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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular de dois pólos

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Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular de dois pólos

Mamma Mia, Where We Go Again ... ou não

 

Mamma Mia 2

 

 

   Neste fim de semana, recorrendo ao videoclube do MEO, vi o filme Mamma Mia 2 ou Mamma Mia, Here We Go Again.

   Com uma história pobre, mas boas interpretações, o filme sobrevive e alegra-nos trazendo novos êxitos dos ABBA, incluindo alguns menos conhecidos. A contextualização do filme deixou-me algumas dúvidas. Apesar da ação decorrer em Grécia, onde constam as formações rochosas típicas e o relevo evidenciado no primeiro filme?

   Um filme a ver, num momento em que se procure serenidade e alegria.

 

 

Entre a guerra dos pais e o orgulho

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    Quando existem filhos, Há que ponderar Quando o Melhor a Fazer é o Divórcio.  Sobretudo, se estes forem pequenos ou adolescentes. 

   Ninguém é de ninguém, pelo que lutar de forma desonesta pela custódia dos descendentes, não atender aos seus sentimentos, suas motivações, torná-los elementos de confronto e não propiciar um ambiente tranquilo, com algum diálogo e decisões conjuntas não contraditórias, por parte dos pais, não se pode tratar de amor. O egoísmo individual supera sentimentos nobres que os progenitores devem manifestar em relação às suas crias.

 

   Num destes dias, sabendo que os pais estiveram a discutir a sua custódia no tribunal, as dores de barriga, a desorientação e o desespero de X foram evidentes. A certa altura, vomitou. Às auxiliares pedi que, naquele dia, apesar de todas as partidas que lhes prega, num misto de miúdo reguila e inteligente, nele vissem um filho. E assim foi. Na aula, chamei-o para junto de mim, por vezes sentei-o na minha perna e não exigi que acompanhasse a matéria lecionada. O facto de estar perto do professor, ainda que de apoio, e exercer tarefas de suporte à prática do docente, levaram-o, por momentos, a esquecer a dolente incerteza, a não chegada do professor titular, de quem esperava uma resposta em relação ao incerto. 

    Naquela sessão, X não foi ouvido. Nele, não é evidente aquilo que pretende. Gosta dos progenitores. Nesta ou naquela manhã, pouco importa, chegou-nos atrasado, relativamente agressivo e a queixar-se da vida. Uma vez mais sentei-o na perna e tentei explicar-lhe que nunca nos devemos sentir as pessoas mais infelizes do mundo. Dei-lhe o meu exemplo de vida e o de tantos alunos que já tive, inclusive aqueles aos quais levei escondido produtos de higiene básica. Aqueles que com o apoio da professora de Ciências, partilhávamos o lanche. Aqueles em que os cinco irmãos e os pais tomavam banho na mesma água, aquecida uma só vez, numa terra de muito frio, numa casa sem aquecimento. 

 

   Como aliviar a dor de X perante a minha hipocrisia ao saber que, em função do decidido pelos órgãos competentes, facilmente liderará grupos com comportamentos não assertivos, que o mundo das toxicodependências aproximar-se-à como um nevoeiro suave que nos acaricia o rosto e que, como tal, provavelmente e não tirará partido das magníficas competências que detém?

 

   Nesta manhã ou na outra chegou-nos com um nível de ansiedade superior ao normal. A certa altura, após ir à casa de banho, confidenciou-nos "ter-se sujado". Por sorte, está numa escola onde há sempre roupa para eventuais emergências.  

 

   Apesar das relações humanas, sobretudo entre adultos, não serem fáceis, até que ponto é justo desencadear tamanho grau de sofrimento, sinais e sintomas? Para quando uma escola de pais, também útil para outros aspetos, na qual se ensine que amar um filho não implica obsessão, vingança ou a perceção de que este é um objeto?

 

   Cultivemos a tolerância.

Nem que seja por eles!

