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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, ao deambular entre dois polos

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Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, ao deambular entre dois polos

É chegada a vez de Toy sentir-se plagiado

Toy no programa de Rui Unas

 

 

 

 

   Desta feita, o nosso bem português Toy vai processar os cantores Dynamite Dylan e Jake Paul por plágio. Em causa, estão os temas Corazón sin Edad (2016) e a canção No Competition dos norte-americanos.

 

   <<Descobri um plágio de uma música minha de uns americanos que têm 15 milhões de visualizações (...) Tenho o processo a decorrer na Sociedade Portuguesa de Autores. Isto pode ser a minha independência financeira (...) Todo o tema é inspirado no meu. Tem a parte A, a parte B, depois tem o refrão, depois tem a parte C, depois tem a parte em que eu faço um rap e eles também fazem um rap">>. Esta revelação foi feita no programa de Rui Unas, Maluco Beleza

 

Assista ao podcast.

 

 

   Agora, para que possa opinar, oiça os temas em causa.

 

 

 

 

    De acordo com o Sapo Mag:

 

 

Na entrevista, o músico frisou ainda que "a construção da canção deles é igual" a “Corazón sin Edad”, lançada por Toy em 2016 e que conta com uma versão em português. "A outra parte da melodia, sendo diferente, a harmonia e a métrica é igual", acrescentou.

"Não é coincidência. Faço música desde os 13 anos e tenho 55 (...) Deviam pagar por isso, eles usaram coisas minhas", frisou Toy, dizendo que gostava de convidar os músicos para um concerto em Portugal: "A obra intelectual é uma coisa intocável e sagrada e, portanto, deviam pagar por isso (...) Mas, em vez de indemnização, eu até os convidava a vir a Portugal fazer um concerto comigo".

 

 

Foto da capa deste artigo extraida do NIT

 

Até naqueles momentos privados devemos

 

 

 

 

 

 

... Poupar água

 

   Esta campanha, algo ousada, reporta-nos para um problema mundial. 

A água potável existente no planeta, é cada vez menor. Por outro lado, está não está devidamente distribuída pelo planeta.

 

   É necessário estarmos cientes de que os recursos naturais renováveis têm vindo a escassear, assim como os não renováveis, também estes em perigo. Planeta temos um, a nossa casa. Há que preservá-lo, estimá-lo, mimá-lo... Não podemos, nem devemos descurar as alterações climatéricas que se têm verificado no nosso país.

 

   Para combater a escassez hídrica no mundo, é preciso grandes investimentos por parte dos governos em obtenção, tratamento e preservação dos recursos hídricos. Nos casos mais extremos, medidas de cooperação internacional precisam ser tomadas, haja vista que o acesso à água é um direito universal. De acordo com dados da ONU, cerca de 1,1 bilhão de pessoas sofre com a falta deste importante recurso natural.

 

   Os esquemas que se seguem traduzem o ciclo urbano da água e um esquema simplificado do ciclo da mesma, estraídos daqui.

 

ciclo_urbano_agua

 

 

ciclo da água

 

 

   Eis alguns comportamentos a adotar, por forma a poupar água.

 

poupar-agua

 

 

Já agora, não desperdíce papel . Há uma floresta em risco.

 

 

Fonte da imagem da capa desta publicação, aqui.

Bem-vindo Calor, mas o interior do país continua esquecido e não só

 

      Neste artigo, não pretendo mostrar-vos fotografias com qualidade ou profissionais. Pretendo que sejam reais!

Todas elas foram tiradas neste domingo, às 20h, apontando para diferentes pontos cardeais, desde a minha casa, fazendo-se sentir um calor insuportável. Esta é uma zona atingida pelos incêndios de outubro, o que é bem evidente na primeira. Não pretendo recordar aquela noite, para nós, sobretudo na zona Oeste, nem sempre com água, sem bombeiros, com faltas de eletricidade e sem telecomunicações.

