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[in]Sensato

Momentos [in] sensatos de reflexão, opinião e entretenimento

Dogs of Berlim - o submundo numa das maiores cidades europeias

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    Dogs of Berlim ("Cães de Berlim", na tradução à letra) é a 2.ª produção alemã da Netflix. Em 10 episódios, de cerca de 1h, a violência que se observa em algumas das diferentes cidades europeias, num drama policial, sem heróis perfeitos. O papel da segurança social, a luta pela sobrevivência, a inclusão de jovens reclusos no meio de trabalho, a luta entre diferentes nacionalidades, uma cidade multicultural e racial, os neonazis, o racismo, o lado escuro do mundo do futebol, a ilegalidade das casas de apostas e as lutas entre gangues são alguns dos aspetos abordados. Motivos mais do que suficientes para uma reflexão sociológica e o que se passa no nosso país. 

 

    Tudo começa com um jogador da seleção alemã, de origem turca, que aparece assassinado, e sem algumas falanges que foram... comidas pelo seu cão.

 

     Do elenco fazem parte Feliz Kramer e Fahri Yardim, que interpretam os papéis dos dois polícias pouco convencionais na capital alemã. E ainda,  Katharina SchüttlerAnna Maria MüheKatrin SassHannah Herzsprung, Antonio WannekMišel MatičevićJasna Fritzi Bauer e Constantin von Jascheroff. Um corpo de atores capaz de dar resposta às exigências desta série, com um argumento bastante bom, luz e fotografia. Para os mais preconceituosos, tal como na vida real, o nu frontal está presente. Dogs of Berlin conta-nos a história de dois detetives com personalidades diferentes. Um deles mantém conexões com um lado do mundo do crime... Contrariados, veem-se obrigados a formar uma equipa e a trabalhar, conjuntamente, no submundo da capital alemã. O desafio que se lhes põe vai obrigá-los a confrontarem as suas fraquezas humanas e as atividades criminosas. Surge um dilema: afinal, de que lado da lei estão?

 

    No nosso país, esta série é aconselhada a maiores de 16 anos. Contudo, parece-me necessário atender às características do adolescente. Deixo-lhe o trailer.

 

 

 

 

 

 

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O Diário da Gratidão - um não à banalização

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    Desde o início deste ano, ao aceder à área Leituras, do Sapo Blogs, tenho vindo a deparar-me com pequenas publicações diárias, referentes à Gratidão. Não as leio. Em meu entender, trata-se de uma prática que não deve ser vulgarizada e que é da esfera pessoal. A partilhar, que se trate de algo que possa ajudar outras pessoas. Afinal, ainda há uma margem entre a blogosfera e a generalidade das redes sociais. Um blogue não deve ser um espaço egocêntrico, capaz de espelhar um Eu repleto de filtros. 

 

    O sentimento de gratidão tem grande importância para a felicidade e para a saúde mental dos indivíduos. Os benefícios são muitos, como por exemplo:
- promover a saúde, ao nível emocional e físico;
- fortalecer os relacionamentos profissionais,
- melhorar o desempenho profissional,
- estimular o impacto social positivo e
- promover o autoconhecimento.

 

 

Nas nossas vidas diárias, devemos perceber que não é a felicidade que nos torna agradecidos, mas é a gratidão que nos faz felizes.

Albert Clarke, fotógrafo britânico

 

    A tarefa em questão permite-nos constatar que há quem não ande, não tenha comida, um teto,... que o melhor da vida não é comprado. Enquanto reclamamos de forma desalmada, há quem esteja preso a uma cama de hospital, morra lenta e dolorosamente, esteja acorrentado,... Quantas barreiras já ultrapassamos até à atualidade?

 

     Como já foi referido, levar avante um diário de gratidão pode ter muitas vantagens. Quando escrevemos algumas frases, antes de dormir, temos a oportunidade de expor e refletir a respeito das nossas alegrias e preocupações, podendo escrever livremente, principalmente nos momentos em que estamos sozinhos e não temos ninguém para nos ouvir. Importa que esta prática torne-se uma pequena terapia gratuita, para a autoajuda e a auto-cura. Desta forma, podemos aprender a valorizar os aspetos positivos da vida, além de seguir um percurso de auto-conhecimento rumo à felicidade. Um diário de gratidão pode-se tornar uma boa oportunidade para observar, reconhecer, aceitar e processar as nossas emoções ao fim de um dia.

