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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

10
Jun19

Durante o teste de inglês

por P. P.

- Já terminaste a prova, L.?

- Não, falta-me esta! - respondeu com alguma aflição.

- Posso ajudar?

- Aqui diz para escrevermos se os elefantes can ou can't saltar (podem ou não podem "saltar"). Estou a olhar para eles, mas não sei se saltam!

Como bom elefante que sou:

- Olha para o professor e imagina-o um elefante. Um grande elefante. Achas que consigo saltar?

E a resposta da L. está... certa!

05
Jun19

As bolachas, aquelas bolachas

por P. P.

 

Bolachas Maria

 

    Ela vivia entre o silêncio e a hesitação.

Um mundo revolto, com poucas cores, pautado pelo medo e a incerteza. Aquela que congela e inibe.

 

    Durante o tempo na Instituição, a vontade de regressar ao lar, acreditando que tudo mudou. Na realidade, tudo piorou com o decorrer dos anos. A incontinência urinária acentuou-se. Naquela noite, caso o pai se fartasse da irmã, ela poderia ser a próxima vítima... Numa cama tão próxima da sua, quanto a medida do seu passo.

 

    Numa noite gelada, ao regressamos de uma atividade solidária, já com alguma fome e um manto de brilhantes exposto ao olhar, revelou: - Por vezes, ao fim de semana, no Lar, dão-nos 3 a 4 bolachas. Daquelas simples. São tão boas!

Referia-se à Bolacha Maria, com um sorriso e um pequeno brilho no olhar tocantes. De tal forma que, não fosse aquele manto cintilante que nos acompanhava, ajudar-me a ocultar o rosto, na procura de lugares sombrios, e um pequeno e silencioso rio tornar-se-ia visível. Eu e a diretora de turma sentimos um nó que nos induziu a alguns momentos de silêncio.

 

    Por vezes, podemos ser felizes com tão pouco...

Naquele momento, tive vergonha de mim, não sabendo que ali se abria um novo caminho.

03
Jun19

Alguém gostará de mim?

por P. P.

carnival-411494_1920

 

 

    Tarde, junto à porta do laboratório.
O tempo, esse parece-me intemporal, mas constam pouco mais de 20 anos.
Uma aula terminada, um grupo/turma quase do meu nível etário.

Subitamente, encostada à parede, perdida no olhar, disse:
– Dizem que já não sou virgem. Alguém gostará de mim?
– O meu pai será sempre virgem. Nasceu em setembro! – respondi, brincando, ao tentar aliviar o olhar cuja barreira emocional nunca me permitiu ir além.


    Ainda encostada à parede, quase sem expressão facial e com aquele olhar triste, impenetrável e vazio, em resposta ao meu desafio “O que é para ti uma pessoa virgem?” retorquiu:
– Dizem que o meu pai me fez coisas e que agora não sou virgem. Assim, ninguém quererá ficar comigo. Acha que alguém gostará de mim?
– “Gostar” é muito mais do que uma condição. Certamente irás conhecer tantos homens e mulheres que gostarão de ti. Eu gosto de ti.
– No ano passado, a Prof.ª C. disse-me o mesmo.
– E não tem razão?


    Passaram-se os anos.
Casou, tem filhos e embora mais feliz do que quando mais nova, sinto algo estranho na sua escolha. Um homem que mais parece ter a idade do meu pai… Preconceito, talvez.

Em mim, a inusitada interrogação acerca da vida e do destino.

27
Mai19

Pães e Amor

por P. P.

bread-3467243_1920

 

 

        Na cantina da Escola, durante o almoço, o professor apercebeu-se que a A. “roubava” pães.

   Abordou-a, reforçando que é preciso saber partilhar. Sugeriu que ficasse com alguns dos não consumidos, pedindo-lhe para que não esquecesse os outros meninos carenciados. No fim do dia, as assistentes operacionais, preparavam os pães, com carne, ou faziam marmitas discretas, para que, discretamente, eles as pudessem levar, para casa. Aquela seria a única refeição, ao chegarem a casa, até a manhã seguinte, já na Escola...

    Este professor era conhecedor da fome oculta e concomitantes comportamentos daqueles que pretendem "conservar a dignidade", tal como dizem.


    Ainda confuso com o ocorrido, o professor decidiu falar com a D.T., no sentido de, em conjunto, conseguirem apurar o que se passava com a A. Para a Escola, ela trazia lanches dignos de uma pré-adolescente e os pais evidenciavam uma obesidade normalmente atribuída aos  consumidores de fast food. A realidade fez-se sentir.

 

    A. levava os pães para que, à noite, os seus pais pudessem comer. Ambos portadores de deficiência e sem aquele tipo de “rendimento”, geralmente atribuído a quem nada faz, cuidavam da filha com todo o amor e cuidado, com muitas restrições. Já muitos “normais”…

 

    Isto é amor. 

21
Mai19

As eternas insatisfeitas

por P. P.

Imagem com fonte e autor desconhecidos

    Também estou insatisfeito. Não tenho tempo para escrever, ler e comentar blogues, dar feedback... Projetos e mais projetos, muitas vezes sem o meu nome incluído (burro, eu sei!). Sapos que surgem, de diversos géneros, e que criam aquele aperto...

Sim, há quem diga que os professores nada fazem e o vencimento é ... o que um dia gostaria de ter.

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