 

 

 

Zona Oeste da minha região by PP

Outra perspetiva_20180617_by PP

Um pouco de Este_20180619.by PP

 

   Já escrevi acerca do que se tem passado nesta zona do país. Por exemplo, alertei para a não reflorestação de toda a região, disseminando-se assim, eucaliptos e acácias, de que é exemplo esta publicação. Também os blogues Não é que Não HouvesseO Último Fecha a Porta têm dedicado algumas publicações ao ambiente e à realidade do interior do país. Talvez por não escrevermos a respeito de engates e futilidades relacionadas com uma das mais importantes dimensões humanas, o Sapo Blogs (será esta a hiperligação?) nunca nos concedeu, no que a esta temática diz respeito, um destaque.prévio. Seguramente, outros bloguistas, aqui não enunciados fazem parte do nosso grupo. A eles, o nosso obrigado. Continuemos a lutar! Aliás, até a respeito das condições dos professores, greves... os destaques do Sapo Blogs é praticamente nula. Interesses? Não alimentemos o que pouco importa e concomitantes condições, devidamente plasmadas pela Equipa. Condições às quais muito raramente obedecem, mas... Talvez o melhor seja escrevermos a respeito de como engatar, numa floresta queimada ou num planeta em tão mau estado. Ironia!

 

   A nossa preocupação, entre muitas outras, prende-se, com a Terra, como pode ler neste artigo ou neste. Enquanto isto, muitos portugueses congratulam-se com a atual massa de ar quente, de passagem pelo nosso país. Pedrogão Grande é recordado de forma egoísta, servindo, inclusive para alimentar populismos pacóvios ou publicações a destacar no separador "opinião", destinado a alguns bloguistas desta plataforma, sem verificação do conteúdo. Ainda há cerca de 2 semanas, no programa das 19h da SIC, uma das regiões da minha zona foi mostrada aos telespetadores, na presença do Presidente da CM que pouco ou nada adiantou. Em Treixedo, Santa Comba Dão, são várias as casas destruídas e a população continua sem apoios

 

  

 

 

   Hoje, pretendo recordar-vos acerca da a importância da água para a fertilidade dos solos, que os alimentos não provêm das prateleiras dos supermercados e que uma das "funções" das árvores é humedecer o clima

Sem árvores, nas regiões atingidas pelos incêndios, a riqueza do ar em vapor de água (humidade), as sombras e o oxigénio não são como antes. Isto, alastra-se ao país. Tal como comecei esta publicação, as fotografias aqui expostas referem-se às 20h do dia 17 de junho. Enquanto isto, espécies não se desenvolvem por escassez de água ou excesso de calor, instalam-se pragas estranhas e claro, acentua-se a necessidade de ordenar o território. As nossas país florestas requerem espécies autóctones. A plantação do pinheiro-bravo, espécie não originária do nosso país, também merece alguma atenção na forma como é distribuída. 

 

   Não é feita qualquer abordagem aos cuidados a ter com a radiação solar, uma vez que tal podemos ler em outros blogues, como neste.

 

   Entretanto, as nossas televisões e governo devem continuar a falar de incêndios, como em anos anteriores, por forma a estimular que estes continuem a ser disseminados. Duvido que não entendam que o debate deve ser efetuado de outra forma, não só prevenindo, como condenando. Afinal, quais são os reais interesses relacionados com os incêndios no nosso país?

 

 

Esta publicação fez parte do Blog Quentes.

Al Berto - Pernoitas em Mim

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pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes

Al Berto, in 'Rumor dos Fogos'

 

Fonte das imagens - Tumblr de autores desconhecidos

House 99 já está disponível em Portugal

House 99

 

   House 99 é a marca de produtos masculinos para o rosto, corpo, cabelo e barba resultante da parceria entre a L'Oréal e David Beckham, por forma a “desmitificar a necessidade dos homens de cuidarem de si mesmo e encorajar a autoexpressão e a experimentação de estilo”.

