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[in]Sensato

Momentos [in] sensatos de reflexão, opinião e entretenimento

Zeca Veloso , Caetano Veloso e Moreno Veloso - Todo o Homem

 

O sol, manhã de flor e sal
E areia no batom

Farol, saudades no varal
Vermelho, azul, marrom

Eu sou cordão umbilical
Pra mim nunca tá bom

E o sol queimando o meu jornal

 

Minha voz, minha luz, meu som

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe

O céu, espuma de maçã
Barriga, dois irmãos

O meu cabelo negra lã
Nariz, e rosto, e mãos

O mel, a prata, o ouro e a rã
Cabeça e coração

E o céu se abre de manhã
Me abrigo em colo, em chão

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe

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A tua orientação sexual não é uma escolha

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   Apesar de muito exigente, o que por vezes gera alguns conflitos durante o ano letivo, com a necessidade de explicar as minhas intenções aos pais/encarregados de educação, ao longo destes 20 anos, até há data contados em menor número pelo nosso Governo, tenho vindo a manter, com os alunos, amizades sólidas. Depois de professor/ aluno, ficamos amigos. Nas aulas de ciências naturais, é da minha prática pedagógica, abordar "tudo" de forma confidencial e com respeito pelo outro. Em alguns aspetos, são o confessionário dos discentes, sobretudo quando à mesma turma é-me atribuída matemática. Preocupo-me, além dos conteúdos, que os alunos desenvolvam o espírito crítico, respeito e tolerância. Por exemplo, as fotografias depois da remoção do tumor da minha mãe foram-lhes mostradas à turma de então, com intuito de constatarem como uma doença pode modificar o nosso aspeto, pondo em causa a saúde enquanto tríade, e não termos o direito de julgar o nosso semelhante.

 

   Conste ou não do programa, desde 1997 incluo educação sexual como parte integrante do currículo oculto. Esta é muito mais do que falar de sexo e prevenção das IST ou gravidezes indesejadas. Trata-se de um exercício de tolerância, consciencialização das nossas diferenças, vocacionado para o respeito, o amor pelo outro e a amizade. Exercícios de debate em redor de temas como o divórcio e os filhos, a violência no namoro, ... Momentos de reflexão e construção de algumas peças do futuro ser.

 

   Volvidos alguns anos, após terem sido meus alunos, já no 9.º ano ou secundário, tenho vindo a constatar o sufoco de muitos, tendo mesmo de recorrer a formas de quebrar o gelo, em redor da sua orientação sexual. "Professor eu gosto de raparigas, mas também gosto de rapazes!" Gera-se um turbilhão de sentimentos, quase sempre com receio da reação da família e de ordem religiosa. 

Normalmente, digo para não se preocuparem. Com o decorrer do tempo, descobrirão qual é o sexo pelo qual se sentem realmente atraídos ou se é de facto por ambos. É interessante a necessidade destes adolescentes em terem um rótulo, que os remete para um grupo. Entendo e recordo-me que, na adolescência, um pouco de tempo parece uma eternidade e é nesta que defendo a continuidade em dar a mão. Há que sugerir a não utilização de determinadas aplicações de cariz sexual (sim, em primeiro testo-as) e a tentativa de resistir a eventuais fontes de assédio, muitas vezes presentes no seio familiar, sem que os pais se apercebam. Quem não se lembra de, na adolescência, no período da manhã querer usar certo perfume que passa a odiado no período da tarde? Também os sentimentos, a par das hormonas efervescem.

 

   Assim é um dos últimos casos que me chegou. A homofobia de um familiar parece traduzir-se naquilo que de facto entendo como "homofóbico" (aquele que tem medo de se sentir atraído por membros do mesmo sexo), manifestando-se em atitudes de bullying  e um desejo que ainda não decifrei. A este respeito nada mais posso adiantar, como o leitor certamente entenderá. De certa forma, estas são variáveis que não me ocorreram até então. Muito menos envolvendo um adulto (apenas no corpo e idade cronológica) e um adolescente. Certamente, o meu lado naif.

