ºCEB.

Quais são as reais preocupações dos "inovadores" para com as aprendizagens dos discentes e concomitante preparação para a vida ativa, preconizadas no Perfil do Aluno à Saída do Ensino Básico? Qual o investimento na educação? 

   Sejamos francos, há muito entendemos que é apanágio deste governo e anteriores a transição dos alunos de forma facilitista. Há muito que os professores e pais empenhados entenderam-o. Entretanto, nada se fala a respeito de alterações curriculares. Desajustados dos interesses e nível etário dos alunos, insiste-se no erro. Não tivessem estes resultado do trabalho de muitos "estudiosos". Sempre os tais, claro. Aqueles de "gabinete". Resta perguntar, que futuro? Que país?

 

 

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Os alunos na sala de aula

    Curriculos desajustados aos diferentes níveis etários, falta de horas para brincar e socializar, elevado número de horas na Escola, ausência de regras, hiperatividade e falta de educação são alguns dos motivos conducentes aos comportamentos registados na imagem.

 

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   Até à data, felizmente, ainda não assisti ao "em 180º", "em cascata", "50/50", "tenda", "salva-vidas" e "estilo toalha usada", mas...

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Ser Professor por João Pedro Mésseder

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Ser professor,

Se não houvesse espelhar de olhos no primeiro dia de aulas, ser professor não seria um sonho.


Se um fio de beleza não pudesse soltar-se daqueles dedos, daquelas vozes cantoras, daqueles corpos em movimento, ser professor não seria um sonho.


Se nunca um verso ganhasse asas no fresco dos seus lábios, ser professor não seria um sonho.


Se um livro, uma pintura, um ambiente virtual ou um filme não abrissem uma porta até então fechada, ser professor não seria um sonho.


Se o tédio não pudesse emagrecer, ser professor não seria um sonho.


Se o saber não construísse pessoas melhores, ser professor não seria um sonho.


Se Arte e Jogo, Língua e Ciência não pudessem ser nomes próprios, nobres palavras, ser professor não seria um sonho.


Se um certo olhar não sorrisse ao conseguir ler pela primeira vez uma frase, fazer uma descoberta, resolver um problema, ser professor não seria um sonho.


Se um rosto não se iluminasse ao ouvir “muito bem!”, “está bem visto!”, “um passe perfeito!”, ser professor não seria um sonho.


Se uma mão negra e outra branca e outra morena não pudessem tocar-se, ser professor não seria um sonho.


Se várias cabeças não conseguissem pensar melhor do que uma, ser professor não seria um sonho.


Se o silêncio e o asseio, a sobriedade e a ordem não pudessem ser aprendidos, ser professor não seria um sonho.


Se o medo e a violência, a solidão e a pobreza não pudessem ser combatidos, ser professor não seria um sonho.


Se justiça e democracia, fraternidade e autoridade não pudessem ser aprendidas, ser professor não seria um sonho.


Se na escola não pudesse germinar a paz e a entreajuda, em vez da competição, ser professor não seria um sonho.


Se a escola não ajudasse a reordenar o mundo, ser professor não seria um sonho.


Se a inteligência não pudesse guiar o sonho, se este não pudesse guiar a inteligência, ser professor não seria um sonho.


Quando nas lides te iniciaste, ser professor tinha a forma de um sonho? Se não tinha, o tempo deu-lhe essa forma. Para muitos, ser professor é tornar real um sonho. O de ajudar a crescer, a fazer do mundo um lugar melhor para se viver.


E não há ofensas, nem indignidades – provindas de efémeros poderes –, nem rankings, nem propagandas capazes de matar esse sonho.


Nem distâncias, nem sacrifícios, nem desassossego, nem noites em claro…


Sem vozes de crianças e jovens à tua volta, sem humana relação, ser professor não seria um sonho.



João Pedro Mésseder, no Dia do Professor 2018

Leya Editora

 

Pode ainda ler:

World Teacher's Day 2018 - Internacional Conference

 

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Um passo na educação inclusiva

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   O atual decreto-lei 54/2018 cessa o rótulo de "necessidades educativas especiais" (NEE), dando lugar a uma Escola que procura dar resposta a todos os alunos, independentemente da dimensão das dificuldades/potencialidades. Também o recurso à CIF, quantas vezes dúbio, deixou de ter a importância e relevância do decreto anterior. 

   Atualmente, as medidas a aplicar são três, divididas cada uma delas, em outras específicas: as universais (diferenciação pedagógica, acomodações curriculares, enriquecimento curricular, promoção do comportamento pró-social e a intervenção com foco académico ou comportamental em pequenos grupos), as seletivas (percursos curriculares diferenciados, adaptações curriculares não significativas, apoio psicopedagógico, antecipação e reforço das aprendizagens e o apoio tutorial) e adicionais (frequência do ano escolar por disciplinas, adaptações curriculares significativas, PIT, metodologia e estratégias de ensino estruturado e o desenvolvimento de competências de autonomia pessoal e social). 

   O envolvimento dos pais/EE e do aluno adquiriram maior relevância, durante toda a sequêncialização do processo. Isto é,  a definição das medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão é realizada pelos docentes, ouvidos os pais ou encarregados de educação e outros técnicos que intervém diretamente com o aluno.

 

   O esquema seguinte (Pereira, F. et al, 2018, p. 29), apresenta  uma síntese das medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão-níveis de intervenção. 

 

 Medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão-níveis de intervenção

 

   Dado considerar que alguns materiais são exclusivos para os professores e membros das equipas envolvidas, a partilha dos mesmos não é, em meu entender, uma  prática profissional correta, ainda que acessíveis (e muito bem!) nos diferentes portais do Ministério da Educação. Desta forma, de seguida deixo-vos o decreto-lei em causa.

 

 

 

 

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Calendários Escolares 2018-2019

 

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   Eis-nos em setembro.

O mês do reinicio das aulas, da mudança, de um renascer que se quer luminoso.

Por forma a facilitar a atividade dos pais/EE, professores e alunos partilho dois modelos de calendários escolares. Um deles, adaptado do Portalmath, utilizo sobretudo para que os discentes registem os momentos de avaliação.

Espero que esta partilha seja-vos útil. 

Para aceder aos documentos, clique nas hiperligações.

 

Calendario-Escolar-2018-19-Mapa.xlsx

 

Calendário-Escolar-2018-2019 completo.xlsx

 

 

 

 

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As Escolas e as Autarquias

  

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   No passado dia 16 foi publicada a Lei 50 de 2018. Nela é feita a transferência de competências para as autarquias locais e para as entidades intermunicipais, tendo por base a concretização dos princípios da subsidiariedade, da descentralização administrativa e da autonomia do poder local.

 

   Esta descentralização, além de repentina, lançada em pleno mês de agosto, parece-me contribuir para eventuais desigualdades, em função da valorização da Educação, por parte das Autarquias. A Educação também é feita com base no recurso de materiais essenciais facilitadores e motivadores do processo de ensino/aprendizagem; por exemplo. Por outro lado, a pouco e pouco, num país que tem vindo a revelar-se cada vez mais corrupto, caminhamos rumo a um maior número de "padrinhos", "lambe-botas" e da bajulação. Perseguições políticas e/ou de mentalidades adivinham-se. 

 

Confira a Lei em causa.

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