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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, ao deambular entre dois polos

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Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, ao deambular entre dois polos

A Nu - o Fotógrafo Paulo Madeira

   Paulo Madeira (P.M.) é um fotógrafo português que prima pela ousadia nas suas produções. Ao seu olhar, um falo pode adquirir uma dimensão artística significativa.

Pessoalmente, adoro os seus trabalhos a P&B. Uma das suas galerias está disponível, online, aqui.

 

Vamos conhecê-lo melhor?

Preparem-se para, além de conhecer o fotógrafo, aprender.

 

Fotógrafo Paulo Madeira

 

 

 

 

P.P.: — Quem é o fotógrafo Paulo Madeira?


P.M.: —
A luz é por defeito o agente primordial do universo visual, dela dependem todos os mecanismos de ver e de olhar...Por vezes, as relações presentes no meu trabalho, passam particularmente pelo registo do tempo num processo criativo, descobrindo a beleza do corpo humano e os seus gestos eróticos nas suas sombras mais subtis, desde a intimidade silenciosa, meditação até ao desejo confessado e dedicação sem limites!
Tenho 39, sou de Alcobaça e sempre fui um apaixonado por fotografia, aliás tudo o que esteja relacionado com as artes eu tenho um certo jeito! Fiz ballet clássico e contemporâneo, mas, foi na fotografia que expressei mais a minha veia artística, transpondo por norma, personagens criadas por mim ou imaginadas, nas pessoas que fotografo. Sou uma pessoa igual a muitas outras, em que a criatividade parece fluir sem ter fim!

 

De Paulo Madeira

 

P.P.: — Quais são os tipos de trabalhos que preferes realizar?

P.M.: — Dentro de muita coisa, possível e imaginária que se possa fotografar, é nas pessoas que a minha veia artística mais se nota. Particularmente nos retratos! Fazer um bom retrato é quase que absorver a alma da pessoa e transpô-la para a fotografia.

 

Retrato por Paulo Madeira

 

P.P.: — Regra geral, o corpo da mulher é mais fotografado do que o do homem. Alguns autores defendem a beleza nas simetrias, outros a harmonia num só corpo. A tua fotografia incide sobretudo em modelos masculinos. Que aspetos valorizas no corpo do homem como veículo artístico?

P.M.: — Penso que tanto no Homem, como na Mulher o veículo artístico é o mesmo, a sensualidade, o olhar, a forma do corpo, seja ele magro, gordo ou definido… O olhar é que manda e é ele que transmite para a fotografia a sensualidade da imagem que vemos. Muitas vezes fotografamos Homens com corpos esculturais e depois não conseguem expressar sensualidade com o olhar, logo poucas fotos se conseguem aproveitar, porque o bolo é um todo, como a fotografia é feita com luz e sombra!

 

Fotografia de Paulo Madeira

 

 

P.P.: — Enquanto artista, quais são as dificuldades com que te deparas?

P.M.: — Grande parte das pessoas que fotografo, são pessoas amadoras, que vem fazer fotografia porque o amigo também veio e ficou bem, ou porque gostam do meu trabalho e querem experimentar e assim ficam com fotografia de qualidade! Um dos problemas que encontro é esse mesmo, é ter de ser eu a montar o boneco todo, desde a escolha das roupas, dar um toque no cabelo, make up, direcionar o modelo para conseguir os melhores ângulos, faze-lo rir, chorar, gritar, corar…deitar cá para fora tudo aquilo que eu quero registar! E nem por vezes é fácil.

Depois, outro problema com que me deparo, é que por mais que divulgues os trabalhos, ainda há quem pense que fazemos fotografia para passar o tempo, e que não tem custos! Hoje em dia, a oferta fotográfica é enorme, e cada vez menos as pessoas gastam dinheiro para vir fazer sessões de fotos!

 

Fotografia de Paulo Madeira

 

P.P.: — Os Portugueses ainda revelam muitos complexos com a sua sexualidade?

P.M.: — Sim! Grande parte dos Portugueses não mostram aquilo que na verdade são. Aí está um outro problema! A falta de confiança em si mesmo, a afirmação…. Em não se darem a conhecer aos outros por causa da sociedade, da religião, credo,... sei lá. Muitos andam camuflados e vivem aterrorizados com medos disto e daquilo.

A fotografia como terapia nestes casos funciona, e através dela as pessoas mostram o que na vida real ou no mundo lá fora nunca vão mostrar. Fora isso, o Homem português continua a ser o mais inibido e a esconder algo que todos os homens têm igual. É nisso que são complexados, no tamanho de pénis: uns porque é grande, outros porque é pequeno.. Lá está, conhecem-se mal a eles próprios!

 

Fotografia de Paulo Madeira

 

Muito obrigado, Paulo pela colaboração e cedência das obras para o blogue.

 

Para finalizar, um slideshow com algumas obras deste excelente fotógrafo.

 

 

 

 

 

INXS - Beautiful Girl

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Ainda se recordam dos tempos em que as músicas de amor nos faziam ir além da racionalidade? E de quando, ao som do programa Oceano Pacífico deambulávamos por devaneios idílicos?