 

 

 

Um adeus a Bernardo Bertolucci

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   Realizador e roteirista italiano, Bernardo Bertolucci marcou a minha adolescência com 1900 e O Último Tango em Paris, filme considerado erótico, que encaro como dramático.

Foram tantas as outras obras deste e de outros realizadores europeus. Sim, o nosso continente tem uma história cinematográfica muito rica e reflexiva. Convido-vos a explorarem-a. 

Além do YouTube, uma vez que a RTP já não transmite ciclos de cinema tão nobres, podem recorrer à plataforma Filmin.

 

 

RIP

 

A depressão nos jovens em Malhação - Vidas Brasileiras

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   As formações que tenho vindo a fazer e um problema de saúde nas duas últimas semanas impediram-me de acompanhar Malhação Vidas Brasileiras, no Canal Globo.

   Foi com grande agrado e satisfação que, nesta sexta-feira, no episódio da manhã, constatei a abordagem da depressão na adolescência, consequências no relacionamento com os outros e aceitação pelos pares e medicação. Se no caso dos adultos, nos nossos dias, fazer a medicação entre pares é complicado, imagine-se o caso das crianças ou adolescentes. Sim, a depressão também abraça crianças, pelo que todos os sinais e sintomas não devem ser descurados.

 

 

   Quase a chegar uma nova edição de Morangos com Açúcar, série portuguesa, da TVI, que sempre detestei e nunca acompanhei, limitando-me a assistir à influência negativa que exerceu nos nossos jovens, sobretudo nas suas primeiras temporadas, espero que, desta vez, se constate a abordagem de temáticas relevantes, com atores de diferentes raças, bonitos,feios... Em suma, que retrate a realidade, à semelhança do que acontece em Vidas Brasileiras. Uma novela, mesmo juvenil, modela comportamentos e pode induzir aprendizagens. Por outro lado, as ilusões geradas não são favoráveis. 

 

   A ilustração que se segue, infelizmente corresponde a uma realidade que muitas vezes se observa nas aulas de ciências da natureza. Mais tarde, abordarei este tema.

 

Na sala de aula de ciências

 

Eliminar o 2.º Ciclo para reduzir o número de retenções nas nossas Escolas?

 

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Photo by Joanna Kosinska on Unsplash

 

   Ainda estou atónito após a leitura do artigo de Alexandra Inácio, na secção Educação, do Jornal de Notícias, com o título "Proposta eliminação do 2.º ciclo para reduzir número de chumbos", atualizado às 00.29 p.m. Curiosamente, esta notícia e concomitante estudo do Conselho Nacional de Educação, no relatório Estado da Educação 2017, aborda o envelhecimento da classe docente. Qual a relação entre o 2.º CEB (Ciclo do Ensino Básico) e o envelhecimento da classe docente?

 

 

"Tendo em conta o envelhecimento da população docente e a redução na procura dos cursos de formação de professores, urge fazer e divulgar rapidamente um estudo da necessidade de novos professores para os diversos grupos de recrutamento", lê-se no documento que será hoje aprovado pelos conselheiros. 

(...) Comparativamente com os outros estados membros da União Europeia só a Grécia tem menos professores com menos de 30 anos do que Portugal. A somar a este cenário nunca houve tão poucos candidatos a cursos de Educação Básica. Este ano letivo, após as três fases do concurso nacional de acesso, num total de 21 licenciaturas em 12 ingressaram menos de dez estudantes. O Politécnico da Guarda não recebeu nenhum aluno e no de Portalegre apenas entrou um.

Cf. a notícia referida

 

   Ainda de acordo com o noticiado por Alexandra Inácio, Maria Emília Brederode Santos, a eliminação do 2.º CEB facilitaria a transição entre ciclos e reduziria os níveis de retenção, ainda elevados. "Um ano para entrar, outro para sair" - é assim que é definido o 2.º ciclo, composto pelo 5.º e 6.º anos, sem que Maria Emília Brederode Santos assuma uma nova fórmula.

