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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular de dois pólos

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Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular de dois pólos

You - do livro à série

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    Inesperadamente, deparei-me com a série You (Tu) na Netflix. 

Ao ler a sinopse logo pensei "é o meu estilo". Confesso que o 1.º episódio não me conquistou, mas depois do 2.º... senti-me, de novo a ler Aqueles que Merecem Morrer. Viciante!

    Em 10 episódios, You é baseada no best-seller literário de Caroline Kepnes. Considerei boa esta difícil conversão de obra literária em série. Um elenco muito bom, numa história bem estruturada, cativante e bem realizada.

 

 

Guinevere Beck é uma aspirante a escritora, que vê a sua vida mudar completamente ao entrar numa livraria em East Village, onde Joe trabalha. Assim que a conhece, Joe tem certeza de que ela é a mulher dos seus sonhos e ele fará de tudo para conquistá-la.

A partir daí, uma série de acontecimentos estranhos tomam conta da vida dos dois.

 

Extraído daqui.

 

   You expõe a linha ténue entre o amor e a obsessão num relacionamento amoroso. Ao mesmo tempo, este drama crítica, de forma assertiva, a utilização das redes sociais e respetiva influência nas relações humanas. À semelhança de Por 13 Razões também aqui temos um narrador - o psicopata. Como tal, temos que ter cuidado com as suas perceções...

 

 

Vencer o Cancro é mais fácil quando rodeados de amor

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    Este é um vídeo publicitário perante o qual não ficamos indiferentes. Isto é, "alguns de nós". Verdade seja dita. 

A "rodeados de amor", pela experiência cá em casa, acrescento "com um sorriso nos lábios".

Experiência dolente para portadores, cuidadores e afetos. No entanto, apesar dos conhecimentos, ainda há quem pense que este se transmite tal como uma gripe, se herde ou implique a morte. "Luta", isso sim. É uma luta comum, que se quer cercada de afetos. 

 

 

 

Roma, o filme autobiográfico da Netflix

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    Roma é um filme da Netflix que tem cativado os espetadores e os críticos. O seu nome deve-se ao bairro onde decorre a ação, em 1970 e 1971.

 

    A história de Cleo, uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe média, no turbulento México, no início do governo de Luis Echeverría, ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e já foi eleita o melhor longa-metragem de 2018 por críticos, em Los Angeles, Nova York, Chicago e São Francisco.

 

     Este filme foi inspirado na infância do seu realizador, Alfonso Cuarón, de 57 anos, na altura com 9 anos, dando ênfase à mulher que o criou, dando lugar a uma metáfora do país e da sua história, do seu passado e do seu presente. Um relato cru e emotivo sobre as realidades, alegrias, tristezas e o quotidiano oculto por trás da vida doméstica e um testemunho desolador – e, ao mesmo tempo, esperançoso – sobre as desigualdades sociais e raciais. Em vários momentos, senti-o como a história de tantas mulheres do interior do nosso país que, naquela década e anteriores, rumaram à capital, à procura de uma vida melhor e forma de ajudar a sustentar os irmãos mais novos, sacrificando-se por conta de outrem, criando os respetivos filhos e engravidando inesperadamente. Um filme de memórias. Aliás, “a memória é o narrador implícito”, argumenta o cineasta à IndieWire.

 

    Do argumento, a devoção de Libo, a ama de Cuáron, aos patrões, inclusive durante a própria crise conjugal destes e que se sobrepõe a todos os problemas pessoais e à agitação social na cidade. 

 

    Um filme artístico, podendo para muitos ser considerado aborrecido. Muito se esconde na imagem a preto e branco, como foi filmado e na densidade de todos os personagens. Deixo-lhe o trailer.

 

 

 

 

(dis)Sabor de natal

 

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    Nem todos os natais têm sabor a Natal.

    Hoje, entendo porque devemos manter viva a existência do Pai Natal, a esperança no que possa vir a surgir no sapatinho deixado à lareira, o alimentar de algumas tradições... De maneira alguma, do ponto de vista consumista. 

    Aquele lugar vazio, na mesa da consoada, as histórias distanciadas da realidade que se faz sentir, o bom e o mau, somente são valorizados pela perda. Crescemos abnegando-a. Por vezes, somos protegidos. Mas as perdas fazem-se sentir, tal como as histórias que divagam pela mente.

    Da vida, quantas incógnitas.

O que é entendido como "processo natural" nem sempre se verifica. Há que agradecer. E tentar entender aquele lugar que permanece vazio, aceitando-o, no espaço e no tempo, à medida que um bálsamo alivia-nos as dores da alma. Profundas e intemporais.

Série O Recluso

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    El Recluso é uma série mexicana baseada numa outra, de grande sucesso, O Marginal. Acerca desta, opinei aqui e aqui

    Os primeiros 6 episódios são muito semelhantes aos de O Marginal, com outro foco ao nível da história.

 

    

Um antigo fuzileiro faz-se passar por recluso numa prisão mexicana para se infiltrar num gangue suspeito de ter raptado a filha adolescente de um juiz americano, com o objetivo de a salvar. O inferno da prisão envolta em corrupção vai colocar em perigo a vida deste homem.

