Além da beleza
O corpo perfeito, a moda e as mentalidades
Agosto 30, 2019
P. P.
Ao longo dos tempos, o ideal de "perfeição" tem vindo a sofrer mutações de maneira pouco cíclica. Durante séculos, consistiu num manto preto, disfarçado com lantejoulas, que nem sempre sitiou somente as mulheres. Do rosto, o conceito social padronizado estendeu-se ao corpo.
A ambição do Homem e a vaidade levaram-no a perseguir ideais que põem em causa a sua saúde. Tudo, por um conceito tão subjetivo quanto a feira das vaidades. Chamam-lhe metas, estar focado em, ... Um mundo nem sempre atinente.
Nos nossos dias, com o acesso facilitado a produtos de beleza, tratamentos de estética, drogas e outros recursos, apoiados pela disseminação da "aparência perfeita", levada a cabo pelas redes sociais e APP, o umbigo de muitos passou a ponto de idolatração, veneração e sensualização, em diferentes contextos. O nosso templo de cuidado tornou-se diabolicamente mais amado e destacado, ao invés das interações sociais, o amor pelo próximo e os atos louváveis.
Do corpo, para o corpo e por todo o corpo.
Neste âmbito, a aceitação da diferença tem vindo a adquirir contornos xenófobos. É prioritário obedecer aos critérios estipulados por uma certa indústria, inatingíveis por muitos, por motivos hereditários, problemas de saúde, orgânicos, fisiológicos, morfológicos. Os seguidores desta estranha forma de religião consideram-se os mais saudáveis, os mais capazes, os mais... Entramos no campo dos influenciadores digitais, entre tantos outros caminhos deste labirinto. O próprio regime alimentar tem vindo a sofrer alterações em nome de ideologias que nada mais são do que fruto da vaidade.
Por vezes, um acontecimento leva a que a luz se acenda. Mas o saber científico e as práticas a evitar [1] continuarão desprestigiados.
O Eu, as máscaras, as sombras e os enganos. [2]
Leitura proposta: aqui.