 

    A escolha do número 99, foi baseada no ano em que o jogador de futebol se casou, em que o seu primeiro filho nasceu e em que o Manchester United ganhou o treble, ou seja, conquistou três títulos.  A L’Oréal explicou também a origem no nome da marca, dizendo que a utilização da palavra ‘house’ (casa) reflete “o objetivo de Beckham de construir uma comunidade aberta a entusiastas de cosméticos masculinos, para partilhar as suas dicas de estilo e recomendações”. 

 

   Quinoa e espirulina são amplamente utilizadas nas fórmulas “devido às suas propriedades benéficas para a saúde”, e o grupo afirma que “estes recursos naturais e ricos em proteínas combinam nutrientes para o cabelo e a pele que não são sintetizados pelo organismo”. Destaquem-se os produtos  Bold Statement Tattoo Body Moisturizer SPF30, afinal David há muito usa tatuagens no seu corpo e Seriously Groomed Beard & Hair Balm, que “oferece uma boa dose de disciplina para dar forma a cabelos rebeldes e barbas curtas ou longas. Inspirado no look atual de David Beckham, que usa cabelo longo e barba desde 2015” Será este aquele que cessará os meus famosos redemoinhos, com os quais acordo todas as manhãs?

   Para já, a linha está disponível no nosso país, na Sweetcare.

Acompanhe o Instagram da marca, aqui, na House ou no Facebook.

 

 

* artigo não patrocinado

 

Este é o planeta Terra, o nosso, com recursos naturais não renováveis

 

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   Os recursos naturais são, em grande parte não renováveis. Há que utilizá-los com peso e medida, procurando medidas alternativas. Mas este não é um comportamento imposto aos Portugueses, ou que faça parte dos seus hábitos, e muito menos implementado pelos diferentes Governos que têm passado por este país, cada ano mais triste.

 

   O Ambiente é encarado de forma irresponsável, eterno e algo etéreo. Atenda-se, por exemplo, ao que se continua a verificar em Pedrogão Grande e na já esquecida região centro, afetada pelos incêndios de outubro de 2017. Neste momento, questiono-me a respeito da existência de muitos dos recursos ditos naturais renováveis. Assistimos ao desaparecimento de espécies, às pragas de outras em deterioramento de outras, grande parte da água do planeta, além de salgada, está poluída, não obstante o seu Ciclo... O vento e o Sol não são controláveis pelo homem.

 

   Portugal esgota hoje os recursos naturais renováveis de 2018, o que significa que vai começar a usar meios que só deveria utilizar a partir de 01 de janeiro de 2019, anunciou a associação ambientalista Zero.

 

   <<Se cada pessoa no planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, "a humanidade exigiria o equivalente a 2,19 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos", o que implicaria que "a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos a nível mundial esgotar-se-ia neste dia 16 de junho".

"Portugal é, há já muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo). A nossa pegada 'per capita' é de 3,69 hectares globais, mas a nossa biocapacidade é de 1,27 hectares globais, com base em dados revistos para toda a série histórica desde 1961", escreveu a Zero, num comunicado(...) O consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) encontram-se entre as atividades humanas   diárias que mais contribuem para a pegada ecológica portuguesa e são "pontos críticos para intervenções de mitigação da pegada", segundo a Zero.>> Fonte - Sapo 24

 

   Recordo que,  na 2.ª metade dos anos 80  estudei, em biologia, de acordo com o professor de então, que as reais consequências do efeito de estufa fazer-se-iam sentir passados milhares de anos. Afinal,...

 

   Não será tempo de deixarmos de ignorar estas formas de alerta e passarmos a ser cidadãos ativos/responsáveis?