 

   Sejamos objetivos, a orientação sexual não é uma escolha. Há que saber estar entre os restantes com normalidade, sem sentimentos de culpa. Um Homem faz-se pelos seus atos! De que importa se procura carinho nos braços de uma pessoa do mesmo sexo, de ambos ou do oposto? Por outro lado, quem realmente gosta de nós, aceita-nos. Da família não fazem parte somente aqueles que partilham o mesmo ADN, mas sobretudo as pessoas que estão presentes nos bons e nos maus momentos, capazes de nos dizerem por exemplo, "ficas tão mal com essa roupa" Estes são os Amigos, a família do coração.

 

   Esta orientação não é comandada pelo sujeito. "Sou bissexual durante o curso e depois passarei a hetero". O respeito pelo outro é importante. 

 

   Parece-me que, durante o percurso educativo, a educação para os afetos vai-se perdendo, dando lugar à presente ameaça dos currículos extensos e desajustados, associados a uma carga horária que impede as crianças de o serem, bem como os adolescentes. A relação pedagógica é mais difícil de criar nos nossos tempos do que, por exemplo, há 10 anos...

 

Fonte da foto de capa, aqui

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O Chapo (El Chapo) - o narcotraficante que um dia quis ser rico

El Chapo

 

 

 

   Nunca o narcotráfico foi tão falado e abordado pela 7.ª arte quanto nos nossos tempos.

Após o sucesso de Narcos, El Chapo (O Chapo) tem vindo a impor-se. No próximo dia 27, a Netflix lançará a 3.ª temporada desta série. Na verdade, as duas primeiras temporadas passaram-me desapercebidas, dado confundir o nome desta produção da americana Univision para a Netflix com o de uma outra, estilo novela, que também procura relatar alguns aspetos deste narcotraficante. Assim que comecei a ver os primeiros episódios da primeira temporada, o vício logo se instalou. 

 

   Baseada em factos reais, relatados pela imprensa de então, a vida de El Chapo é-nos descortinada com sequência, dinamismo, violência e uma certa dose de humanismo que nos faz torcer por ele, na luta entre cartéis e fações criminosas.

 

   De origem muito humilde, explorado pelo pai, em adolescente a nossa personagem partiu à procura de um cartel que o aceitasse. Posto à prova, matou um vizinho que carinhosamente lhe perguntou "O que queres a estas horas, Chapito?". A primeira temporada desta série (veja o trailer), assenta na forma como o criminoso é tratado numa prisão de alta segurança, até conseguir fugir. Constatei semelhanças com o filme O Expresso da Meia-noite, apesar dos contextos diferentes. Já na segunda temporada (veja o trailer), a conquista de novos territórios e a luta entre cartéis é a prioridade. É-nos dada a conhecer a realidade política e social do México, com níveis de corrupção inauditos. A sua produtora, Univision, como referi no início deste artigo, tem já preparada a terceira temporada, como pode ver através do trailer.

 

   Uma série a não perder!

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Série Jogos Sagrados - o crime organizado na Índia

 

Jogos Sagrados

 

 

 

  Ontem, chegou-nos uma nova série original da Netflix, desta feita indiana, Jogos Sagrados (Sacred Games).

Desengane-se quem espera filmes com príncipes e princesas que cantam e dançam, onde tudo é paz, amor e música. Esta é uma série violenta, tal como a realidade que traduz, por muitos de nós desconhecida. 

  

 

   Situada em Mumbai, Sacred Games investiga a complexa rede do crime organizado, corrupção, política e espionagem da cidade que se esconde por baixo do renascimento económico da Índia. Esta é de grande opulência e poder que entrelaça as vidas das pessoas mais privilegiadas, famosas, infortunadas e sanguinárias. A série é baseada no best-seller de Vikram Chandra.

 

   A primeira temporada conta com 8 episódios. Conta-nos a história de Sartaj Singh (Saif Ali Khan), um polícia que vive sob a sombra de seu falecido pai, na procura  da validação de uma força policial que ele detesta. Quando Singh recebe uma denúncia anónima sobre o paradeiro de Ganesh Gaitonde (Nawazuddin Siddiqui), um senhor do crime desaparecido há 16 anos, ele toma as rédeas e penetra no escuro submundo da Índia. Veja o trailer.

