Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, ao deambular entre dois polos

[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, ao deambular entre dois polos

A minissérie Alias Grace

Alias Grace

 

   Alias Grace é uma minissérie, em 6 episódios, coproduzida entre a CBS e a Netflix, baseada no romance homónimo de Margaret Atwood (1996) e adaptado por Sarah Polley. No papel principal, a brilhante interpretação de Sarah Gadon. O elenco, a direção, os figurinos, a edição e a reconstituição de época são alguns dos pontos fortes para ver esta obra.

 

   Esta série retrata, num ambiente enigmático, o papel da mulher na sociedade dos meados do século XIX e a violência a que estas estavam sujeitas. Nela conta-se a história de Grace (Sarah Gadon), uma imigrante irlandesa no Canadá, desde os seus 15 anos, que está presa, acusada de matar seus patrões, Thomas Kinnear (Paul Gross) e Nancy Montgomery (Anna Paquin). A empregada que "matou os patrões" torna-se um caso de curiosidade para muitos e de condenação para outros. Um grupo de pessoas, liderado pelo reverendo Verringer (David Cronenberg), quer o perdão para Grace. Para isso, contratam o Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft), para que possam descobrir a verdade: Grace é culpada ou inocente?

 

   A interpretação de Margeret Atwood é magistral. Grande parte do seu trabalho resulta da expressão facial e do olhar. O mesmo se aplica a Anna Paquin, de O Piano, a patroa doce, ordinária, insensível, meiga e todo um conjunto de emoções que, pelo olhar desencadeia em nós

 

   Assistimos ainda aos primeiros passos da psicoterapia e à crueldade vivida nos asilos. O lugar da mulher na sociedade é discutido, em diálogos duros. De forma nua e crua é mostrado como as mulheres eram tratadas naqueles tempos e ambientes, sem direitos, abusadas, humilhadas e abandonadas. Este é o retrato de Grace, menina mulher que mostra as consequências dos abusos sofridos desde tenra idade. Por outro lado, naqueles tempos, a mulher prisioneira e desprotegida que se deparava com homens que não sabiam reagir, a não ser pela prática de abusos físicos, psicológicos e sexuais. O desejo desencadeado por Grace no "médico da mente" levam-no a mergulhar no mundo da paciente, tornando-se duvidoso, deixando de espelhar a humildade, confidencialidade e vondade iniciais. 

 

   Embora a série vá do presente ao passado e vice-versa, a forma como a diretora filma não nos deixa perdidos ou torna a minissérie enfadonha e/ou desinteressante. Além disso, a montagem com cortes rápidos, em momentos que Grace se lembra de certos detalhes e passagens da sua vida, ajuda na criação de uma grande colcha de retalhos. Colcha essa simbólica, mas também literal. Quando concluída podemos entender quem é Grace, o que só acontece no final. Uma vez mais somos desafiados por Grace a questionarmo-nos acerca de quem é ela.

 

 

 

   Para si, que já viu a série, Grace é a assassina, cúmplice, doente, injustamente envolvida nos acontecimentos ou inocente? Nas palavras dela reside a verdade ou a capacidade de dominar os outros, mérito de uma certa dose de psicopatia?

 

   O trailer

 

 

Uma das melhores séries de 2017.

À conversa com o escritor Nuno Nepomuceno

 

Nuno Nepomuceno - foto cedida pelo autor

 

 

   

   Nuno Nepomuceno é um escritor português, nascido em 1978, licenciado em Matemática. Em 2012, venceu o Prémio Literário Note com o seu primeiro romance, O Espião Português.

 

Trilogia Freelancer - O Espião Português - foto cedida pelo autor

 

 

   O seu estilo de escrita delicia-me, ao revelar-se, simultaneamente, cuidado, dinâmico e intrigante. Nas suas obras há sempre algo a aprender. Ultimamente, tenho-me debruçado nos thrillers do autor.

A religião pode mover mundos conturbados ou possibilitar, pela fé, a segurança que tantos ambicionam.

 

   Gentilmente, o Nuno Nepomuceno (N. N.) acedeu participar numa entrevista para o nosso blogue.

Vamos conhecer melhor este escritor e as obras?

Venha comigo.