 

 

Ainda a utilização dos telemóveis e/ou smartphones nas Escolas

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   Promovidos pelo Sapo Blogs, tive a oportunidade de ler alguns artigos a respeito da utilização dos telemóveis nas Escolas. Daqueles que li, em destaque, confunde-se "telemóvel" com "smartphone". O primeiro tem acentuadas limitações comparativamente com o 2.º.

 

   Ambos, não devem servir como forma dos alunos manterem a dependência dos pais, apresentarem a sua versão dos factos perante uma ocorrência, utilizar recursos proibidos na sala de aula, ... Porém, em todos os casos, todas as Escolas têm um Regulamento Interno a ser cumprido por pais, professores e alunos. 

 

   Relativamente aos smartphones, na inexistência de um número insuficiente de tablets (e portáteis) nas Escolas, ao nível do 2.º Ciclo e níveis seguintes, estes podem ser um meio para utilizar aplicativos destinados à educação. Como exemplo, o Geogebra, aplicativo de Geometria dinâmica. Outras aplicações permitem consolidar conhecimentos, fazer registos... Recordo uma, com a qual, ao fotografar uma planta obtenho os seus diferentes grupos taxonómicos, incluindo a nomenclatura binomial. E utilizar o excel em simultâneo que o professor? Em suma, há que atender ao grupo turma com o qual nos deparamos, assim como aos valores transmitidos pelos pais. 

 

   Para finalizar, como professor colocado a distâncias superiores a 100 Km de casa, regressando cada quinzena ou mês, mesmo efetivo, até ao momento, ainda não tive de proibir a utilização do telemóvel aos meus alunos. Ainda que em modo vibratório, desde a 1.ª aula coloco-os a par da situação. Como ter o smartphone desligado quando os pais têm cancro ou antes, e em simultâneo, a avó, acamada, portadora da Doença de Alzheimer? Orgulho-me quando os "meus pequenos" correspondem à minha sinceridade: "Senhor Professor, a minha mãe está doente. Posso ter o telemóvel ligado, por forma caso piore, telefone-me?" ou "Posso telefonar-lhe às 9h?". Ambos os exemplos são reais e referem-se a alunos que têm autocarro entre as 6h 30min e 7h. Como dizer não a gesto tão nobre e pouco usual nos nossos dias? Em alguns Agrupamentos de Escolas, temos alunos que distam 25 Km da Escola, com maus acessos, os mesmos pelos quais nos aventuramos nas viagens.

Contudo, certo é que tenho sido abençoado, até à data,  com a grande maioria dos alunos.

As crianças/adolescentes tendem a imitar os nossos comportamentos. Como tal... 

Eu Professora me Confesso por Fernanda Morais

   Aqui deixo o testemunho de uma colega, publicado nas Notas, do seu Facebook e que me parece de leitura impreterível.

 

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   <<Venho para a escola como num transe. Dormi mal pela enésima vez desde há meses. Estou a passar uma fase menos positiva em termos de saúde, com muitos altos e baixos, mais baixos do que altos. E não consigo alhear-me do que se passa à minha volta.
 
 
 
Já não tenho vinte anos. Com efeito os sessenta aproximam-se a passos largos e portanto, como se diz habitualmente, “já não vou para nova”.
 
 
 
 
   No meu local de trabalho, esta é uma realidade que se avoluma. Muitos, tantos dos professores que conheço e que conhecem quem eu conheço, também andam por estas idades. Há mesmo escolas em que a média etária está acima dos sessenta. O desgaste é notório e agrava-se, de modo galopante, a cada novo ano.
 
 
 
   Estamos naquele tempo da vida em que seria justo beneficiarmos de alguma serenidade, de algum reconhecimento até, de respeito e consideração. Aliás, a todos, todos sem exceção, de qualquer faixa etária e de qualquer profissão é devido este conjunto de atenções. Diria apenas que, com o passar do tempo, eles se avolumam na necessidade e na premência.
 
