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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião, crítica e entretenimento

11
Mai18

A respeito da autodeterminação da identidade e expressão de género


por P. P.

 

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 Photo by Sharon McCutcheon on Unsplash

 

 

   Neste texto de opinião, não me preocuparei com as diferentes designações que têm vindo a ser atribuídos aos transexuais. Importa que o leitor entenda do que se fala, com simplicidade e clareza.

 

   Há muitos anos atrás, quase 20, tive contacto com a 1.ª amiga transexual. Na altura, admito que não sabia do que se tratava. Naqueles tempos, estes casos apenas eram confidenciados a amigos íntimos e por vezes, a um ou outro técnico de saúde.  De maneira geral, em meu entender, vivia-se na ignorância acerca da realidade dos transexuais

Uma vez que, por razões profissionais e familiares, esta minha amiga nunca fez tratamento hormonal nem de mudança de sexo, tenho vindo a acompanhar o sofrimento mais profundo de quem se sente de outro género, não podendo, em contextos triviais, manifestá-lo. O viver num mundo que não o seu, acorrentado num corpo com o qual nunca se identificou. Posso exemplificar, a recusa em usar soutien, a aversão às mamas, quantas vezes apertadas por forma a não se evidenciarem, a preferência pelas roupas masculinas e todo um conjunto de hábitos não muito associados ao género feminino, o repúdio pela menstruação e genitais,...

Que fique claro, na transexualidade não estamos perante uma orientação sexual. A minha amiga sente atração por mulheres, como homem. Toda a forma de galanteio, mimos e cortesias numa relação são "masculinas". Como tal, não há atração por uma lésbica. Dentro do corpo de uma mulher, há um homem. 

 

   O sofrimento de um transexual é atroz. O bullying começa bem cedo na escola, a rejeição pelos familiares, colegas, "amigos"... Destes atores, há quem se recuse a ver o óbvio. Também há quem procure exorcizar a identidade e a expressão de género, sem qualquer pergunta ao sujeito em causa. 

 

   Entendo que, ao longo dos tempos, o conceito e sofrimento dos transexuais tem vindo a ser "denegrido" pela pornografia. Muitas vezes, são chamados de transexuais ou até mesmo de hermafroditas, quando os "atores" estão em fase de mudança de sexo. Tal não é correto. Um transexual não tem os dois sexos e quando tal acontece, é porque um deles ainda não foi removido. Conste ainda que os transexuais não sentem atração física ou sexual por ambos os géneros. Regra geral, assistimos a "atrizes e atores" que procuram na pornografia, o dinheiro necessário à continuidade dos tratamentos. 

 

   Por mais palavras que utilize, é indescritível o sofrimento das pessoas nesta "condição". Até a religião pode ser (é!) castradora. Porém, não é de ânimo leve que se deve decidir mudar de sexo. Ao longo da adolescência existem várias dualidades e devaneios. A própria educação pode influenciar a criança/adolescente no encontro da sua identidade. Em suma, para "rotular" um transexual, é necessário passar por uma equipa de especialistas, de diferentes áreas, que emitam esse parecer. Assim, foi com a minha amiga, há tantos anos atrás. Como tal, concordo com o veto exercido pelo nosso PR à lei proposta para a mudança de sexo aos 16 anos, 

 

   Que a sociedade aprenda a respeitar os transexuais. O processo é lento, tanto a nível social como a nível das transformações no sujeito. Há que saber respeitar e compreender o que é viver acorrentado num corpo com um sexo com o qual não nos identificamos

 

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 Photo by Evan Kirby on Unsplash

08
Mai18

Série Troia - A Queda de Uma Cidade


por P. P.

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   Troia: A queda de uma cidade é uma série coproduzida entre a BBC e a Netflix, lançada nesta plataforma de streaming em simultâneo com os últimos episódios de A Casa de Papel. Provavelmente, por esta razão, passou-me despercebida, assim como a muitos dos viciados nas séries da plataforma. 

 

   Quem gostou das 3 temporadas de Spartacus, seguramente gostará desta série. Nela, assistimos ao recontar de um factos mais importantes da antiguidade, a ascensão e queda da cidade Troia, tendo como base a perspetiva da família real. Uma cidade cercada e atacada como consequência do envolvimento entre o príncipe Páris e Helena, que já era casada com Menelaus, rei de Esparta. A filha destes estava destinada a Páris, mas ele apaixonou-se pela mãe, levando-a para Troia.

 

   Mitologia, figurinos e cenários magníficos são percetíveis durante todos os 8 episódios desta minissérie. Também muitas cenas de guerra, com as armas daquele tempo. Infelizmente, não é dado lugar à perspetiva do povo.

 

Veja o trailer.