 

A memória que vos trago é da 1.ª metade dos anos 90, mais especificamente de 1992, interpretada pelos INXS.

 

 

Letra

 

 

 

A supremacia dos Raros ao sabor do país

   A respeito do caso Raríssimas, acabei de ler um artigo no Jornal i, no qual o Ex-presidente do Conselho Fiscal defende Paula Brito e Costa.

 

 

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É difícil acreditar que a dirigente de uma instituição tão importante quanto a citada possa ter cometido os abusos de que é acusada. Só que "difícil" não significa "impossível". Aquilo que somos, os nossos valores e a nossa educação podem tornar-nos abutres deslumbrados, alheios à realidade, independentemente das nossas origens. Neste caso, a Sr.ª em causa começou por trabalhar num quiosque, como se pode ler aqui. O anseio por uma vida de luxo parece cativar muitos. Operar metamorfoses, inclusive.  São felizes?

 

   Do parecer do ex-presidente do Conselho Fiscal considero hilariantes as afirmações, de acordo com a publicação mencionada:

 

- "Existindo essas coisas como compra de roupa e compras de gambas... tudo isso no cômputo geral não tem expressão"

 

- "Uma pessoa nestas funções tem de estar em reuniões, receber convidados, nunca fui questionado se devia ou não comprar vestidos ou pô-los na contabilidade, mas compreendo que uma pessoa nestas funções tem necessariamente de andar de uma maneira luxuosa, tem de andar bem vestida"

 

   Por acaso, nos nossos dias, estar apresentável exige tamanhos dispêndios? Tenhamos como exemplo alguns elementos das Casas Reais da Europa. O que visto e o que como devem advir de rendimentos que não me pertencem? A isto não se chama roubo? Ou é mais elegante dizer "abuso do poder"?

Qualquer pessoa que trabalhe com crianças e sobretudo com determinados portadores de deficiência, dificilmente consegue estar "impecável". Refiro-me a quem trabalha no terreno, onde incluo assistentes sociais e todo um conjunto de técnicos. Esta é uma forma de distinguir quem exerce funções para cativar os outros e que de facto se preocupa, toca, brinca, dá comida, dá a mão... Tanto há a dizer a este respeito, mas fico-me por aqui.

 

   Acredito que todos nós já ouvimos histórias acerca de abusos cometidos nesta e naquela instituição. Casos pontuais, ou não, quase sempre abafados por algum superior que ameaça o futuro de quem denuncia, ainda que dentro da instituição. Felizmente, e com conhecimento de causa, existem sempre aqueles que ajudam dentro das instituições. Muitas vezes, pessoas que quase não têm para elas, mas que de casa levam bens essenciais, contentado-se com o sorriso ou afeto de quem ajudam ou dividem o que têm. Pessoas que não se destacam ou valoriam nas redes sociais por atos de mérito. Neste ponto, comprova-se que não podemos generalizar o todo.

 

Todavia, há que ter presente que "a perfeição não existe". 

Não deixemos de lutar contra os "raros" que proliferam, na defesa de quem realmente merece os nossos cuidados e serviços. E esta é uma das instituições que deve ser acarinhada, como se pode ler aqui, bem como tantas outras. Medidas de fiscalização e outras perentórias devem ser levadas avante, para que um povo sólidário, não deixe de acreditar.

 

 

À conversa com o artista plástico João Galrão

 

 

   João Galrão (JG) é um dos mais conhecidos artistas plásticos Portugueses. Formado pelo Ar. Co, em 2001, no Curso avançado de artes plásticas, a sua presença na internet faz-se sentir nas diferentes redes sociais.

 

 

João Galrão na Vernissage

 

 

 

PP: — De onde surgiu o teu interesse pelas artes?

JG: — O meu interesse pelas artes surgiu muito cedo, ainda em criança, talvez de forma inesperada. Era o melhor aluno da minha turma, a desenho. Mais tarde, já na adolescência, trabalhei numa fábrica de mármore, a bojardar pedra e a polir balaústres. Aqui tive o meu primeiro contacto com outra parte da matéria-prima. Anos depois, apesar de ter andado perdido na área de contabilidade, por insistência materna, iniciei um curso profissional de restauro do património, onde tive contacto com vários outros materiais e de onde surgiu este bichinho mais forte pela arte. Comecei a levá-la mais a sério, iniciando em seguida o curso superior em artes plásticas (Ar.co).

 

Obra de João Galrão

 

 

PP: — Quais são as principais dificuldades com que te deparas, como artista, no nosso país?

JG: — Umas das maiores dificuldades é sem duvida a financeira, pois temos visibilidade, mas não um ordenado conducente, ao fim do mês. Vivemos num país onde se paga 800€ por um telemóvel, o que já acham caro para uma obra de arte. Também acho que a imprensa nacional se mostra inerte. Ao expor numa coletiva, num Museu conhecido, como o do Chiado, nenhum jornalista teceu qualquer critica ou comentou as minhas peças. Como já referi, o nome é uma sorte, mas gostaria de ver uma abordagem mais profunda da mesma, é o país que temos.

 

Obra de João Galrão