 
 
   Mas essa não é a realidade. Existe no ar uma ameaça velada, um ataque permanente contra os professores. Como um monstro que vive num lodo, do qual se alimenta e que, a espaços, ressurge em toda a força, ávido de presas, esganado de fomes e de raivas.
 
 
 
   E ninguém percebe bem de onde vem ou porque nasceu. Também poucos serão os que entendem de que se alimenta nas fases de semiadormecimento em que se esconde, aguardando novas vítimas. Mas está lá. Atento. Aguardando o momento certo para atacar de novo.
 
 
 
   Fala pela boca de políticos perversos, de comentadores insanos, da opinião pública desinformada que incorpora mediunicamente e repete, como que hipnotizada, os impropérios e as agressões que escutou algures a alguém. Ataca em bloco determinadas classes profissionais porque tem de exorcizar o seu mal-estar, a sua dor e a sua infelicidade. E os verdadeiros responsáveis sabem bem disso. Conhecem-lhes bem as fraquezas. Estudam-nos de há muito e riem-se na sombra perante o sucesso da manipulação. Neste caso a onda recai novamente sobre os professores, acusados de ser os mais vis seres que há na Terra, incompetentes, incapazes, impreparados, negligentes, sem vocação, preguiçosos, maus, impacientes…
 
 
 
   É como se uma lava surgisse da boca de mil vulcões contra nós. E, como num pesadelo incompreensível e caótico, se multiplicassem as chaminés vulcânicas até ao infinito.
 
 
 
   Os professores passaram a ter as culpas dos males do Mundo. E o Mundo que não pára para pensar, aplaude e adere à hedionda causa formando turbas assustadoras.
 
 
 
   Por isso, entre outros fatores que não ajudam, tenho dormido mal. Muito mal. E não porque me pese a consciência. Apenas porque a tenho apurada e sei da injustiça profunda de que estamos a ser alvo por esse mundo fora. Aliás, foi também por estes dias que um pequeno vídeo intitulado “Alternative Math” (https://www.youtube.com/watch?v=Zh3Yz3PiXZw) se tornou viral. Quem não está dentro da profissão poderá até achar alguma “graça” ao caricato de certas cenas. Mas quem sente na pele, nos ossos e na alma o verdadeiro alcance da metáfora, treme e fica com profundas dores de estômago perante a profundidade da caricatura e o terror que ela representa.
 
 
 
   É, com efeito assim, que a sociedade está a ser desenhada para encarar os professores e, aliás, de um modo geral as clássicas figuras de autoridade. Como os antigos servos da Grécia, explorados pelos senhores do poder, sem poder fazer seja o que for a não ser quase pedir desculpa por existir.
 
 
 
   “Eu, professora, me confesso”, foi o título que dei a esta breve mas profundamente sentida intervenção, porque considero que chegou o tempo dos professores confessarem abertamente as suas tremendas dores, sem receio do que se possa dizer. Porque falar contra nós, há de haver sempre quem fale, mesmo que não saiba do que está a falar.
 
 
 
   Falo da vontade de chorar quando somos insultados pelos alunos. Falo do barulho ensurdecedor nos pátios, corredores e até nas próprias aulas. Falo da falta de apoio de alguns pais na sua missão educativa. Falo da necessidade de descanso quando varamos madrugadas fora a trabalhar em projetos sem qualquer visibilidade ou recompensa curricular. Falto das despedidas de filhos, maridos, mulheres, pais, família para trabalhar a quilómetros de casa sem qualquer compensação ou ajuda de custo. Falo da falta de reconhecimento, da falta de apoio, da falta de recursos, da falta de compreensão, da falta de respeito. Falo das acusações odiosas. Falo da falta de empatia. Falo da falta de delicadeza.
 
 
 
   Mas falo também das agendas ocultas que se preparam, desde há décadas, para estourar com a Escola Pública, mesmo de parte de alguns que se arvoram em seus defensores. Falo da vontade de lançar o caos e o desrespeito para depois os cobrar aos professores. Falo da desautorização constante do nosso estatuto denunciando, logo após, que não somos capazes de manter a autoridade.
 
