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[in]Sensato

Momentos de reflexão, opinião e entretenimento, no deambular entre pólos

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A realidade no universo de muitos professores

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   O lançamento das listas de concurso provisórias ou definitivas referentes à colocação de professores são momentos de terror. 

   Em 1.º lugar, começamos por recear qualquer tipo de exclusão. Depois, a existência de qualquer erro, além de já nos termos habituado, docentes do ensino público, a sermos ultrapassados, em muitos casos, de forma grotesca, por antigos professores do ensino privado, que durante anos trabalharam perto de casa. Para que conste, em 20 anos de serviço, as minhas colocações sempre distaram distâncias superiores a 100 Km de casa.

   Seguem-se os calafrios, como os que senti no ano passado, ao constatar ter-me enganado a concorrer. De 110 km de casa passei a 175...A esperança de qualquer aproximação parece um sonho numa noite de verão. Há então medidas a tomar, contactar a escola para aceitar a colocação, fazê-lo na plataforma, procurar casa, rezando para conseguir uma renda acessível e dar lugar a toda a mobilidade de tralha laboral e de outra ordem. Espera-se ainda que as pessoas da região de colocação sejam acessíveis, uma vez que das Escolas já não esperamos muito. Quem será o primeiro a tentar pisar-nos? Estaremos à altura para responder e com as devidas condições de saúde mental e física?

   Na generalidade, as semanas são passadas fora do nosso seio familiar, atualmente repletas de documentação desnecessária e que nos preenche todo o tempo. Aquele que devíamos destinar à preparação de aulas e produção de novos materiais. Há que desenvolver as destrezas de psicólogo, por forma a dar resposta às situações mais inusitadas com as quais nos deparamos em alguns seios familiares. Para não falar de alunos que necessitam de acompanhamento e não o têm. Rezamos ainda para, das nossas turmas, não fazerem parte pais com traumas passados em relação a antigos professores ou com determinadas patologias; pois também os há. Por exemplo, aqueles que ganham a vida a provocar professores, auxiliares, pessoas da região para, perante uma reação, conduzirem a situação a tribunal, no intuito de ganhar alguns euros. 

   No caso de professores que lecionem mais do que uma disciplina, resta-lhes a esperança de, ainda que em diferentes níveis, lhes seja atribuída uma só. Quantas mais disciplinas, mais reuniões idiotas, das quais não resulta nada a não ser a exposição dos Egos de alguns. 

   Entretanto, como viver perante tamanha instabilidade durante tantos anos?

Acampar, refutar a criação de uma família, tirar um curso de defesa pessoal, aprender a ignorar os lambe-botas e os que se dedicam à maledicência, frequentar terapia de casal, ...

 

Sugestões?

 

A ler As melhores profissões, em Portugal, em 2018