Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

29
Mar19

Quando barbudo, uma Presença de Luxo

por P. P.

PP em tempos de barba

 

    Infelizmente, como já referi, em artigos anteriores, vivo numa cidade do centro norte do país, sem vitalidade, de parcos recursos, em diferentes contextos. Como tal, muitas vezes recorro às lojas de vendas online

 

    No ano passado, após os incêndios que nortearam a região, cobrindo-a por um manto escuro, procurei mudar algo no meu exterior, já que o meu interior parecia imutável. Como tal, pela primeira vez, usei barba. Simultaneamente, adquiri alguns dos produtos essenciais, e mais tarde outros, cuja importância desconhecia. Na Presença de Luxo, comprei alguns elementos que me fizeram viajar no tempo, tais como, a taça de barbear e o pincel, peças que ainda hoje, já sem barba, utilizo. Entretanto, não esquecer um essencial, nem sempre fácil de encontrar, a barra homeostática.

 

    De referir que esta loja disponibiliza artigos profissionais. Como desvantagem, os portes. Porém, são gratuitos, numa compra, a partir de €60.

 

"Erros meus/ Má fortuna"

Uma alteração de "estilo" ajuda a ultrapassar momentos menos bons?

25
Mar19

Hoje ouvi a tua voz

por P. P.

Hoje, ouvi a tua voz

Frágil e ternurenta

Num grito de luta e resistência.

 

Hoje ouvi a tua voz

Num momento tácito

Acompanhado pela saudade.

 

Hoje ouvi a tua voz

num eco eterno

Como naquele último abraço.

 

Hoje ouvi a tua voz

No deambular daquela lágrima quente

Tamanho é o rio dolente.

 

Hoje ouvi a tua voz

Em sofrimento

Assim como o vento

Naquele adeus sem tento.

 

Hoje ouvi a tua voz

Aquela que há três meses

de forma atroz

evaporou e

Não mais voltou.

 

Hoje ouvi a tua voz

Doce e sem nós

No mistério do nosso olá

Avó.

 

IMG_20190315_193535_065 by PP

 

Texto e fotografia por PP, no dia 23 de março de 2019

20
Fev19

II Anos deste blogue Insensato

por P. P.

background-balloons-birthday-1415557

Photo by rawpixel.com from Pexels 

 

    Sem pretenções, indeciso entre o charco e a plataforma das palavras, por aqui permaneço há 2 anos. Ao contrário de alguns, não recorro a bandeiras ou rótulos, por forma a cativar leitores. Sou como sou e, sobretudo "Eu sou eu e as minhas circunstâncias", como nos refere o filósofo Ortega y Gasset. 

    O futuro é incerto, mas devo agradecer as amizades que por aqui tenho criado. Não posso esquecer, o que tenho aprendido e aquilo que têm-me possibilitado aprender. Só assim podemos evoluír. O meu profundo agradecimento.

Mais inusitado ainda, foi aqui e nas minhas duas redes sociais que tenho encontrado algum apoio e conforto neste momento de profundo vazio, o qual não sei de devo designar por "luto", "estado depressivo", "desgaste"... O contrário do que sucedeu em meio laboral. Ainda recordo, no corredor, aquele beijo desprovido de tudo e as palavras que não ouvi, desmoronando a minha curta esperança em estar errado.

    Neste Insensato, as palavras, por vezes duras e agrestres, não escondem falsas subtilezas ou pensamentos. Aqui, há extremos, com lugar à assertividade. 

    Muitas vezes considero-me um bloguista pouco amado (sei que o sou nesta plataforma!), sem resposta a diferentes solicitações, mas a frontalidade acarreta desvantagens. Curiosamente, até há poucos anos atrás, não sabia escrever sobre um filme ou uma série. Esta não era a minha zona de conforto.

    Não sei se por aqui continuarei.

Na verdade, neste momento, nem o sentido da vida e a minha missão consigo discernir e esmiuçar dos respetivos antónimos. No entanto, obrigado pela vossa presença.

19
Fev19

Dos Telemóveis de Conan Osiris aos fragmentos da vida

por P. P.

Conan Osiris - 1.ª semifinal do festival da canção PT

 

      Não, não parti o meu telemóvel. Tenho em conta os dispêndios económicos. Afinal agora somos apenas dois, e de pouco adianta utilizá-lo para "comunicar com o céu", que de mim tem roubado entes queridos, privilegiando assim, a solidão que me sitia. Entre "quem mata quem/ quem mata quem", sem dúvida a saudade e o profundo vazio. Estes lançam "flechas" rumo à minha inquietude.