 
 
   Falo ainda dos equívocos no que respeita à participação das famílias na escola, quando a melhor participação que podem ter é nas suas casas, conversando e educando os filhos. Falo de algumas famílias que esperam efetivamente que a escola desempenhe o papel educativo que lhes competiria a elas, sem dar contudo à escola autorização ou competências para que o faça. Falo da ideia de que temos de suportar tudo porque “estudámos para isso”. Falo das intromissões de quem nada sabe. Da falácia das “estratégias”, palavra a que se recorre como sendo milagrosa mas que, tantas vezes, é falha de verdadeiro conteúdo. Da falta de tempo das famílias para os filhos. Do depósito de crianças, adolescentes e jovens em que um tipo desvairado de política quis tornar forçosamente a escola sob a designação pomposa de “escola a tempo inteiro”, procurando assim agradar a famílias desesperadamente sem tempo e algumas sem vontade ou capacidade para lidar com os seus mais novos e que chegou a certos delírios como os que previam quase 24H sobre 24h dos alunos na escola, defendido como se tal fosse apanágio de uma verdadeira modernidade social.
 
 
 
 
   Falo sobretudo da falta de conhecimento de quem critica. Da falta de informação profunda e abalizada. Da desinformação dolosa. Da agressão gratuita. Da raiva incontida. Do ódio peregrino. Da militância obscura.
 
 
   Falo de tudo isto e do mais que já não consigo depois de mais de 30 anos de serviço e de exaustão total. Física, para aguentar tantas horas na escola e também emocional, para suportar tanta injustiça.
 
 
 
   Por isso, eu, professora, me confesso. Me confesso do meu cansaço e do meu desgosto. Do meu desespero em perceber para onde caminhamos neste deserto de sentimentos e de empatia social. De perceber que dentro de pouco anos o sistema irá necessariamente colapsar para dar lugar à “nova ordem” que os poderosos delinearam há muito para os seus delfins, guetizando todos os outros sob a capa de uma pretensa inclusão, mas numa escola esfarrapada de recursos, desqualificada de apoios e necessariamente abandonada pelos seus melhores profissionais.
 
 
 
   Do barulho constante a quem chamam alegria. Da confusão a que chamam dinamismo. Do caos a que chamam participação espontânea. Da sobrecarga horária a que chamam oferta de escola. Da falta de liberdade de tempo – para alunos e professores - a que chamam apoios. Da necessidade dos apoios que advém da falta de clima de sala de aula. Da falta de valorização da escola, da falta de entendimento do que é efetivamente um espaço de ensino, do que é o papel de um professor e do que é a obrigação de um aluno em termos de estudo, participação e respeito. De qual é, no fundo, a natureza das suas respetivas missões.
 
 
 
   Poderei ensinar mil vezes a um aluno onde fica Portugal no Mapa do Mundo. Poderei servir-me das mais variadas estratégias, recursos, invenções, materiais pedagógicos, formas de ensinar ou motivar que, se o aluno não quiser estudar ou não sentir qualquer tipo de interesse em reter essa informação, nada haverá a fazer. E acreditem que existem muitos casos assim, como outros em que se passa totalmente o oposto, apenas devido a uma postura correta em sala de aula. Como num médico, se o doente se recusar a tomar o medicamento prescrito, não será de estranhar a ausência de cura. E é isso que muitos não aceitam - alunos, pais, famílias, opinião pública, políticos e até muitos de nós, docentes, com receio do que possam dizer, cansados que estamos da crítica constante.
 
 
 
   E é isto em que muitos se recusam a acreditar, achando sempre que a culpa é do professor que não se esforçou o suficiente. Porque é mais fácil assim, empurrando o verdadeiro problema para debaixo do tapete, escondendo-o dos olhos e da própria inteligência. E lá vêm os resultados das Provas de Aferição e o espanto de muitos como se acordassem de repente para a realidade dos factos, dando ao “monstro” novas razões para se levantar do lodo e atacar a presa.
 
