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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

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O resultado do teste - HIV +

Agosto 04, 2019

P. P.

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   No Facebook deparei-me com a seguinte publicação: <<Amigos, o teste HIV deu positivo>>.
Os comentários chamaram a minha atenção. E assim, não poderia deixar de ser. Passarei a transcrever alguns, procurando utilizar alguma correção gramatical, por forma a que todos os possam entender.

 

“Outra vez a mesma conversa? Não é assim que passa. Deves fazer o teste todos os meses.”


“Não tiveste cuidado e agora só sabes falar disso. Eu curti com muita gente, de ambos os sexos, e não apanhei isso.”


“É desnecessário publicares isso. Trata-se da tua vida privada que não diz respeito a ninguém”


“Eu já não te queria nem desejava.Deves ser daqueles que faz sexo sem proteção.”


“Quem anda à chuva molha-se”.

 

É evidente que estes comentadores associam, exclusivamente, o HIV ao sexo sem proteção. Só que, a transmissão deste vírus pode dar-se por outros meios...

Afinal, perante a dor, e provavelmente sem um ombro amigo, esta deve ou não ser exposta?
É tempo de dar a mão ou dizer adeus?

À procura da dor de uma alma

Julho 30, 2019

P. P.

IMG_0551 by PP

Existem momentos certos.

Conquistar a confiança de uma criança/jovem nem sempre é fácil. Sobretudo, quando há um problema.

Ontem, decidi consultar os dossiês antigos da minha prática pedagógica. No chão, caiu a folha aqui fotografada, dobrada e um pouco amarrotada. Sim, recordo a razão para este facto: estava-me a ser difícil "chegar ao aluno", com o qual, quando pressenti o "tempo certo", como recurso, reciclamos uma folha.

Nem sempre é fácil falar, assim como descodificar a dor de uma alma. Uma folha dobrada em 4 partes porque é o "segredo" entre tu e eu; o nosso segredo. 

Não sei precisar a data ou a escola desta história, à qual tantas vezes procurei dar um final feliz. Sim, até à data, muitos foram aqueles que se sentem excluídos(as)...

Entre tantos outras histórias.

SNS, doentes oncológicos e prioridades

Julho 24, 2019

P. P.

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Ontem, pronunciei-me de forma ativa, na publicação Sobre a ADSE da MJP. Evito recorrer ao SNS, por forma a não prejudicar doentes que não tenham ADSE ou seguros de saúde, procurando colaborar para a redução das listas de espera.

A conversa foi longa e assertiva. Tudo remetia para um fim de dia agradável, apesar de ainda em serviço, na escola. 

Repentinamente, um "tumor" no rosto da minha mãe, simétrico ao que lhe foi removido. Nestes momentos, não pode haver pânico nem lágrimas. O cuidador informal deve dar força. Como tal, mesmo com o cabelo a precisar de uma lavagem e uma roupa qualquer (sim, pelo menos sei que ia vestido), levei-a até ao carro e parti rumo ao centro de saúde, desta cidade (cidade para alguns, entenda-se).

Tratando-se de uma doente oncológica perguntámos se algum médico estaria disponível para verificar aquilo que ainda não sabemos ao certo o que é. Quem nos atendeu, nunca se levantou da cadeira e explicou que um médico estava mesmo a terminar o dia de trabalho e que outro estava com a agenda lotada. Não sei como controlei a minha impulsividade. 

Uma vez mais, com uma mãe que é viúva, doente oncológica, que cuidou do marido e mãe até ao último momento, com algumas deformações visíveis no rosto e pescoço e com uma reforma baixa, apesar do trabalho duro que exerceu durante 12 anos na única empresa que, naqueles tempos, existia na dita "cidade", recorremos a um médico particular. Já assim foi, durante anos, enquanto a minha avó, além de doente estava também acamada. Visita do médico(a) de família? Não, "a sua mãe está muito bem tratada. Tenho de ver outros que nem imagina as condições" - disse, certo dia, à minha mãe. 

Pensava que, até por uma questão de dignidade e humanismo, os doentes oncológicos tinham prioridade nas instituições do SNS. Não sei se foi caso isolado, mas devo dizer que nenhum dos médicos foi informado, enquanto nós, no nosso íntimo, estávamos...

Uma semelhança com a educação: quem trabalha nestes ramos, tem de gostar daquilo que faz. Não são áreas para qualquer um e muito menos para desfiles de máscaras e vaidades.

As bolachas, aquelas bolachas

Junho 05, 2019

P. P.

 

Bolachas Maria

 

    Ela vivia entre o silêncio e a hesitação.

Um mundo revolto, com poucas cores, pautado pelo medo e a incerteza. Aquela que congela e inibe.

 

    Durante o tempo na Instituição, a vontade de regressar ao lar, acreditando que tudo mudou. Na realidade, tudo piorou com o decorrer dos anos. A incontinência urinária acentuou-se. Naquela noite, caso o pai se fartasse da irmã, ela poderia ser a próxima vítima... Numa cama tão próxima da sua, quanto a medida do seu passo.

 

    Numa noite gelada, ao regressamos de uma atividade solidária, já com alguma fome e um manto de brilhantes exposto ao olhar, revelou: - Por vezes, ao fim de semana, no Lar, dão-nos 3 a 4 bolachas. Daquelas simples. São tão boas!

Referia-se à Bolacha Maria, com um sorriso e um pequeno brilho no olhar tocantes. De tal forma que, não fosse aquele manto cintilante que nos acompanhava, ajudar-me a ocultar o rosto, na procura de lugares sombrios, e um pequeno e silencioso rio tornar-se-ia visível. Eu e a diretora de turma sentimos um nó que nos induziu a alguns momentos de silêncio.

 

    Por vezes, podemos ser felizes com tão pouco...

Naquele momento, tive vergonha de mim, não sabendo que ali se abria um novo caminho.

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Ainda que procure uma utilização cautelosa e não abusiva de textos, imagens e sonoridades, poderá haver lugar à utilização indevida de obras objeto de direitos de autor. Contudo, apesar do recurso às hiperligações de origem, sempre que a legislação o implique ou seja devidamente informado, de imediato procederei a reajustes. Os textos e fotografias sem referência bibliográfica são da minha autoria.

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