 

    Pouco importa a confusão na classificação das palavras, quanto ao número, no título e no corpo do poema, naquele "E eu vou estragar o telemóvel / Quero viver e escangalhar o telemóvel". Por vezes, apetece-me sim, esmiuçar pequenas variáveis da vida, aquelas que não entendo e ao invés de "destruir", urge reparar fragmentos de um passado perdido.

    Em mim, à semelhança da dança no videoclipe do candidato, ainda não definitivo, a representar Portugal na Eurovisão, a qual conheci numa Caneca de Letras, o receio das memórias perdidas, que deambulam no abismo das noites de insónia.

    "E se a vida ligar/ Se a vida mandar mensagem/ Se ela não parar/ E tu não tiveres coragem de atender", terei de admitir que discordo perante "Tu já sabes o que é que vai acontecer". Na verdade, pelas gavetas do meu passado e no presente, a máscara de Conan Osiris, usada durante a performance, ostenta em mim o sentido inóspito e temporal do meu caminho.

 

    Sim, eu sei "E se eu partir o telemóvel/ Eu só parto aquilo que é meu/ Tou p'ra ver se a saudade morre/ Vai na volta quem morre sou eu", mas o que nos é roubado nem sempre regressa. Não creio que "Eu sei que a saudade tá morta/ Quem mandou a flecha fui eu", uma vez que esta só se conhece, na sua plenitude, quando perdemos quem faz parte de nós, quem partilha um mesmo código genético ou de outra ordem.

 

Este texto resulta de pedaços da letra de Telemóveis e momentos meus.

 

Caso queira conhecer um pouco melhor Conan Osiris, veja a entrevista no Elefante de Letras.

"Oh pah!..."

 

 

25
Jan19

O Mutismo da Despedida - o último capítulo

por P. P.

 

pexels-photo-208315.jpeg

II.ª parte - O capítulo final

 

     Quando à minha avó foi diagnosticada a doença de Alzheimer, ficando quase logo acamada, por problemas no sistema locomotor, dado trabalhar a 115 Km de distância, o que implicou vê-la quinzenalmente, escrevi as linhas seguintes, no blogue de então, a minha casa.

 

 

Não raramente, pensei que as despedidas pudessem acontecer dentro desta dimensão planetária. Considerava impreterível a inércia de um corpo e a viagem de uma alma entre mundos opostos, dissipados nas verborreias de uma ou outra crença capaz de em nós soltar o abraço da ténue confiança, tão relevante para a cobardia. Afinal, existem despedidas sem adeus. Despedidas encerradas num mutismo elevado ao sentido da dor. Destino ou consequência fisiológica, assim foi a sua.

 Neste outono, num dia trivial, solarengo e chuvoso como tantos outros, fez-se silêncio nas percepções do mundo real. Sem aparentar qualquer sofrimento, com o suporte do chão rochoso, eis que aquele ladrar da cadela serra da estrela sinalizou a sua localização. Caída estava, não naquele lugar, não naquele momento… Ao estender a mão ao genro, para a ajudar a levantar-se, a primeira referência: queria uma mão para com ela atravessar o rio que à sua frente corria . Um rio da sua infância, da sua terra natal. Desde então, sucessivas e constantes abordagens ao passado.

   O regresso não mais se fará.

   Quando de novo a encontrar, ainda me reconhecerá?…

Artigo da minha autoria, datado de 16/11/2011

 

     O tempo passou, entre preocupações, momentos de adaptação mútua, uma aprendizagem contínua, receios... Os apoios, orientações e ajudas foram poucos. Subitamente, com os pais, vimo-nos no papel de cuidadores informais. Mas nem sempre as ações que consideramos corretas são acompanhadas pela justiça dada pela vida.

    No ano seguinte, o cancro da minha mãe foi diagnostico seguindo-se, volvidos 372 dias, a mesma situação, desta vez, na pessoa do meu pai. Dolente e cruel, o mieloma múltiplo do meu progenitor progrediu de forma caótica, deixando-nos marcas que ainda não sararam, desde a sua partida, volvidos 4 anos. Independentemente das circunstâncias e dos momentos/etapas de vida, a minha avó sempre teve a nossa atenção e recebeu os nossos cuidados. 