 

    Um diário de gratidão pode ser elaborado num caderno, numa agenda, ou caso opte por comprar, tem este na WOOK.

 

 

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Pagar ou não propinas no 1.º ciclo de estudos académicos

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    Uma nova situação divide a esquerda da direita, aqui representada pelo PSD: pagar ou não as propinas no primeiro ciclo de estudos académicos.

    Nos meus tempos, apenas aqueles cujos pais tinham um rendimento superior a determinada quantia pagavam propinas. Recentemente, o Presidente da República (PR), o mesmo que aprovou que estas fossem pagas por todos, independentemente do contexto social, afirmou: "<<[O fim das propinas] significa dar um passo para terminar o que é um drama, que é o número elevadíssimo de alunos que terminam o secundário e não têm dinheiro para o ensino superior, porque as famílias não têm condições, portanto, têm de trabalhar, não podem permitir-se aceder ao ensino superior>>" - Marcelo Rebelo de Sousa, PR, Convenção Nacional do Ensino Superior, 7 de janeiro de 2019. O BE já deu os primeiros passos neste sentido, mas mesmo entre socialistas, nem todos corroboram desta ideia. O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior afirmou que dentro de 10 anos esta medida será possível de implementar. Entretanto, no próximo ano letivo, estas baixarão €212.

 

    De acordo com Nuno Crato, "o fim das propinas é um erro e significa que o país inteiro estaria a financiar os jovens que estão a estudar.” No Twitter, foi Rui Rio, líder do PSD, quem considerou que acabar com as propinas significaria por os portugueses que não frequentam a universidade a pagar pelos que a frequentam. “A justiça social faz-se pela ação social, nunca desta forma.”

 

 

Na argumentação de Rui Rio, Nuno Crato e Marçal Grilo há uma lógica comum, explicada pelo antigo ministro socialista: “Abolir as propinas é um erro porque é manifestamente injusto. E é injusto pelo seguinte: as propinas são uma forma das pessoas contribuírem para a sua formação e para a sua valorização pessoal e profissional e é um investimento que tem um alto retorno. Porque é que não devem ser abolidas? Ao abolir transfere-se dinheiro dos mais pobres para os mais ricos. Sabe porquê? Porque se ninguém paga propinas, significa que o Estado paga tudo e se o Estado paga tudo são os nossos impostos, diretos e indiretos, que contribuem para esse bolo. Os mais pobres pagam impostos — mesmo que não pagam os diretos como o IRS, pagam os indiretos. Uma medida destas é injusta porque vai penalizar aqueles que são mais desfavorecidos.
Nuno Crato defende que as desigualdades sociais no acesso ao ensino superior se combatem através do reforço “das bolsas de ação social” ou na “construção de habitação” para os alunos — uma das fatias mais gordas dos custos de um aluno deslocado. Marçal Grilo vai mais além e acredita que o importante é aumentar o leque de quem tem direito a receber a ação social.
O Estado o que tem de fazer é o seguinte: dizer que ninguém deve ficar de fora por razões económicas e financeiras e deve ter um sistema de ação social escolar, como tem, mas mais generoso para as pessoas poderem ter acesso a mais coisas e abranger um maior número de estudantes. Há, de facto, uma camada da população que pode não estar ao alcance da ação social escolar, mas que também não tem condições para pagar as propinas”, diz o antigo ministro da Educação, lembrando que as propinas são apenas uma parte da fatura de quem estuda longe de casa. Há ainda os custos de habitação, deslocação, refeições.
“A bolsa tem é de cobrir tudo isso. E veja-se que os miúdos que têm ação social escolar já não pagam propinas. Esta é uma medida errada porque é injusta. As propinas não são um factor de desigualdade social. Se forem bem compensadas com um sistema de ação social escolar são um sistema de maior igualização das pessoas”, conclui.

 

in Observador, extraído em 09/01/2019, às 22h.21min

 

Qual é a sua opinião no que concerne a esta temática?

Quais são as alternativas?

 

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O Programa da Cristina

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    Ontem, na SIC, no período da manhã, estreou O Programa da Cristina, a nova aposta do canal. O estúdio, à semelhança de uma casa, encontra-se dividido em duas salas de estar, uma cozinha, um closet, um escritório e um quarto.