 

 

P. P. : — Como é que da matemática se caminha rumo à escrita, uma área muitas vezes considerada oposta e rotulada como "inacessível" àqueles que, no 10.º ano optaram pela área científica?

 

N. N. : — Eu acredito que as duas coisas não têm necessariamente de estar desassociadas. Mais importante do que a formação científica que possuo, sou português. Como tal, julgo que tenho a obrigação de escrever e expressar-me corretamente na minha língua. É claro que para escrever um livro é preciso um pouco mais do que saber pontuar ou ter um léxico minimamente variado. Mas é um ponto de partida. Outro é a leitura. Fui habituado a ler desde bastante pequeno. A minha mãe começou por levar-me à biblioteca itinerante que passava na aldeia onde vivíamos e, a partir daí, o gosto foi crescendo até passar a um interesse. Houve um momento, que não sei precisar com exatidão, mas que situo durante a adolescência, em que comecei a sentir curiosidade sobre como seria estar do outro lado do livro, ou seja, poder ser eu a criar a história, decidir o rumo das personagens e entrar no imaginário do leitor. É por isso que escrevo, para poder tocar as pessoas.

 

 

P. P. : — Nas últimas obras que li, A Célula Adormecida e Pecados Santos, é possível, se assim o pretendermos, efetuar aprendizagens muito relevantes a respeito das religiões mais conhecidas e frequentemente envolvidas em conflitos e na (de)organização mundial, a par da escrita dinâmica.  Qual o trabalho de campo realizado para tais abordagens ou de onde emergiu o fascínio pelas temáticas em causa?

 

N. N. : — Tanto um como outro tiveram uma preparação semelhante. Comecei por decidir o tema, procurei algum material em que me pudesse apoiar, como livros ou artigos de imprensa, e fui aos locais que escolhi para cenários da ação. São exemplos as viagens que fiz a Istambul e a Jerusalém, ou as visitas à Sinagoga de Lisboa e à Mesquita Central de Lisboa. Foi da abertura dessas comunidades que surgiu parte do enredo dos livros, ou seja, foi através das conversas que mantive com os respetivos representantes e da observação que fiz dos espaços que decidi o que iria fazer com alguns capítulos. Findo este processo, passei à redação, que tentei fazer ininterruptamente sempre que foi possível. Ambos levaram cerca de quatro meses a serem escritos.

 

   Em relação à inspiração, acabou por aparecer de formas diferentes. Antes de escrever A Célula Adormecida, decidi que o livro iria ser sobre uma célula terrorista. Os grupos extremistas de inspiração islâmica acabaram por surgir de forma natural, pois na altura o auto-proclamado Estado Islâmico era continuamente referido nos serviços noticiosos. Pecados Santos foi pensado de forma diferente. A ideia de escrever mais um livro dedicado a outra das religiões monoteístas — o judaísmo, neste caso — surgiu a meio de A Célula Adormecida. Estava a ficar tão contente com o que escrevia, que achei que não poderia parar ali. Os crimes violentos e restante enredo só vieram depois. Fui à procura de algo que fosse simultaneamente surpreendente e interessante.

 

A Célula Adormecida - foto cedida pelo autor

 

Pecados Santos - foto cedida pelo autor

 

 

 

P. P.: — Como é que se consegue escrever, por forma a estimular leituras compulsivas, sou um desses casos, no que concerne à sua obra, sem perder a elegância e o estilo intimista?

 

N. N.: — Poderia dar uma resposta conveniente e dizer que é algo intrínseco, que acontece de forma natural, mas não é bem assim. Essencialmente, procuro focar-me nas personagens e trabalhá-las. Independentemente do enredo, elas serão sempre a base do livro e aquilo que nos fará ler mais, a razão pela qual nos sentimos incapazes de o largar. Se forem fracas, o livro acabará por parecer igualmente vazio, por melhores que sejam os arcos narrativos. Foi por isso que demorei doze anos a escrever a trilogia Feeelancer. O Espião Português, o primeiro volume, foi deitado fora quando eu estava a meio e reescrito após uma pausa de dois anos exatamente porque eu não fiquei satisfeito com o que escrevera na altura. Por vezes, é preciso retroceder para avançarmos de seguida.