     A nossa certeza, a partida não seria fruto da demência. Na verdade, o mutismo saliente e evidente fez-se sentir em dezembro. Os intestinos deixaram de funcionar, a alimentação foi feita com recurso a seringas, uma ferida surgiu na orelha, a voz perdeu a potência e na perna, uma isquémia que alastrou, de forma significativa há 4 dias. Com o coração a bater com a força de um passarinho, amputar a perna foi posto de parte. Na quarta, enquanto a minha mãe lhe colocava creme no rosto, os olhos fecharam-se. Não querendo acreditar no sucedido, fizemos diferentes palpações, julgávamos sentir o pulso inexistente, ... A sua paz chegou, levando-a por um manto que não creio negro. Em nós, a dor da saudade. Por parte da sua gata, a homenagem ficando sentada no sofá junto à dona, onde ainda hoje permanece, saindo apenas para comer ou realizar as necessidades fisiológicas. 

    Ontem, foi um dos dias mais duros da minha vida. Como foi doloroso levá-la à sua última morada. Sem rugas, já que a sua vida foi repleta de espinhos, com uns 4 cabelos brancos nos seus 91 anos, assim viajou um corpo cuja alma acredito igual. Transparentes. Debati-me perante aquela que considerei uma segunda mãe e que foi, durante anos, a nossa bébé. Não foi fácil controlar a emoção, perante os meus sentires e os da minha mãe que, agarrada a um corpo sem vida, lamentava já não ter quem cuidar, aquela que foi a Sua mãe e o facto de agora sermos dois. Sim, dois e uma gata. Do futuro, não esperamos facilidades, mas somos fortes para oferecer resistência às vicissitudes que nos forem surgindo.

     Neste momento, dada a minha dificuldade em escrever e organizar o raciocínio, partilho as palavras que utilizei pouco após a sua morte, com ligeiras adaptações. Também elas dotadas de sentimento, sem atenção a critérios ortográficos ou de outra natureza. 

 

 

"Vovó", a última forma que utilizei, por forma a reconhecer-me. Tentei-a, ao ouvir uma amiga mencionar, com carinho, a forma como é abordada pela netinha, uma vez que "avó" já nada significava para a avó E.
"Mãe", assim reconhecia (desculpem a redundância) e chamava a minha, sua filha. Agora, sou só eu e a minha mãe..
O Alzheimer não mata, mas as consequências são devastadoras. A minha avó, connosco ficou, em casa e aos nossos cuidados 7 anos e 3 meses. Rimos, choramos, desesperámos...
Agora descansa em paz.
A paz merecida por uma mulher com M, que foi mãe e pai, apesar de casada, com um homem que jamais a mereceu ou respeitou. Ela que foi das poucas pessoas que sei ter-me amado. E das que me ama...
Um obrigado a todos aqueles que, de uma forma ou de outra ,estiveram connosco, neste longo período de sofrimento, que evidencia o quanto a vida não é justa. Pelo menos, para alguns...

 

Que deus te dê o eterno descanso.

 

03
Jul18

Naquele Inverno, Naquele Inferno

por P. P.

 

monumento de homenagem aos combatentes do ultramar by PP

 Monumento de homenagem aos ex-combatentes na Guerra do Ultramar, Santa Comba Dão, por PP

 

   A Guerra do Ultramar é uns dos momentos que mais dificuldade tenho em compreender na nossa história. Jovens, muitos deles sem nunca terem saído das suas pequenas aldeias e meios rurais, viram-se condenados a uma viagem, para muitos sem retorno, para um Continente desconhecido, com diferentes culturas, hábitos... Jovens que nunca tinham utilizado uma arma e muito menos matado alguém para sobreviver. Jovens submetidos à lei da Selva cujos traumas persistiram (persistem) até ao último suspiro. 

   Recordo, do álbum de fotografias do meu pai, referente a esta fase, algumas sinalizadas com "aqui vi a morte". Adolescentes que pisaram minas e de um futuro promissor nada restou. Talvez a lágrima e o sufoco dos familiares. 

 

   Se a Guerra não teve sentido, o prémio recebido por representar a Pátria (qual?) foi ainda mais dúbio, nada, nem uma medalha de cortiça. Assim se apaga o passado e perpetuou a dor de muitos. 

 

   Um dos melhores temas e letras a respeito deste tema que conheço pertence aos Delfins. Aqui, deixo a interpretação original seguida da dos Resistência, ao vivo. 

 

 

 Uma homenagem a todos os nossos heróis esquecidos!

 

Fonte da capa, aqui

A letra 

 

Pesquisar

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Sussure-nos

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Direitos

Ainda que procure uma utilização cautelosa e não abusiva de textos, imagens e sonoridades, poderá haver lugar à utilização indevida de obras objeto de direitos de autor. Contudo, apesar do recurso às hiperligações de origem, sempre que a legislação o implique ou seja devidamente informado, de imediato procederei a reajustes. Os textos e fotografias sem referência bibliográfica são da minha autoria.

Wook