Não sendo um fã assérimo da apresentadora, finalmente encontrei aquela que me parece ser a verdadeira Cristina Ferreira (CF), pondo em prática os conhecimentos adquiridos no ensino superior e na escola da vida, detentora do blogue Daily Cristina. Trata-se de um programa essencialmente informativo, com entrevistas leves, mas profundas. Como tal, com conteúdo, capazes de nos fazer refletir e operar a mudança. Deparamo-nos com uma CF, muitas vezes semelhante a Júlia Pinheiro, sem perder a autenticidade. Considero ainda, depararmo-nos com uma apresentadora com alguns dos dons de Daniel de Oliveira mergulhando no olhar e dores dos entrevistados. 

    Como ficar indiferente à entrevista realizada à mãe de João Pedro? Alheio ao mundo do futebol, outro idêntico ao da política, gostei muito do esmiuçar do homem e treinador Luís Filipe Vieira. Não só de tragédias é feito o programa. O humor também lugar.

 

Qual é a fórmula para o sucesso de CF?

 

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As experiências sociais televisivas - de Casados à Primeira Vista a First Dates

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    As experiências sociais, devidamente adornadas, por forma a conseguir audiências, têm tomado conta do panorama televisivo português. Ainda não muito distantes das épocas e do apogeu dos reality shows, o novo formato tem vindo a impor-se. 

    Entre coachs e psicólogos, o estudo do comportamento humano tem suscitado o interesse dos portugueses, assim como algumas das suas condicionantes, no que diz respeito ao tão almejado "amor". Por um lado, a dignificação de profissões impreteríveis ao nosso equilíbrio. Por outro, o elemento presente nas nossas relações mais elementares.

   Os programas Casados à Primeira Vista e O Carro do Amor, que julguei não ver nem preferir as versões nacionais, face às de outros países, têm evidenciado a importância do envidar de esforços por parte das partes envolvidas, num relacionamento, mesmo quando a ciência aponta para o casal ideal. As cedências continuam explícitas, assim como a verdade e a fidelidade, inclusive em tempos desprovidos de valores, como os atuais. Somos seres fieis? O nosso individualismo implica relacionamentos sem futuro ou obsessivos? Ambos os programas são conduzidos pela doce e participativa Diana Chaves.

 

    Do outro lado da janela, pela TVI, o programa em que o que importa é copular e alimentar conflitos, através de corpos perfeitos revestidos de mentes vazias, - Love on Top -, emergiu o vazio First Dates, dinamizado por Fátima Lopes, naquele que não é o seu habitat e Ruben Rua, capaz de despertar o desejo de ambos os sexos ou de ferir a confiança de muitos dos pretendentes. Sem qualquer análise comportamental, um espaço no qual pouco ou nada se aprende, entre encontros pautados pela inércia.

 

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    Por parte da SIC saliente-se o magnífico casting levado a cabo. Mas, existirá fórmula para o amor?

 

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A Fugitiva - a série dramática que evidência a violência doméstica

 

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    A Fugitiva (La Fugitiva) é uma série espanhola de 2018, produzida pela RTVE e divulgada pela Netflix. Esta obra, decorrente do drama e concomitantes consequências, e violência, em 10 episódios, com cerca de 1h/cada, na sua primeira temporada. 

 

    Com direção de Joaquin Oristrell, do elenco faz parte Paz Vega, Julio Bracho, Arantza Ruiz; entre outros. O inespererado prende o telespetador do início ao fim. 

 

    A trama tem como plano de fundo a violência doméstica, o machismo e o poder. Esta produção conta a história de Magda Escudero (Paz Vega), esposa de Alejandro (Julio Bracho), que abusa dela constantemente. A vítima, no entanto, à semelhança de tantas outras mulheres, permanece casada com ele por causa dos três filhos do casal. Mas, uma guerra de lideranças e um sequestro vai mudar a vida de todos.
    A temporada decorre num intervalo de 90 horas e acompanha a fuga de Magda e dos filhos, do México, os quais tentam assumir uma nova identidade, em Espanha enquanto são perseguidos por criminosos e pelo marido abusivo e algo obsecado. Perante a violência doméstica, a narrativa aborda os relacionamentos abusivos. A má formação do ser humano, o cinismo e a sede pelo poder são elementos em destaque. 