 

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    Nos restantes 7 episódios, a chantagem, os conflitos e uma história mais consistente do que a dos primeiros 5 a 6 episódios toma lugar. Tendo como pontos fortes a atuação de Serricchio, a direção de arte e a fotografia meio granulada e suja de Jaime Reynoso – veterano de séries americanas – a série  da Netflix O Recluso tem como ponto fraco uma queda no seu roteiro, mais ou menos pelo meio dos episódios, o que acaba por gerar sequências em que nada acontece para levar a trama adiante. Contudo, tal acaba por corrigir-se e o final, inesperado, deixa em aberto uma 2.ª temporada.

 

 

Luís Covas, o fotógrafo que não teme o mundo a preto e branco

Luís Covas por Nuno Guerra

Luís Covas por Nuno Guerra

 

    Luís Covas (L.C.) fotografa o seu mundo. Este, nem sempre é colorido, possuíndo tonalidades a preto e branco.
    A natureza, a cidade, as pessoas e os seus gatos são prioridades ao olhar, trabalho de luz.

Vamos conhecê-lo melhor?

 

P.P.: – Quem é o Luís Covas?


L.C.: – Sou designer gráfico de profissão e um amante incondicional de fotografia. Para mim, é impossível passar pelo mundo sem olhar em redor e imaginar tudo o que vejo no enquadramento de uma lente, seja ela o telemóvel ou da minha câmara fotográfica.

 

6219-2. de Luís Covas

 

 

P.P.: – Qual é a origem do teu fascínio pela fotografia?


L.C.: – O meu pai . Lembro-me de ver fotos a preto e branco da Madeira (onde nasci) tiradas, reveladas e ampliadas por ele. Na altura não havia câmaras digitais, usavam-se rolos e as fotos eram reveladas e ampliadas/ impressas em laboratório. Quando estudei na Faculdade de Belas Artes de Lisboa tive oportunidade de fazer o mesmo, e diria que a verdadeira incursão neste mundo começou nessa altura.

 

João Galrão por Luís Covas

 


P.P.: – Constato, na tua galeria, expressões faciais humanas e a solidão.
Os Homens estão cada vez mais sós? Porquê?


L.C.: – Sem dúvida devido à revolução digital e à internet. Ao mesmo tempo que fez do mundo uma aldeia, tornou-nos cada vez mais virtuais e cada vez menos humanos. Nota-se isso no dia-a-dia, no contacto que evitamos perante a facilidade com que trocamos uma mensagem sem ter que nos mostrarmos, de revelar as nossas vulnerabilidades perante os outros. Isso isola-nos cada vez mais e distancia-nos da nossa condição humana. Falta-nos o toque, a emoção de um olhar trocado frente a frente, uma conversa, um abraço...

 

Fotografia de Luís Covas

 


P.P.: – Quais são os teus projetos presentes e futuros?

Onde podemos encontrar os teus trabalhos?


L.C.: – Sempre quis explorar este lado humano no meu trabalho como fotógrafo. Seja quando viajo, quando no dia-a-dia percorro as ruas da cidade ou em estúdio.
   Por outro lado, a beleza do nu fotográfico sempre me atraiu. Nesse sentido, criei um projeto chamado My Undressed Soul , onde desafio homens a ‘despirem as suas almas’ e tornarem-se vulneráveis perante a minha lente. Despido de roupa, o modelo torna-se o centro de um cenário onde a sua personalidade passará sem necessidade de acessórios. No decurso de uma conversa informal, trocamos impressões, falamos das nossas emoções e experiências de vida. O dedo nunca sai do botão e o obturador vai disparando, revelando a alma que habita aquela pele nua. Seja uma sexualidade estonteante no olhar, uma pose reveladora de um carácter desafiador ou a doçura de um olhar parcialmente oculto num corpo másculo, tudo isso transparecerá no resultado final.

   Por enquanto este projeto existe apenas no Instagram, onde podem encontrar as fotografias aqui divulgadas e outras. Numa vertente menos condicionada pelo imposto moralismo das redes sociais, apresento também versões não censuradas de algumas das imagens no meu perfil no FlickrEste perfil destina-se a um público adulto, livre de preconceitos.

   Neste perfil exploro também as relações humanas do ponto de vista da sexualidade. Não vejo razão para não mostrar um pénis (erecto ou não) se este for tão belo ou intenso quanto um olhar. É apenas mais uma vertente da nossa condição humana e também um exercício visual onde exploro a luz e a sombra, contados através do dramatismo e do contraste do preto e branco.

   Em termos futuros pretendo explorar cada vez mais a humanidade como tema. Talvez criar um projeto apenas com retrato de rosto, correr o mundo em busca dessa nossa condição, onde quer que ela exista.

 

Na galeria algumas fotografias do projeto mais recente do Luís Covas.

 

O Insensato agradece a tua colaboração e participação.

 

 Nesta publicação respeitou-se o não recurso ao A.O. por parte do entrevistado.

Todas as fotografias estão sujeitas a direitos de autor - Luís Covas

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