 
 
 
   Por isso, é chegada a hora de dizer que a sociedade está doente e a escola está enferma. Mas não por culpa dos professores, verdadeiros enfermeiros de uma realidade que os ultrapassa e sufoca e a quem tentam constantemente remendar com o que têm à mão. Sim por culpa de décadas e décadas de caça ao voto, em que sucessivas tutelas, para agradar às famílias, levaram os professores ao altar do sacrifício, lavando depois daí as mãos como Pôncio Pilatos. E, como na cena decisiva em que a turba escolheu Barrabás em vez do Cristo, também a nós nos lançaram aos ódios da multidão para se libertarem a eles da culpa e da responsabilidade dos factos.
 
 
 
   Maus profissionais – é um clássico – existem em todas as profissões. Mas tomar uma classe inteira por atacado e atacá-la deste modo ignóbil é algo de incompreensível e que tem de ter a montante objetivos perversos que importaria descobrir e denunciar. Até porque quem fala mal dos professores deste modo abrangente, assume um papel destruidor e desagregador do tecido educativo e, portanto, é o interesse académico dos alunos que verdadeiramente põe em causa. Isto deveria ser entendido urgentemente pela opinião pública. Até porque naturalmente a quem interessará que os alunos estejam bem e tenham sucesso senão, desde logo, aos professores?
 
 
 
   Permitam-me um desabafo e uma memória feliz. Eu ainda sou do tempo em que, depois das passagens de ano, os alunos e as famílias nos traziam flores. Era tão bonito. Tenho saudades desse tempo. Não me envergonho de o dizer. Não configuraria qualquer tipo de interesse na possibilidade de uma avaliação mais positiva, já que o ano findara e a classificação tinha sido já atribuída. Era sim uma delicadeza, um carinho, uma atenção que humanizava a relação entre professores, alunos e famílias. Um reconhecimento que tinha também um papel pedagógico de deferência perante os docentes e de sensibilização dos alunos perante este facto. E maior era a comoção quando as flores nos chegavam das mãos de alunos que não tinham conseguido passar de ano mas a cujos professores, ainda assim, as famílias faziam questão de mostrar gratidão pelo esforço, empenho e dedicação demonstradas ao longo do ano para com as suas crianças e jovens.
 
 
 
   Sim, isto acontecia. E a educação processava-se de um modo fluido e conseguido. Sereno e com resultados. Mas depois tudo se tornou técnico, impessoal e desumanizado, convencidas as tutelas que assim é que era moderno e desejável. E começou a sanha contra os professores, desconsiderando-os e acusando-os perante a opinião pública como os grandes culpados dos males da sociedade. Aliás quem o fez, sabe bem o que fez, atacando o elo mais sensível e que era o garante da estabilidade das escolas: os professores. Professores até então vistos como alguém a quem se devia considerar e respeitar e, sobretudo alguém com quem se poderia aprender e olhar como um exemplo a seguir. Aliás era essa a mensagem que os pais transmitiam aos filhos e que resultava num processo harmonioso entre todos. Destruir isto que era o cerne da estabilidade educativa foi e continua a ser a agenda perversa e mais ou menos oculta de muitos decisores e elementos de poder colocados em lugares chave da nossa sociedade, nacional e internacionalmente falando.
 
