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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular entre pólos

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Análise do documentário Dream Boat

   Dream Boat (2017) é um filme ao estilo documentário, de 1h 35 min de duração, dirigido por Tristan Ferland Milewski, para maiores 18 anos, com o apoio dos canais ArteCanal + francês. É falado em inglês, alemão, francês e árabe, fruto da origem dos seus intervenientes, pessoas com um denominador comum, a orientação sexual. Por cá, encontramo-lo desde dezembro, na Netflix

 

   Uma vez por ano, o Dream Boat, o único cruzeiro para homossexuais masculinos, na Europa, parte numa viagem marítima pela costa do Mediterrâneo. Mais de 2 500 passageiros aguardam a sua partida.

 

Dream Boat

 

 

 

Entre eles estão cinco homens, de cinco países diferentes, num processo libertador de ócio que assenta à fuga do quotidiano, às restrições familiares e políticas. No fundo, mantêm-se as questões pessoais, as dúvidas e problemas, como se de endoparasitas se tratasse. Quando se vive acorrentado, a dor está sempre presente, independentemente do ambiente  alegre (gay) e do glamour. Veja o trailer:

 

 

 

 

   A ação começa com o embarque dos passageiros em flip-flops e tops. Um par com roupas náuticas cumprimenta velhos amigos com beijos e taças de champanhe. Já no cruzeiro, a conversa cresce à medida que pequenas multidões se formam, num grande mar de sorrisos excitados. Aqui, assistimos a um movimento da câmara que da multidão acaba por focalizar-se nos 5 homens citados. Destes, fazem parte um passageiro indiano, no seu primeiro cruzeiro gay, um francês portador de deficiência que está determinado a divertir-se, um polaco que procura a alma gémea, um palestino que se mudou para a Bélgica, por forma a libertar-se dos movimentos políticos e religiosos e um fotógrafo austríaco, bem parecido, para o qual todos posam. Desconhecendo o nome destes personagens, estes homens começam a surgir através de suas histórias.

 

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   Tristan Milewski não aborda diretamente questões de raça e origem étnica, mas explora os pensamentos dos intervenientes sobre o amor e o status de HIV. A cultura mainstream gay é também retratada. 

 

 

   Algumas das entrevistas mais "difíceis" sugerem que Milewski gostaria que Dream Boat fosse mais substancial, impulso mantido, parte do tempo, com cenas de festas noturnas, campeonatos de corrida em salto alto, engates à beira da piscina e os passageiros repletos de acessórios, o que, em meu entender, por vezes se confunde com o mundo transformista.

 

DreamBoat 2

 

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Esta necessidade de capturar tantas perspetivas diferentes dilui a intensidade de alguns dos sentimentos de solidão dos homens e o medo da rejeição. Contudo, são exatamente estes sentimentos e medos que validam este documentário, mostrando que uma orientação sexual não é uma escolha.

   

 

 

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