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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular entre pólos

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Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular entre pólos

À conversa com o escritor Nuno Nepomuceno

 

Nuno Nepomuceno - foto cedida pelo autor

 

 

   

   Nuno Nepomuceno é um escritor português, nascido em 1978, licenciado em Matemática. Em 2012, venceu o Prémio Literário Note com o seu primeiro romance, O Espião Português.

 

Trilogia Freelancer - O Espião Português - foto cedida pelo autor

 

 

   O seu estilo de escrita delicia-me, ao revelar-se, simultaneamente, cuidado, dinâmico e intrigante. Nas suas obras há sempre algo a aprender. Ultimamente, tenho-me debruçado nos thrillers do autor.

A religião pode mover mundos conturbados ou possibilitar, pela fé, a segurança que tantos ambicionam.

 

   Gentilmente, o Nuno Nepomuceno (N. N.) acedeu participar numa entrevista para o nosso blogue.

Vamos conhecer melhor este escritor e as obras?

Venha comigo.

 

 

P. P. : — Como é que da matemática se caminha rumo à escrita, uma área muitas vezes considerada oposta e rotulada como "inacessível" àqueles que, no 10.º ano optaram pela área científica?

 

N. N. : — Eu acredito que as duas coisas não têm necessariamente de estar desassociadas. Mais importante do que a formação científica que possuo, sou português. Como tal, julgo que tenho a obrigação de escrever e expressar-me corretamente na minha língua. É claro que para escrever um livro é preciso um pouco mais do que saber pontuar ou ter um léxico minimamente variado. Mas é um ponto de partida. Outro é a leitura. Fui habituado a ler desde bastante pequeno. A minha mãe começou por levar-me à biblioteca itinerante que passava na aldeia onde vivíamos e, a partir daí, o gosto foi crescendo até passar a um interesse. Houve um momento, que não sei precisar com exatidão, mas que situo durante a adolescência, em que comecei a sentir curiosidade sobre como seria estar do outro lado do livro, ou seja, poder ser eu a criar a história, decidir o rumo das personagens e entrar no imaginário do leitor. É por isso que escrevo, para poder tocar as pessoas.

 

 

P. P. : — Nas últimas obras que li, A Célula Adormecida e Pecados Santos, é possível, se assim o pretendermos, efetuar aprendizagens muito relevantes a respeito das religiões mais conhecidas e frequentemente envolvidas em conflitos e na (de)organização mundial, a par da escrita dinâmica.  Qual o trabalho de campo realizado para tais abordagens ou de onde emergiu o fascínio pelas temáticas em causa?

 

N. N. : — Tanto um como outro tiveram uma preparação semelhante. Comecei por decidir o tema, procurei algum material em que me pudesse apoiar, como livros ou artigos de imprensa, e fui aos locais que escolhi para cenários da ação. São exemplos as viagens que fiz a Istambul e a Jerusalém, ou as visitas à Sinagoga de Lisboa e à Mesquita Central de Lisboa. Foi da abertura dessas comunidades que surgiu parte do enredo dos livros, ou seja, foi através das conversas que mantive com os respetivos representantes e da observação que fiz dos espaços que decidi o que iria fazer com alguns capítulos. Findo este processo, passei à redação, que tentei fazer ininterruptamente sempre que foi possível. Ambos levaram cerca de quatro meses a serem escritos.

 

   Em relação à inspiração, acabou por aparecer de formas diferentes. Antes de escrever A Célula Adormecida, decidi que o livro iria ser sobre uma célula terrorista. Os grupos extremistas de inspiração islâmica acabaram por surgir de forma natural, pois na altura o auto-proclamado Estado Islâmico era continuamente referido nos serviços noticiosos. Pecados Santos foi pensado de forma diferente. A ideia de escrever mais um livro dedicado a outra das religiões monoteístas — o judaísmo, neste caso — surgiu a meio de A Célula Adormecida. Estava a ficar tão contente com o que escrevia, que achei que não poderia parar ali. Os crimes violentos e restante enredo só vieram depois. Fui à procura de algo que fosse simultaneamente surpreendente e interessante.

 

A Célula Adormecida - foto cedida pelo autor

 

Pecados Santos - foto cedida pelo autor

 

 

 

P. P.: — Como é que se consegue escrever, por forma a estimular leituras compulsivas, sou um desses casos, no que concerne à sua obra, sem perder a elegância e o estilo intimista?

 

N. N.: — Poderia dar uma resposta conveniente e dizer que é algo intrínseco, que acontece de forma natural, mas não é bem assim. Essencialmente, procuro focar-me nas personagens e trabalhá-las. Independentemente do enredo, elas serão sempre a base do livro e aquilo que nos fará ler mais, a razão pela qual nos sentimos incapazes de o largar. Se forem fracas, o livro acabará por parecer igualmente vazio, por melhores que sejam os arcos narrativos. Foi por isso que demorei doze anos a escrever a trilogia Feeelancer. O Espião Português, o primeiro volume, foi deitado fora quando eu estava a meio e reescrito após uma pausa de dois anos exatamente porque eu não fiquei satisfeito com o que escrevera na altura. Por vezes, é preciso retroceder para avançarmos de seguida.

 

 

P. P.: — Convida os leitores e seguidores deste blogue a ler os teus livros.

 

N. N.: — Não tenho muito a dizer. Considero que tenho escrito livros de qualidade, emocionantes, com enredos coesos, personagens bem trabalhadas e arcos narrativos interessantes e fortes. O resto dependerá do gosto pessoal de cada leitor.

 Muito obrigado pela entrevista. Espero que o Insensato continue por muitos mais anos e com cada vez mais leitores.

 

 

P. P.: — Obrigado, Nuno.

Sem dúvida tens alcançado os teus objetivos, ao escrever livros de qualidade e arcos narrativos fortes e fascinantes. Espero que tenhas cada vez mais sucesso e que as tuas obras, noutros países, alcancem o destaque merecido.

 

   Após a entrevista, não deixa de ser interessante como continuo a aprender com o Nuno, tendo em conta as suas respostas. Um autor que vos convido a descobrir.

 

 

*  Todas as fotografias utilizadas nesta publicação foram gentilmente cedidas pelo autor, a quem muito agradeço.

Todos os direitos das imagens estão reservados ao escritor.

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