 

 

Por muito ter gostado desta série, avalio-a com 4,5 estrelas de 5.

06
Mai18

Hoje é o Dia das Mães... Guerreiras


por P. P.

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   Considero mais importante o Dia da Mãe do que o da Mulher. Todavia, longe de o considerar um dia de consumismo puro e falsas bajulações. 

 

   Distingo "mães" de "mães guerreiras". No mundo, muitas são as assimetrias que o justificam. Como tal, hoje é o Dia das Mães Guerreiras. Aquelas que,

 

- se submetem a trabalho escravo, por forma a conseguir comida para as suas crias;

 

- não obstante a pobreza, não esquecem o lanche dos filhos;

 

- sofrem discriminação, dadas as "diferenças" dos filhos, por parte dos pobres de espírito;

 

- não abortaram, sabendo que o seu filho(a) seria portador de deficiência;

 

-  todos os dias cuidam, dão carinho e alento aos filhos portadores de deficiência,seja esta grave, moderada ou ligeira, num mundo desigual;

 

- são vítimas de violência doméstica, submetendo-se a agressões mais graves, para proteger os seus descendentes;

 

- dão parte da comida do seu prato aos filhos alegando, numa mentira compreensível, não pretender "aquela coxa de frango", por não ter fome;

 

- sorriem, não obstante um percurso de vida repleto de sofrimento;

 

já perderam um descendente , parte de si, para "o reino dos céus", contrariando a ordem cronológica da vida;

 

- cuidam das mães, exercendo um papel duplo;

 

- adotaram um novo ser, no intuito de permitir um meio de afetos e expetativas futuras para quem foi, por exemplo, abandonado, o que se aplica ao homem ou mulher;

 

- não tendo parido, são mães de coração, em casos repudiados por muitos;

 

- transmitem valores, contrariando a tendência atual;

 

- sujeitam-se a violações, por parte dos cônjuges, no intuito de manter uma família;

- ...

 

A todas elas,

Um enorme abraço e todo o meu respeito!

 

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06
Mai18

Série En Immersion - no mundo das drogas a preto e branco


por P. P.

 

 

 

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   En Emmersion (2016) é uma minissérie francesa, em 3 episódios, coproduzida pelo canal ARTE, que vi na Netflix, na semana passada. Uma viagem ao novo mundo das drogas e das alucinações. O percurso de um polícia à paisana, demitido, no mundo violento do narcotráfico, filmado a preto e branco - em meu entender, o melhor desta minissérie, a par das cenas de alucinação -, envolvendo elementos de diferentes estratos sociais.

 

   Michel vive sozinho, com a filha de 16 anos. Ao ter noção de que esta tornara-se num caso de toxicodependência grave e sabendo que a morte se aproxima, dada uma doença neurológica, o nosso policial entra "imersão", para se infiltrar numa rede de concessionários, que está prestes a inundar Paris com um novo produto mortal... Muitos dos elementos desta "história" foram baseados em factos reais. Como tal, deparamo-nos com mecanismos atuais acerca de toda uma teia que abala todos os países

 

   Destaco a perspetiva perante os imigrantes ilegais e os abusos cometidos para com eles, com interpretações intensas.

 

O trailer

 

 

Avaliação: 3 em 5 estrelas.

 

04
Mai18

Desafio 52 Semanas - Sinto saudades de...


por P. P.

Desafio 52 semanas by Fátima Bento

   A falta de tempo e o estado de espírito têm-me afastado deste desafio.

Eis-me de regresso.

 

Semana 18 - Sinto saudades 

 

- Ver a minha avó sem doença de Alzheimer e brincar com ela.

 

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 - Dos tempos de criança e pré-adolescente

 

444H

 

- De ser um professor livre em criar as aulas, desenvolver o currículo

 

433H

 

- Dos tempos em que não imperava o egocentrismo

 

304H

 

- Das flores e cores da natureza, ainda sem efeito dos incêndios, pesticidas e diversas formas de poluição

 

316H

- De sentir-me feliz

 

414H

 

- De não conhecer o cancro e a doença de Alzheimer na prática, com sequência cronológica tão desgastante e concomitantes consequências.

 

399H

 

- De Amigos e conseguir sorrir, reconquistando o brilho do meu olhar.

 

242H

 

 

  Neste desafio participam, para além de mim, a 3ª face, a Ana, a Ana Paula, a Catarina, o Carlos, a Carlota, a Charneca em Flor, a Daniela, a Desarrumada, a Fátima, a Gorduchita, a Happy, a Hipster Chic, a Isabel, a Mãe A, a Mariana, a Maria Mocha, a Marquesa de Marvila, a Mimi, a Paula, a Sweetener, a Sofia, a Tatiana e a Tita

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