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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

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Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

Dos Telemóveis de Conan Osiris aos fragmentos da vida

Fevereiro 19, 2019

P. P.

Conan Osiris - 1.ª semifinal do festival da canção PT

 

      Não, não parti o meu telemóvel. Tenho em conta os dispêndios económicos. Afinal agora somos apenas dois, e de pouco adianta utilizá-lo para "comunicar com o céu", que de mim tem roubado entes queridos, privilegiando assim, a solidão que me sitia. Entre "quem mata quem/ quem mata quem", sem dúvida a saudade e o profundo vazio. Estes lançam "flechas" rumo à minha inquietude.

 

    Pouco importa a confusão na classificação das palavras, quanto ao número, no título e no corpo do poema, naquele "E eu vou estragar o telemóvel / Quero viver e escangalhar o telemóvel". Por vezes, apetece-me sim, esmiuçar pequenas variáveis da vida, aquelas que não entendo e ao invés de "destruir", urge reparar fragmentos de um passado perdido.

    Em mim, à semelhança da dança no videoclipe do candidato, ainda não definitivo, a representar Portugal na Eurovisão, a qual conheci numa Caneca de Letras, o receio das memórias perdidas, que deambulam no abismo das noites de insónia.

    "E se a vida ligar/ Se a vida mandar mensagem/ Se ela não parar/ E tu não tiveres coragem de atender", terei de admitir que discordo perante "Tu já sabes o que é que vai acontecer". Na verdade, pelas gavetas do meu passado e no presente, a máscara de Conan Osiris, usada durante a performance, ostenta em mim o sentido inóspito e temporal do meu caminho.

 

    Sim, eu sei "E se eu partir o telemóvel/ Eu só parto aquilo que é meu/ Tou p'ra ver se a saudade morre/ Vai na volta quem morre sou eu", mas o que nos é roubado nem sempre regressa. Não creio que "Eu sei que a saudade tá morta/ Quem mandou a flecha fui eu", uma vez que esta só se conhece, na sua plenitude, quando perdemos quem faz parte de nós, quem partilha um mesmo código genético ou de outra ordem.

 

Este texto resulta de pedaços da letra de Telemóveis e momentos meus.

 

Caso queira conhecer um pouco melhor Conan Osiris, veja a entrevista no Elefante de Letras.

"Oh pah!..."

 

 

The Deuce - da prostituição ao mundo da pornografia

Fevereiro 18, 2019

P. P.

the-deuce-temporada 1

 

     No início da década de 70, nos EUA, a prostituição ilustrava a lendária rua 42, de Times Square, também conhecida por The Deuce. Sexo, drogas e violência conviviam entre si, enquanto a indústria pornográfica emergia. The Deuce é uma série acerca destas realidades, disponível na HBO Portugal, nas suas duas temporadas, estando já prevista a terceira. Assim sendo, a 1.ª temporada contempla os anos 71 e 72 e é aquela sobre a qual me debruço, neste texto. Por outro lado, a 2.ª temporada, reflete o espaço entre 1977 e 1980.

 

    Esta não é uma série para todos. Não é recomendável a menores de 18 anos, pessoas impressionáveis ou com a mente menos aberta. Com um excelente elenco, cenários, figurinos, luz, banda sonora e adereços, aqui o sexo parece, em muitos casos, real, assim como a violência. A relação entre os chulos e as prostitutas encontra-se bem evidente, tal como as dependências e a violência no seu todo. 

    No intuito de fugir aos chulos, na procura de novas oportunidades ou como parte integrante da violência por estes exercida, algumas das prostitutas de então deparam-se com uma indústria desconhecida, na qual, de início, apenas tinham de gravar atos sexuais, sem áudio nem rostos expostos. Entretanto, estas faces começaram a ser expostas, gerando-se conflitos familiares. Mas esta indústria protegia as mulheres da violência das ruas...