 

 

P. P.: — Convida os leitores e seguidores deste blogue a ler os teus livros.

 

N. N.: — Não tenho muito a dizer. Considero que tenho escrito livros de qualidade, emocionantes, com enredos coesos, personagens bem trabalhadas e arcos narrativos interessantes e fortes. O resto dependerá do gosto pessoal de cada leitor.

 Muito obrigado pela entrevista. Espero que o Insensato continue por muitos mais anos e com cada vez mais leitores.

 

 

P. P.: — Obrigado, Nuno.

Sem dúvida tens alcançado os teus objetivos, ao escrever livros de qualidade e arcos narrativos fortes e fascinantes. Espero que tenhas cada vez mais sucesso e que as tuas obras, noutros países, alcancem o destaque merecido.

 

   Após a entrevista, não deixa de ser interessante como continuo a aprender com o Nuno, tendo em conta as suas respostas. Um autor que vos convido a descobrir.

 

 

*  Todas as fotografias utilizadas nesta publicação foram gentilmente cedidas pelo autor, a quem muito agradeço.

Todos os direitos das imagens estão reservados ao escritor.

A segunda parte da série A Casa de Papel

 

la-casa-de-papel-netflix parte2

 

 

 

   A 3 de fevereiro deste ano, escrevi a minha opinião acerca dos episódios da 1.ª temporada de A Casa de Papel, como pode ler aqui. Recentemente, pela plataforma Netflix, chegaram-nos os últimos 9 episódios desta mesma temporada, com uma duração máxima aproximada de 50 minutos. Isto porque, tendo a série já sido transmitida em Espanha, pela Antena 3, a integração na plataforma de streaming exigiu novas dinâmicas, gravações e trabalho de edição. Como tal, mantém-se a incógnita referente a uma 2.ª temporada, até porque esta série tem um ano e já vimos alguns dos seus atores envolvidos em outros projetos da A3Series, canal da Antena 3 dedicado a seriados.  Sabe-se que alguns dos atores deste projeto participarão em outro, também para a Netflix

 

   Ao longos destes 9 episódios continuamos a acompanhar El Professor e os seus jogos mentais com a detetive Raquel Murillo. Isto para, com o grupo conseguir sair de lá com uma fortuna de 2,4 mil milhões de euros. Eis o trailer.

 

 

   A Casa de Papel teve a capacidade de jogar com a nossa identidade, humanizando as suas personagens, o que dificulta discernir os bons dos maus. Quantas vezes, não ficamos do lado dos assaltantes?

Sentimentos, ação, mortes e novos ingredientes apimentam a série. No final, a passagem de alguns dos "bons" para o lado dos "maus", num enredo muito bem construído. 

 

   Como se pode constatar, neste blogue muitas são as séries espanholas, europeias e da América Latina de que aqui falo. Acredito que o telespetador está saturado das "grandes" produções americanas, com personagens pouco densas e pouco humanizadas, incapazes de "interagir" com o público. Afinal, como explicar o sucesso de A Casa de Papel? Quantos não têm vindo a descobrir a qualidade das séries produzidas pelos nuestros hermanos?

Série - Requiem

Requiem

 

 

 

   Na semana passada  assisti aos 6 episódios da minissérie da BBC, disponível na Netflix, desde março, Requiem.

Um drama de terror psicológico fantástico. Quantos sustos! Neste conta-se a história de Matilda Gray, uma violoncelista londrina que, ainda a lidar com o inusitado e assustador suicídio da mãe, começa a investigar o seu envolvimento no caso do desaparecimento de uma criança no País de Gales, ocorrido há 23 anos atrás. Cada descoberta leva-a a ambientes mais assustadores e a uma maior rejeição por parte da comunidade local.

 

A minissérie foi criada por Kris Mrksa e o elenco conta com Lydia Wilson, James Frecheville, Sian Reese-Williams, Brendan Coyle, Joel Fry, Tara Fitzgerald e Richard Harrington. 

 

Está disponível para enfrentar uma seita religiosa e o poder demoníaco?

O que acontece quando roubam o anjo que há em nós?

 

Avaliação: 4,5 em 5 estrelas.

 

Veja o trailer.

 

 

 

Legendado em Português do Brasil

 

 

 

 

Síntese dos episódios

 

Episódio 1 – “Matilda”
A violoncelista Matilda faz uma descoberta estranha que a leva a querer saber mais sobre o passado de sua família.