 

    Argumento, casting, figurinos, direção, fotografia e luz muito bons.

4,5 

 

Veja o trailer.

 

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Perfume - a série da Netflix baseada no livro de Patrick Süskind

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    Perfume (Parfum) é uma série, de 6 episódios, adaptada da obra com o mesmo título de Patrick Süskind. Este romance, que deu origem ao longa-metragem Perfume - A História de um Assassino, é ambientado em França, durante o Século XVIII e acompanha as práticas de um assassino em série, com um olfato absurdamente apurado, e que desenvolve uma maneira de engarrafar, conservando, os odores das suas vítimas, transformando-os em perfumes. A procura de uma poção mágica capaz de enfeitiçar todos. Nesta série, a ação decorre na Alemanha dos nossos dias, fazendo referência ao passado de um grupo de jovens estudantes com 13 anos, em 1997.

 

    Na ação, uma investigadora e sua equipa, amante do detetive que a coordena, procuram descobrir e impedir a atividade do serial killer que regressou, matando uma cantora, membro de um grupo de antigos alunos de um colégio católico na década de 90, do qual era o elemento mais sensual e desejado. Cortes específicos, remoção das glândulas sudoríparas, dos genitais e pedaços de cabelo eram prática recorrente deste. Desta forma, a investigação ruma ao passado, levado-nos ao grupo de amigos desta personagem, o qual experimentou, naqueles tempos, manipular fragrâncias humanas. Simultâneamente, a descoberta da sexualidade.

 

    Até ao momento, todas as críticas que li a respeito desta série foram positivas. 

<<O Perfume é uma série mais densa do que o público fã dos mistérios da Netflix está acostumado. Na verdade, aqueles que buscarem apenas a tensão e a intriga do mistério principal, podem acabar se decepcionando com o ritmo lento da investigação, e com a dispersão da trama, que não hesita em deixar o mistério de lado para contextualizar alguma ação dos protagonistas. Os flashbacks acabam sendo complementos eficientes para a trajetória dos personagens, não só revelando pontos cruciais para a investigação, mas proporcionando uma intimidade maior ao espectador.>> - Observatório do Cinema, em 03/01/2019, às 19h 06 min.

 

    Contudo, para mim, esta não é uma série cativante, à semelhança de outras da Netflix. Cada episódio, com cerca de 1h, tem um ritmo lento, tornando-se, por vezes, confuso. Com excelente qualidade de luz e fotografia, o mesmo não se aplica a grande parte dos figurinos. As roupas referentes a 1997 não são, em todos os casos, as de então. Relativamente aos efeitos especiais, todos os corpos mutilados parecem uma boneca insuflável, sem o pormenor da boca. Da escolha de atores, pessoas que deveriam estar na faixa dos 30 ou início dos 40 anos, muitos deles são bem mais velhos. 

    Os episódios têm pouca dinâmica, apesar da riqueza das personagens, terror e o mistério acaba por tornar-se irritante. Deixo-vos o trailer, aguardando as vossas opiniões.

 

 

 

 

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You - do livro à série

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    Inesperadamente, deparei-me com a série You (Tu) na Netflix. 

Ao ler a sinopse logo pensei "é o meu estilo". Confesso que o 1.º episódio não me conquistou, mas depois do 2.º... senti-me, de novo a ler Aqueles que Merecem Morrer. Viciante!

    Em 10 episódios, You é baseada no best-seller literário de Caroline Kepnes. Considerei boa esta difícil conversão de obra literária em série. Um elenco muito bom, numa história bem estruturada, cativante e bem realizada.

 

 

Guinevere Beck é uma aspirante a escritora, que vê a sua vida mudar completamente ao entrar numa livraria em East Village, onde Joe trabalha. Assim que a conhece, Joe tem certeza de que ela é a mulher dos seus sonhos e ele fará de tudo para conquistá-la.

A partir daí, uma série de acontecimentos estranhos tomam conta da vida dos dois.

 

Extraído daqui.

 

   You expõe a linha ténue entre o amor e a obsessão num relacionamento amoroso. Ao mesmo tempo, este drama crítica, de forma assertiva, a utilização das redes sociais e respetiva influência nas relações humanas. À semelhança de Por 13 Razões também aqui temos um narrador - o psicopata. Como tal, temos que ter cuidado com as suas perceções...

 

 

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