    Duas personagens, uma estudante e uma escritora, deambulam neste mundo, no intuito de compreender a submissão feminina. Mergulhamos ainda num mundo em que a homossexualidade era considerada doença mental, de acordo com a DSM, e à mudança do conceito, aumentando a liberdade e à exploração de ambos os sexos. Veja o trailer seguindo a hiperligação.

 

Nota 9 em 10 

Arte - A Vagina de Danielle e os seus Amantes

Fevereiro 15, 2019

P. P.

_DSC2648 de Danielle Lessnau

 

    Danielle Lessnau é uma artista que levou a cabo Extimité, num processo fotográfico "erótico, terno, imprevisível, vulnerável... ao mesmo tempo, familiar e estranho (...) desconcertante e, em determinados momentos, confrangedor (...) divertido e carregado de intimidade" . Em entrevista ao Público, revista P3, referiu que esta consiste numa série de retratos dos seus amantes feita a partir do ponto de vista da sua vagina. "Criei oito câmaras estenopeicas (pinhole) a partir de velhos cartuchos fotográficos e instalei-lhes um obturador eléctrico que pode ser controlado pela minha mão".

    Pode ver outras fotografias seguindo as hiperligações aqui disponibilizadas e ler a totalidade do artigo, no Público.

 

Qual é a sua opinião acerca deste tipo de trabalho artístico?

 

 

Os Vizinhos - 1.ª temporada - os Indutores da nossa Vida podem estar tão Perto

Fevereiro 13, 2019

P. P.

Nieuwe-Buren I- Os Vizinhos T1

 


    Os Vizinhos ou Nieuwe Buren, aqui na sua 1.ª temporada (cf. a hiperligação) é uma série holandesa, que está disponível na plataforma Prime Video, nas suas duas temporadas.


    Um argumento fantástico, para uma produção e elenco à altura. Esta série dramática, facilmente adquire tons de erotismo e thriller. Aliás, tudo começa com uma criança, a brincar no jardim com um palhaço, segredando-lhe não poder regressar a casa. Isto porque, os pais estão a discutir com os vizinhos. Nada escutando, o palhaço aproxima-se da varanda e vê a cortina manchada de sangue, assim como o esboço de uma mão ensanguentada no vidro. Num ápice, a série regressa ao passado, no momento em que um casal procura uma casa para viver com a vinda da 1.ª filha. Como o bairro parece muito familiar compram uma das casas, envolvendo-se, de forma diferente, com os vizinhos.


    Alguns dos primeiros episódios podem dar a ideia de uma série lenta, mas tal não acontece. Estamos a ser preparados para uma dose de sensualidade e suspense intenso. Dos pontos inesperados e pouco abordados em séries e filmes, são retratados através da deficiência hereditária, dado o gene dominante de um dos progenitores e a doença incapacitante na velhice. Neste, o desejo e a inversão de papéis, no que ao mais capacitado diz respeito. A vingança e a maldade humana, que se pode esconder no mais etéreo dos seres humanos.


    Nesta primeira temporada são abordados alguns dos seguintes assuntos: relacionamentos abertos, a prática de swing, a sexualidade na 3.ª idade, a traição, o fio ténue da confiança, a discriminação em contexto escolar, em função das práticas dos pais, a terapia de casal, a deficiência hereditirária, a infertilidade, a religião, as toxicodependências, a falsa inocência e a sociedade de aparências.


     Os episódios finais são simplesmente contagiantes. Torna-se difícil abandonar a série por poucos minutos que seja. Afinal, tudo começou com evidências que podem ou não corresponder à realidade. Alguém morre? Em caso de vítimas, quantas são? Quem são os prováveis assassinos?

    Embora se trate de uma série aconselhada para maiores de 16 anos, não me parece recomendável a pessoas mais sensíveis. Um ponto a ter em atenção, nada do que é abordado é fantasia.