 

Se quiser saber mais, eis a review no Metro

 

"- Todas as religiões dizem o mesmo.

Nelas está implícito o destino."

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Um novo plágio no Festival... da Eurovisão?

   

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   Os compositores da canção Toy, vencedora neste ano da Eurovisão em Lisboa, receberam uma carta de aviso da editora Universal, relativa a alegadas semelhanças ao nível dos elementos rítmicos e harmónicos entre este tema e o maior êxito dos White Stripes, Seven Nation Army.

 

 

 

Pessoalmente, concordo com a observação da Universal, essencialmente no início do tema, até às "guitarradas", mas há limites. Os estilos de música e o público a que se destinam são diferentes.

 

 

O que vos parece?

Vivemos na época dos plágios ou já tudo se criou?

Não existem pessoas parecidas, não sendo as mesmas?

 

Ficámos em 10.º lugar nos posts mais lidos do dia.

 

 

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Por quem não esqueci

Ricardo Camacho

 

Ricardo Camacho (1954 – 2018)

 

   Produtor, compositor e teclista da Sétima Legião e ainda Médico que se dedicava à investigação da SIDA. Nasceu na ilha da Madeira. Morreu ontem, na Bélgica. Entregou-se hoje a um ‘A Um Deus Desconhecido’.

Fica sempre a obra, mas não chega porque dói.

 

 

Ricardo Camacho foi um dos importantes pilares da modernidade que a música portuguesa começou a desenhar na década de 80, quando, já em ambiente de total liberdade conquistada com o 25 de Abril, uma nova geração começou a sacudir a mentalidade “orgulhosamente só”, a assumir que as canções não estavam obrigadas a serem espaços doutrinários e que a pista de dança podia também ser um espaço de liberdade.

 

Extraído do Blitz, em 04/07/18

 

   Uma peça fundamental na carreira de António Variações, a sua intervenção fez-se também sentir junto a Manuela Moura Guedes, como autor de Foram Cardos, Foram Prosas e dos GNR. Um ano depois de Variações se estrear, Ricardo Camacho assegurou a produção de outro primeiro single, este a cargo dos Sétima Legião, Glória. Desta banda da minha infância e adolescência, na qual foi também músico, que destaco Por Quem Não Esqueci.

 

 

   A versão acústica deste tema na voz de Diogo Piçarra, aqui.

 

Na foto da capa desta publicação, A Sétima Legião nos anos 80. Ricardo Camacho é o terceiro a contar da direita - Arquivo BLITZ

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Naquele Inverno, Naquele Inferno

 

monumento de homenagem aos combatentes do ultramar by PP

 Monumento de homenagem aos ex-combatentes na Guerra do Ultramar, Santa Comba Dão, por PP

 

   A Guerra do Ultramar é uns dos momentos que mais dificuldade tenho em compreender na nossa história. Jovens, muitos deles sem nunca terem saído das suas pequenas aldeias e meios rurais, viram-se condenados a uma viagem, para muitos sem retorno, para um Continente desconhecido, com diferentes culturas, hábitos... Jovens que nunca tinham utilizado uma arma e muito menos matado alguém para sobreviver. Jovens submetidos à lei da Selva cujos traumas persistiram (persistem) até ao último suspiro. 

   Recordo, do álbum de fotografias do meu pai, referente a esta fase, algumas sinalizadas com "aqui vi a morte". Adolescentes que pisaram minas e de um futuro promissor nada restou. Talvez a lágrima e o sufoco dos familiares. 

 

   Se a Guerra não teve sentido, o prémio recebido por representar a Pátria (qual?) foi ainda mais dúbio, nada, nem uma medalha de cortiça. Assim se apaga o passado e perpetuou a dor de muitos. 

 

   Um dos melhores temas e letras a respeito deste tema que conheço pertence aos Delfins. Aqui, deixo a interpretação original seguida da dos Resistência, ao vivo. 

 

 

 Uma homenagem a todos os nossos heróis esquecidos!

 

Fonte da capa, aqui

A letra 

 

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