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Insensato

(In)correto com sentimento.

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29
Ago17

Dos Blocos Pedagógicos da Porto Editora - O que Realmente Importa

PP

 

 

20170404_164028 do meu arquivo pessoal - 3C

 

 

 

 

   Nos últimos dias, a publicação dos blocos pedagógicos, destinados a rapazes e a meninas do Pré-Escolar (o masculino de meninas não é "meninos"?), pela Porto Editora, e concomitante recomendação para retirada dos mesmo do mercado, têm vindo a ocupar várias linhas na blogosfera e ainda um  espaço televisivo considerável. Se todos temos direito a uma opinião, no contexto educativo são as especializadas aquelas que têm mais valia, em áreas fulcrais para o bom desenvolvimento do ser humano. E de facto, estas têm sido quase inexistentes. Sim, Ricardo Araújo Pereira, por exemplo, não é da área da Educação ou da Saúde Infantil, e à semelhança de tantos outros, não sabemos quais os interesses que se podem esconder na tomada de determinada postura. Quem empregam as editoras? Para a publicação de blocos pedagógicos e outros recursos didáticos qual é o currículo exigido? O que se ganha na venda de um livro? Quais são as etapas até que um llivro de tarefas seja lançado no mercado? Os autores têm conhecimento prévio das ilustrações? Nunca os media exigiram tanto espírito crítico e de filtragem de conteúdos, como nos nossos dias. 

Não abnegemos que muitos são os pais sem recursos económicos por forma a adquirirem um ou outro bloco para os seus descendentes. Neste momento, recordo, na passada feira do livro da minha Escola, uma criança dos seus 4 anos que chorava por não poder levar um pequeno livro de €3. 

 

   Infelizmente, também a minha opinião não é especializada. Neste domínio do ensino, apenas exerci funções como professor de educação especial. Constatei que, nas salas de aula, as tarefas não são propostas em função do género. Na verdade, todos têm tempo para experimentar aquilo que supostamente é para menino e para menina. A problemática está no número de alunos por sala, o que se estende aos restantes Ciclos de Ensino. Como realizar um trabalho diferenciado, atender as diferentes necessidades das crianças... Deste problema não se fala. 

 

   Não sou a favor de manuais orientados para um sexo. Deve haver liberdade de escolha. Contudo, e apesar de não concordar com os blocos pedagógicos lançados, sou contra a proibição da presença destes no mercado. A proibição levanta precedentes. Por outro lado, os profissionais sabem organizar as tarefas por forma a irem ao encontro da população-alvo. Acredito que o mesmo acontece com muitos pais, mas nem todos. A educação das crianças e adolescentes está cada vez mais delegada à escola, até porque "quem faz um filho fá-lo por gosto" (Ary dos Santos).Este é outro problema que tem vindo a ocupar reuniões de docentes, sem quaisquer avanços. Afinal, é algo de que também não importa falar

 

   Relativamente ao grau de dificuldade das tarefas em função do género, dado não ter os Blocos para análise, convém referir que uma estrutura circular não oferece o mesmo grau de dificuldade que uma quadrangular. Não posso concordar com o incentivo, se assim se pode dizer, a que as meninas se juntem a outras e os meninos a outros. Assista-se à prestação da presidente da CCIG, na na SIC Notícias e a notícia que aponta para os exemplos de segregação promovidos por estes blocos. Um ponto interessante, a CIG sugeriu a formação de um só Bloco de atividades (atualização em 29/09, às 20h de acordo com a notícia destacada). O parecer técnico desta Comissão pode ler-se aqui ou em Parecer Técnico conteudos Blocos Atividades_Porto Editora 23Agosto2017 .

 

 

   Um parecer que me parece sensato é o do Dr. Alberto Frias, numa entrevista ao Expresso, designada por O Boletim de Saúde Infantil e Juvenil sempre foi cor-de-rosa para as meninas e azul para os meninos . De facto, reorganizar as tarefas dos blocos pedagógicos em causa, é uma solução que invalidada a proibição. Esta remete-me para o Estado Novo, embora inúmeras sejam as situações que fazem-me duvidar de um Estado Democrático. Tão ou mais importante, é rever os currículos das diferentes disciplinas, por ano de ensino. As crianças, desde muito cedo, vivem enjauldas nas salas de aula, sem brincar, sejam meninas ou meninos, não vivendo a infância na íntegra. Mais tarde, as discussões típicas entre jovens adolescentes também não são levadas a cabo, uma vez mais, dado o tempo destes estar ocupado entre aulas e atividades extracurriculares. Quando é que estes poderão ser? O que esperar de gerações que são fruto de decisões de quem não trabalha no terreno ou finge ter ligações diretas com quem o faz? Que nunca treparam a uma árvore, brincaram às escondidas ou erraram no intuito de aprender com o erro? Que desconhecem a frustração?

 

   A democracia, no seu conceito de conceder o direito a todos de opinar, tem limites. Para o fazermos, há que procurar estar informados e aceitar a opinião de outros, sem lhes faltar ao respeito. As palavras têm poder! A problemática que se nos depara vai além das diferenças de género. Importante seria que aquilo que importa não fosse esquecido.

 

 

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