 

#theneighbors #nieuweburen #osvizinhos #primevideo #rtl4

10 sinais de alerta do cancro do pâncreas

Fevereiro 11, 2019

P. P.

cancro do pâncreas

 

    Raro, 8.ª causa de morte nos homens e 9.ª nas mulheres, o 12.º mais comum no mundo, com sinais e sintomas que se podem confundir com outras patologias, rápido e silencioso, assim é o cancro do pâncreas. De acordo com o Sapo Lifestyle, na secção de Saúde e Medicina, "a tendência é que a taxa de mortalidade continue a aumentar, devido aos diversos fatores de risco que fazem parte da vida de muitas pessoas: tabagismo, pancreatite crónica, diabetes, consumo excessivo de álcool, alimentação rica em gorduras, obesidade, idade e história familiar."

 

    O cancro existe, não bate à nossa porte e nas suas modalidades, pode atngir mais do que um elemento do agregado familiar. Assim foi a minha experiência. Por isso, lutemos na prevenção e diagnóstico atempado.

 

A correção do teste de inglês e a luta pela igualdade de género

Fevereiro 10, 2019

P. P.

 

O teste de inglês

    Ainda não entendi a finalidade da notícia A Correção do Teste que se Tornou numa Luta pela Igualdade de Género, na Escola Secundária de Santa Maria da Feira. No estágio, somos preparados por forma a evitar perguntas que suscitem respostas que possam pôr em causa o rigor científico, as religiões, ideologias políticas, ... Em suma, as diferenças. Por exemplo, em ciências naturais não devo colocar a pergunta "Indique três seres vivos". A forma de evitar constrangimentos passa por dar uma imagem ou um texto, solicitando que o aluno "Transcreva o nome de três seres vivos". Também somos preparados a lidar com o erro, mostrando que somos humanos, pedindo desculpa caso nos enganemos, passando à respetiva retificação, na prova do aluno. Pessoalmente, caso um aluno com uma resposta errada me alerte para o facto de ter colocado um "certo", dada a minha forma de ser e estar, não o penalizo. Quero que a sua atitude assertiva e coragem sejam valorizadas. Por outro lado, adoro perguntas que suscitem discussão. 

    Há uns anos atrás, recordo Bárbara Guimarães como capa de uma revista, na qual se fazia alusão ao bom gosto da apresentadora, adotando estilos masculinos, dos quais faziam parte, por exemplo, as gravatas. Eis-me ainda mais confuso: um boné, uma gravata e os collants, dependendo do estilo, não são acessórios para ambos os sexos? Curioso, uma vez mais, preocupa-me o conteúdo da pessoa, enquanto ser social, ao invés das roupas. Estas, são motivo de preocupação quando denotam casos de pobreza. 

    Espero que este não tenha sido um erro de correção que, por orgulho, a professora se recusou a assumir. Todavia, registo, de forma positiva, a resposta dada pela diretora da Escola Secundária de Santa Maria da Feira, Prof.ª Lucinda Ferreira, a qual garantiu que se o aluno "tivesse comunicado a situação, talvez pudesse ter averiguado o contexto" e que não lhe compete "averiguar algo que não foi comunicado". Destaco, dado ir ao encontro do Perfil do Aluno à Saída do Ensino Obrigatório e de acordo com o noticiado pela TVI24,  "se promovemos que os nossos alunos não sejam amorfos e pensem pela sua cabeça, não o posso condenar", revelando ainda que "gosta de ter alunos que pensam pela sua cabeça e têm sentido crítico".

    Porém, saliento, há algo nesta notícia, se podemos considerá-la como tal, que parece-me inusitado. Até porque envolve um partido político.