 
 
   Por isso afirmo aqui que não interessa realmente aos que ocupam certos lugares de topo na hierarquia das decisões do Mundo que a situação melhore. Se quisessem verdadeiramente uma solução para a reabilitação da escola escutariam realmente os professores, procurando entender-lhes o que lhes vai na alma e, honrando a sua formação e experiência profissionais, reforçariam sem equívocos a sua autoridade na escola e na sala de aula. Reequipariam escolas e bibliotecas escolares com mais recursos, materiais e humanos. Restabeleceriam o valor do silêncio nas salas de aula e a vantagem da concentração. Sem desprimor de propostas alternativas, acabariam com o receio infundado das aulas expositivas e voltariam a promover junto das crianças o saber escutar com atenção, o pensar criticamente, o ponderar antes de se pronunciar e o saber participar de modo ordenado e organizado. Promoveriam a filosofia para crianças, os momentos de reflexão e de meditação em ambiente escolar já com provas dadas em tantas escolas. Dariam tempo aos pais para estar com os filhos e promoveriam o valor da educação, do estudo e do respeito por si e pelos outros. Permitiram aos professores e educadores ter mais tempo para pensar, preparar e corrigir atividades, serenamente, nas suas casas, de modo a dispor de uma distância crítica necessária ao desempenho específico da sua missão, longe da agitação das escolas e reconheceriam, de uma vez por todas, sem preconceitos, que o trabalho docente tem características e necessidades específicas que o tornam diferente de todos os outros. Como outros terão as suas. Diminuiriam também - mas de modo significativo (12 alunos seria o ideal) - o número de alunos por turma se realmente quisessem apostar num ensino personalizado. Dotariam verdadeiramente as escolas com técnicos em número suficiente para apoiar os alunos com Necessidades Educativas Especiais. E dignificar-se-iam, sem pestanejar carreiras e percursos profissionais.
 
 
   Responsabilizar-se-iam de um modo concreto as famílias pelo saber estar dos seus filhos e educandos, enaltecendo aquelas – e são muitas felizmente – que tanto esforço fazem para que os seus filhos consigam vencer academicamente. Valorizar-se-ia uma cultura de cordialidade e de boa educação. E, finalmente, cobrar-se-ia à sociedade, de um modo mais abrangente, a sua quota-parte de responsabilidade na educação das novas gerações, exigindo-lhe que fosse mais cuidadosa e criteriosa no que respeita às mensagens, imagens e textos que exponham situações de violência, agressividade ou grosseria, completamente impróprias para os mais novos, incapazes naturalmente de as descodificar e interpretar de um modo adequado e maduro.
 
 
   Seria também essencial que a sociedade rejeitasse, recriminasse e repudiasse profundamente esta verdadeira campanha de ódio – totalmente gratuita e generalista - para com os professores – ou para com qualquer outra classe profissional - como rejeita, recrimina e repudia – e bem – tantas outras campanhas de ódio que ameaçam a nossa sociedade e que são provenientes da má-fé, do dolo, da maldade, do preconceito, dos interesses particulares e da ignorância de alguns.>>
……………
 
 
Lisboa, 6 de Junho de 2018

Playlist - Ao deambular pelo nosso amor

Photo by Chevanon Photography from Pexels

 Photo by Chevanon Photography from Pexels

 

 

Mágico, é este tema dos Dire Sraits,

Brothers in Arms.

Ao olhar a lua, aquela carícia inesperada, em mim.

Por ti.

 

 

Mas o medo percorre-nos e o universo tem que ser nosso.

Pelo menos, nesta noite.

 

Rod Stewart - Sailing

 

 

É difícil não sentir medo ou deixarmo-nos invadir por incertezas.

Talvez, como dizem os Roxette,

 

 It must have been love

 

 

Estamos sitiados.

Não fazemos parte desta casa, deste espaço. 

Os monstros emergem de entrenhas alheias. 

Da flor que me ofereceste resta-nos inalar a sua fragrância mágica.

 

The Cars - Drive

 

 

Ambos sabemos que o Amor Dói. 

Nazareth - Love hurts

 

 Não fales.

Não digas nada.

Mergulha em mim.

 

No Doubt - Don't Speak

 

 

Também para nós há um céu.

 

Brian Adams - Heaven

 

 

Foto da capa by Scott Webb from Pexels