 

Episódio 2 – “O quarto azul”
Enquanto Matilda investiga o desaparecimento de Carys Howell e os segredos ocultos na mansão, a polícia e os moradores deixam claro que ela não é bem-vinda naquela comunidade.

 

Episódio 3 – “O colar”
Matilda confronta Rose, descobrindo mais tarde um elo entre esta e a família Dean. Trudy revela a Matilda a sua história com Carys.

 

Episódio 4 – “Blaidd Carreg”
A pesquisa de Matilda e a sua conexão com um aliado inesperado, ajudam-na a encontrar sentido em alguns dos aspetos sinistros que ela tem vindo a descobrir.

 

Episódio 5 – “Bessie”
Laura avisa Matilda que o perigo está próximo. Hal faz algumas investigações por conta própria.

 

Episódio 6 – “Carys”
À medida que os segredos vão sendo do conhecimento da comunidade, Matilda está determinada a proteger David e recusa-se em partir; apesar de Sean lhe ter dito que a sua vida está em perigo.

 

 

 

Opinião - A Mantis

la mante

 

 

   A Mantis é uma minissérie de 6 episódios coproduzida entre a Netflix e a TF1

 

   Há 20 anos atrás, uma criminosa em série aterrorizou o país, assassinando homens de forma hedionda, os quais praticavam "delitos" familiares. Dos seus alvos constavam violadores ou molestadores de menores, maridos infiéis, ... Todos os crimes seguiram o ritual da Louva-a-deus, o que acabou por designar o caso e a criminosa. 

 

Passado este tempo, nova onda de crimes começa a aterrorizar França. Todos eles praticados com base nos praticados há 20 anos atrás. A Mantis oferece-se para colaborar com a polícia, ajudando a descobrir o (a) serial killer, desde que do caso faça parte o seu filho, elemento da polícia que a odeia e evita ser associado a tal pessoa, dizendo ter perdido a mãe num acidente de avião. Este acaba por aceitar desde que a equipa não saiba quem é a sua progenitora. 

 

   Os dois primeiros episódios pareceram-me aborrecidos. Contudo, quando o mistério se intensifica, é impossível deixar de acompanhar a série. Por vezes, o perigo está ao nosso lado. Há ainda um elemento desconhecido que impulsionou o desenvolvimento da personalidade de A Mantis. Da mesma forma, o (a) seu (sua) seguidor(a) é alguém que foi, no passado, liberto(a) por ela do sofrimento causado por um pai abusador. Só que, neste caso, as vítimas não eram agressores(as)...

 

Veja o trailer

 

 

Avaliação: 3,5 em 5 estrelas.

Opinião - Deep Water

Deep-Water

 

 

 

   Deep Water é uma minissérie Australiana, de 2016, em 4 episódios, do fórum criminal, baseada em acontecimentos reais. E esta é, em meu entender, a principal razão conducente ao visionamento destes 4 momentos intrigantes, de ação moderada. 

 

   Recentemente adicionada ao catálogo Netflix Portugal, o programa já passou no Sundance TV Portugal, atualmente disponível na operadora NOS.

 

   Numa zona de encontros esporádicos entre homossexuais, crimes hediondos e de ódio começam a ter lugar. Curiosamente, o ocorrido vai levar a inspetora a descobrir o sucedido com o seu irmão há 20 anos atrás. A fundamentação real dos acontecimentos reais pode ser lida em Deep Water: were 30 unsolved Sydney deaths really gay hate crimes?

 

   Independentemente da orientação sexual, fica presente o risco que corremos ao utilizar aplicações de encontros. Isto porque, acredito que atualmente todos temos presente a real existência de psicopatas e seguidores de filosofias pouco éticas. No decorrer dos quatro episódios, embora designem a APP por um nome inexistente, a sua correspondente real é o Grindr . Faço esta referência para que, sobretudo os mais jovens (e não só) tenham cuidado com os encontros que agendam, mesmo que os corpos esculturais correspondam à realidade. O perigo existe. O ódio existe!

 

Assista ao trailer.

 

 

 

Pessoalmente, adorei o final da série.

 

Avaliação: 4 em 5 estrelas.

 

Pág. 2/2