    Em tempos, também no 11.º ano, a professora de Português colocou-me errado numa resposta semelhante à considerada como a melhor. "Por que razão estás com essas trombas, P. P.?" Como insensato que sou respondi: "Não querendo pôr em causa a resposta da colega X, não entendo a razão pela qual a minha está errada. Passo a lê-la" (é certo que a li sem autorização). A resposta estava correta e nunca foi identificada como tal. O problema residia numa aula passada, durante a qual disse não considerar aquele pedaço de gente competente, dado deixar os alunos com dificuldades de parte. Quem sabe não esteja a ler isto. Ela que tanto se orgulhava do marido advogado, com escritório na cidade dos doutores, e que felizmente foi destacada, naquele ano, por gravidez de risco, provavelmente por causa da suma estupidez. Eu, P.P., aquele que sempre foi "o leitor" da aula. E assim, condiciona-se o futuro de muitos. Esta foi uma das situações pelas quais nunca quis ser professor do ensino secundário, com o devido respeito pelos bons professores deste nível de ensino, pois também os tive. Infelizmente, em pequeno número... 

    Numa outra perspetiva, alguns dos problemas suscitados pela igualdade de género tornam-se, muitas vezes, fúteis e ridículos, levando a que muitos não respeitem quem merece a nossa atenção, sobretudo numa época tão complexa quanto a da adolescência. Este não é o caminho.

 

[Atualização, às 15h 02 min.]

Aqui, pode ver a reportagem do Porto Canal, mas caso queira ler a experiência de um professor, em 2009, siga esta hiperligação

Da violência à Educação

Fevereiro 09, 2019

P. P.

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    Normalmente, tenho por hábito não categorizar os problemas sociais por género, dado o silêncio que a sociedade impõe, sobretudo, a um deles. Aquele que é associado à força, valentia, ausência de sentimentos nobres e atos pouco subtis.

    Esta foi a semana de Nove Mortes Anunciadas. E ao que parece, Portugal parou para refletir acerca deste flagelo. Até quando? A inércia e os brandos costumes que nos caracterizam levam-me a não ter fé no progresso na adoção de medidas. 

    O problema da violência doméstica ou entre familiares encontra-se plasmada nas Sagradas Escrituras. Como tal, a dimensão desta problemática não é recente. Todos conhecemos um ou outro exemplo, que acompanhamos em silêncio, intervimos de forma física ou por palavras ou que denunciamos. Por vezes, ao adotamos esta última medida, o(a) agressor(a) teve conhecimento da nossa envolvência, por parte daqueles que nos devem proteger... Esta é uma situação com a qual convivemos diariamente nas nossas Escolas. A violência não está patente somente entre progenitores. Por outro lado, toma diferentes dimensões, que não apenas a física: a psicológica, sexual, inibidora da liberdade do ser humano e seus direitos,...

    Apesar da forte pressão que a Igreja Católica Romana exerce em muitos de nós, há muito esta tem-se demonstrado infrutífera. A descrença ou caminhos alternativos na fé tomam lugar, sem que uma real mobilização rumo a respostas profícuas sejam levadas a cabo.

    Impõe-se intervir na violência entre géneros, os mais velhos, os escravos sexuais e não sexuais, os doentes, em contexto laboral, ... Urge adotar medidas que, a meu ver, passam pela educação, papel primordial dos nossos professores, profissionais de saúde e agentes de segurança. Simultaneamente, da adoção de medidas preventivas. Entretanto, quais são as medidas a tomar? A Escola dos nossos dias prepara os alunos para reagir perante a frustração ou uma reação não desejada por parte do outro? Claro que não! E eis-me perante outro tipo de violência, a menos falada: a de filhos sobre os pais. 

    Claro que podia dar continuidade a esta reflexão. Adensar-se-iam factos, fatores e evidências, numa bola de neve densa. Importa referir, que o aqui exposto, não representa uma classe social ou casos com um ou outro tipo de toxicodependências. A realidade é bem mais generalizada e abrangente. 

    Será altura de darmos as mãos e dizer não ao ritmo desta sociedade sem valores, repleta de máscaras? Ou não será este um tema, agora abordado pelos nossos meios de comunicação, que cedo cairá, uma vez mais no esquecimento?

 

Aguardemos as próximas selfies...

 

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Não! Não Somos Todos Jamaica e as nossas Forças da Autoridade não são Racistas

 

 

Direitos

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