 

   O 2.ºCEB foi criado com o intuito de preparar os alunos para os ciclos seguintes (antigo unificado e secundário). A metodologia de ensino, as práticas de avaliação e o envolvimento com a comunidade educativa é idêntica à dos Ciclos precedentes, quebrando barreiras com o importantíssimo 1.º CEB. Não será importante apurar quais as causas do insucesso apontado e clarificar o que se entende pelo mesmo? A autora refere "Apesar dos níveis de reprovação terem atingido mínimos históricos ainda são um problema. (...) E em Portugal, quem mais chumba são alunos de estratos sociais, económicos e culturais abaixo da média. O que leva a presidente do CNE a defender que o sistema "ainda é discriminatório".

 

   Esta constatação não se verifica nos restantes níveis de ensino? De novo, em contradição ou sem qualquer sentido "A taxa de retenção no 2.º ano (primeiro em que é possível reprovar) foi em 2016/2017 de 7,4%, a segunda mais alta do Ensino Básico, só superada pelos chumbos no 7.º ano (11,4%)". Imaginem-se os resultados no 7.º ano sem a preparação levada a cabo durante o 2.ºCEB.

 

   Os professores do 2.ºCEB têm preparação específica para trabalhar com os níveis etários em causa, facilitando a transição entre ciclos. Preocupados que estão, os estudiosos "de gabinete", com o envelhecimento da classe docente, qual o destino pretendido para os docentes do 2.ºCEB? Que estes preencham as vagas nas Escolas Superiores e Universidades, por forma a dar trabalho aos professores universitários, incumbidos da formação de professores, mas sem alunos nos dias que correm? Tal já se verificou, em muitos casos, relativamente à aquisição de competências para lecionar inglês no 1.ºCEB.

Quais são as reais preocupações dos "inovadores" para com as aprendizagens dos discentes e concomitante preparação para a vida ativa, preconizadas no Perfil do Aluno à Saída do Ensino Básico? Qual o investimento na educação? 

   Sejamos francos, há muito entendemos que é apanágio deste governo e anteriores a transição dos alunos de forma facilitista. Há muito que os professores e pais empenhados entenderam-o. Entretanto, nada se fala a respeito de alterações curriculares. Desajustados dos interesses e nível etário dos alunos, insiste-se no erro. Não tivessem estes resultado do trabalho de muitos "estudiosos". Sempre os tais, claro. Aqueles de "gabinete". Resta perguntar, que futuro? Que país?

 

 

Casados à Primeira Vista, uma opinião

Casados à primeira Vista

 

 

  << “Casados à Primeira Vista” não é um programa de engates em direto. “Casados à Primeira Vista” não é lixo televisivo como os que não veem o programa gostam de dizer. É, sim, um formato que nos mostra vários lados do ser humano, que nos mostra como as pessoas reagem perante situações de stresse emocional, de pressão social e familiar, que nos faz pensar em muitas coisas(...)

 

   A ideia de alguém, de um dia para o outro, casar-se com uma pessoa que não conhece de lado nenhum mexe com demasiadas coisas, com a mente, com as rotinas, com medos, frustrações, levanta dúvidas de comportamento, eleva a insegurança, e tudo isso gera comportamentos atípicos, perfeitos para criar um bom programa de televisão. É por isso que “Casados à Primeira Vista” é interessante, é sobretudo se pensarmos nisto e olharmos a isto que conseguimos entender melhor este formato e o porquê de ficarmos presos às histórias e às vidas destas pessoas que não conhecíamos de lado nenhum (e que agora nos são tão próximas). Foi também esta a razão do sucesso da primeira edição de “Big Brother”, há 18 anos. Nada, em televisão, nos capta tanta atenção como o conflito entre pessoas, nem mesmo o sexo. O ser humano é assim, nada a fazer. Está gente a discutir, para tudo a olhar, todos querem ouvir, seja num café, no meio da rua, na televisão ou no trânsito (...)>>

 

Adaptado de

Ricardo Pereira (2018), O Ricardo do Magg, em 16 de novembro de 2018

 

 

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