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[In]sensato

O (in)correto deambula entre nós

[In]sensato

O (in)correto deambula entre nós

Naquele Inverno, Naquele Inferno

 

monumento de homenagem aos combatentes do ultramar by PP

 Monumento de homenagem aos ex-combatentes na Guerra do Ultramar, Santa Comba Dão, por PP

 

   A Guerra do Ultramar é uns dos momentos que mais dificuldade tenho em compreender na nossa história. Jovens, muitos deles sem nunca terem saído das suas pequenas aldeias e meios rurais, viram-se condenados a uma viagem, para muitos sem retorno, para um Continente desconhecido, com diferentes culturas, hábitos... Jovens que nunca tinham utilizado uma arma e muito menos matado alguém para sobreviver. Jovens submetidos à lei da Selva cujos traumas persistiram (persistem) até ao último suspiro. 

   Recordo, do álbum de fotografias do meu pai, referente a esta fase, algumas sinalizadas com "aqui vi a morte". Adolescentes que pisaram minas e de um futuro promissor nada restou. Talvez a lágrima e o sufoco dos familiares. 

 

   Se a Guerra não teve sentido, o prémio recebido por representar a Pátria (qual?) foi ainda mais dúbio, nada, nem uma medalha de cortiça. Assim se apaga o passado e perpetuou a dor de muitos. 

 

   Um dos melhores temas e letras a respeito deste tema que conheço pertence aos Delfins. Aqui, deixo a interpretação original seguida da dos Resistência, ao vivo. 

 

 

 Uma homenagem a todos os nossos heróis esquecidos!

 

Fonte da capa, aqui

A letra 

Há sempre um piano
um piano selvagem
que nos gela o coração
e nos trás a imagem
daquele inverno
naquele inferno

Há sempre a lembrança
de um olhar a sangrar
de um soldado perdido
em terras do Ultramar

 

por obrigação
aquela missão

Combater a selva sem saber porquê
e sentir o inferno a matar alguém
e quem regressou
guarda sensação
que lutou numa guerra sem razão...
sem razão... sem razão...

Há sempre a palavra
a palavra "nação"
os chefes trazem e usam
pra esconder a razão
da sua vontade
aquela verdade

E para eles aquele inverno
será sempre o mesmo inferno
que ninguém poderá esquecer
ter que matar ou morrer
ao sabor do vento
naquele tormento

Perguntei ao céu: será sempre assim?
poderá o inverno nunca ter um fim?
não sei responder
só talvez lembrar
o que alguém que voltou a veio contar... recordar...
recordar...
Aquele Inverno

 

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