Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

[In]sensato

O (in)correto deambula entre nós

[In]sensato

O (in)correto deambula entre nós

Série Fauda - O suspence psicológico

FAUDA

 

 

   Fauda é uma excelente produção israelita, a respeito do conflito árabe-israelita. 

Falada em hebraico com legendas em português ou dobragem em língua inglesa, as personagens, além de bem interpretadas, são densas, humanas e "reais". Vi a primeira temporada no verão passado. Recentemente, chegou à Netflix a segunda temporada, também esta com 12 episódios. Ambas prendem-nos e a realidade deixa-nos atónitos. Por vezes, sente-se alguma comoção por parte dos que praticam ataques bombistas, dada a ignorância ou chantagem praticada. É interessante constatar a forma como Ala é visto no cento do mundo, fonte de instabilidade há tantos anos, acabando o seu nome por ser vulgarizado por parte dos extremistas. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Além das Razões

13 Reasons Why T2

 

 

   Beyond the Reasons (Além das Razões) é um espaço de discussão, em 2 temporadas, um episódio para cada, que envolve atores, argumentistas, consultores e profissionais de saúde mental.

No catálogo Netflix aparece um pouco escondido, mas deve ser visto, uma vez que explica-nos as intenções, abordagens e até pormenores que podem ter-nos passado despercebidos, durante a série  13 Reasons Why . Um aspeto importante que não referi no texto anterior foi o luto. A forma como os colegas e a Escola tentam regressar à normalidade, sem esquecer todos temos diferentes formas de viver o luto.

 

 

 

Por 13 Razões - o alerta para dimensões da terrível adolescência

 

por-13-razoes-a-serie-do-netflix-que_sezx

 

   Assisti à 1.ª temporada da série pouco tempo depois de ler o livro. Não escondo ter considerado os primeiros episódios aborrecidos. O "meu" Clay, nas palavras do escritor, não correspondeu ao Clay da ficção. No livro, a ação foi mais célere. Mas não me arrependi por ter seguido a série e o livro, que apresentam Hannah Backer com distintas doenças mentais, dentro do mesmo género. Num dos meios, Hannah é portadora de depressão na adolescência e no outro, constatam-se ainda aspetos de fobia social. É importante saber que algumas doenças mentais instalam-se na adolescência, nem sempre sendo identificadas pelo seu portador. Por exemplo, é preciso saber avaliar o tipo de isolamento, causas, frequência... A ajuda dos profissionais de saúde é impreterível para uma vida feliz, conseguindo-se um tratamento eficaz quando realizado atempadamente. 

 

   Para mim, os episódios mais marcantes foram os das violações e o do corte dos pulsos (suicídio), por parte de Hannah. Episódios considerados para um público adulto e inadequados a pessoas sensíveis, estas são realidades às quais pais, professores e adolescentes não podem permanecer alheios. Num dos casos, uma jovem alcoolizada é violada, com "o consentimento" do namorado, também ele drogado, mas sem o seu, e sem força para resistir a um ato que não pretende. Continuo a questionar o que leva os jovens a tais graus de alcoolismo, mas não estou incumbido de julgar. No outro caso, o de Hannah, a ação decorre dentro de um jacuzzi, com uma interpretação fantástica por parte da atriz, na expressão corporal e facial. Em ambos os casos, o mesmo violador. Um jovem a quem, durante o crescimento, não foram impostas regras, rico e com elevado grau de popularidade, sobretudo no meio desportivo do Secundário. 

 

   Não podemos abnegar estas realidades.

Quantos(as) amigos(as) temos que passaram por esta terrível realidade, a da violação? Quantos não assistimos, direta ou indiretamente, ao suicídio de um(a) colega?

 

   Toda a ação decorre durante o ensino secundário americano - High School -, mas na generalidade, no nosso país, considero-a mais evidente no ensino superior. Contudo, sublinho, estes casos existem nas nossas escolas, no ensino básico e secundário, intra e/ou extramuros. Inclusive, em alguns casos, no seio familiar...

 

   Curiosamente, vi o episódio da violação na mesma época em que, no nosso país, na Queima das Fitas do Porto, uma jovem alcoolizada foi masturbada (ou violada?) pelo namorado, com plateia - o grupo de amigos - e direito a vários apelidos pouco simpáticos, num transporte público da cidade.

 

   Antes de falarmos da 2.ª temporada, recordemos o trailer da primeira.

 

 

   De uma temporada de 13 episódios narrada por Hannah Backer, os 13 da segunda temporada, estreados a 18 de maio, no nosso país, são-no, desta vez, por cada um dos seus colegas. 

   Nesta temporada, o bullying mantém-se. Polaroids são divulgadas, dando a conhecer a existência de um local onde as raparigas são drogadas e violadas. A violência continua. Em simultâneo, decorre o julgamento do caso Hannah, dada uma ação levada a cabo pela mãe contra a Escola. Em cada dia do julgamento, uma nova Hannah, até então desconhecida. Em alguns aspetos, uma Hannah que não corresponde à da primeira temporada, uma vez que a doença mental parece ter sido esquecida. Isto é, determinadas ações e atitudes não são prática dos doentes com as problemáticas assinaladas. Hannah é várias vezes mostrada como uma jovem sorridente e integrada no grupo, o que não é verdade. Assistimos às perceções de cada um dos envolvidos. Todos temos segredos. 

 

   Aliás, nesta temporada é feito o apelo para que os pais comuniquem com os seus filhos, tentem ler sinais e que também os jovens recorram a alguém de confiança, por forma a lavar a alma e procurar ajuda. <<No momento em que começares a falar sobre estes temas difíceis, tudo se tornará mais fácil>>, alertam alguns dos atores de Por 13 Razões, logo no início da segunda temporada da série norte-americana que, no ano passado, pôs o mundo a discutir o suicídio juvenil e o assédio sexual, ainda antes do movimento Me Too.

 

   O protagonismo das vítimas de bullying é considerável. De tal forma que, uma delas, do sexo masculino, é agredido na casa de banho, entre murros e pontapés, e com a cabeça mergulhada na sanita, acaba por ser penetrado com o pau de uma vassoura. Chocante? Sim. Real? Infelizmente, também a esta pergunta a resposta é afirmativa. As toxicodependências não foram esquecidas, assim como os contextos e importância de um grupo específico, nesta faixa etária. 

    A utilização de armas, por adolescentes, é um assunto também abordado. Por vezes, no potencial assassino, pode esconder-se quem sofreu abusos...

   Esta série põe em evidência a importância do que já escrevi neste espaço. Nas nossas Escolas, além de psicólogos devem existir professores com o papel de coach junto dos discentes.

 

   Assista ao trailer da 2.ª temporada.

 

 

 

Qual é a sua opinião acerca dos nossos adolescentes e riscos?

 

 

 

A série Safe - mistério do princípio ao fim

Safe

 

   Safe é uma minissérie original da Netflix, que estreou no nosso país no dia 10 deste mês. Em 8 episódios, o suspense e o inesperado sucedem-se.

   Como protagonista,  Michael C. Hall, famoso por Dexter e Six Feet Under. Ele interpreta um famoso cirurgião, que não chegou a tempo para assistir aos últimos momentos de vida da sua mulher, o que deixou a filha mais velha revoltada. Esta, desaparece de forma misteriosa, no dia de uma festa improvisada por uma amiga rebelde e na qual, um corpo aparece a flutuar na piscina.

   O que terá levado a adolescente a desaparecer? Terá assassinado o corpo que aparece na piscina? Ou será este o seu corpo?

Uma viagem ao passado, nos tempos de hoje.

 

Com uma classificação de 4,5  em 5.

 

 

 

Greve de Professores e...

   

back-to-school-2629361_1920

 

 

 

   Há muito que a Educação e a Saúde têm sofrido penalizações por parte de uniões inusitadas nas bancadas parlamentares. 

Muitas das vertentes da vida de professor são desconhecidas e pouco ou nada faladas:

 

- as condições de habitação;

- a distâcia das Escolas dos agregados familiares;

- um sistema de colocações que não prima pela graduação;

- as viagens e as estradas assustadoras, em muitos pontos do país, sem quaisquer ajudas de custo;

- a formação das direções das Escolas com o parco envolvimento dos docentes da Escola;

- as Escolas que funcionam como Empresas, cada vez mais distantes do lado humano;

- a insensibilidade nos casos de doença;

- a falta de medidas capazes de defender os professores da má educação e atos violentos de pais e alunos;

- a não colocação nos devidos escalões, reduzindo o real número de anos de serviço;

- etc, etc.

 

Para que conste, não referi os vencimentos. 

Em meu entender, a perceção destes deve estar associada à distância da Escola, situação da família e outros fatores. 

 

Ao que assistimos, na comunicação social neste dia de greve geral de professores?

 

- relatos e críticas a respeito de um casamento real, realizado num outro país;

- ao prolongamento dos episódios de um clube de futebol, semelhantes ao de tantos outros...

 

De facto, os pilares de uma sociedade não correspondem aos interesses dos portugueses. Tal como o futuro de um país, com tantos temas de corrupção e crimes deixados para 2.º plano.

 

 

 

clark-street-mercantile-33913-unsplash

 Photo by Clark Street Mercantile on Unsplash

 

Não adianta ler, mas...

 

 

Às principais reivindicaçõescontabilizar o tempo de serviço congelado (nove anos, quatro meses e dois dias, traduzidos na mensagem “9A-4M-2D”, replicada em cartazes, folhetos e t-shirts) e aprovar um regime especial de aposentação, ao fim de 36 anos de serviço — os sindicatos acrescentaram outras: baixar o número de alunos por turma, melhorar as condições de trabalho e garantir estabilidade e segurança na profissão.

Pela Federação Nacional da Educação, João Dias da Silva criticou as “políticas de desvalorização”. Saudando “o grande número” de professores que aderiram ao protesto, o dirigente dirigiu-se ao ministro para lembrar que “não chega dizer que a escola é a sua paixão”.

Os professores exigem reconhecimento e respeito”, frisou. “Somos a escola, construímos a escola”, disse, recordando que para a banca “não há limites” de financiamento. A coordenadora do BE foi uma das figuras políticas presentes na manifestação. À pergunta dos jornalistas sobre os apelos à demissão do ministro da Educação, Catarina Martins relativizou, dizendo que “está na altura” de o Governo resolver os “muitos problemas da escola pública”.

Para a líder bloquista, são três as reivindicações principais para demonstrar que os professores são “o pilar da educação”: garantir “respeito pelas carreiras”, assegurar “concursos corretos e justos, que não deixem ninguém para trás” e alterar a situação de “alunos a mais por turma” e “carreiras longas demais”, que explicam o terço de professores “em burnout”, cuja única solução é entrarem de baixa.

 

Extraído de O Observador, às 21h do dia 19 de maio

Pág. 1/4