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[In]sensato

O (in)correto deambula entre nós

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O (in)correto deambula entre nós

O programa Naked Atraction

   Após ler o artigo Naked Atraction, O Programa que Começa por Despir Toda a Gente constatei a influência do horário de transmissão na interpretação da mensagem pretendida. 

 

naked atraction - channel 4

 

 

   Habituado, há alguns anos, a acompanhar o programa no Channel 4, antes das 24h, a minha perspetiva sempre ecoou pelos domínios da ciência, ainda que de forma questionável. Em cada episódio, independentemente da orientação sexual, alguém na procura de parceiro(a) começa por ver os genitais dos(as) pretendentes. Após alguns dedos de conversa, surge o tronco até que, após algumas eliminações, os rostos ficam visíveis. Aqui, tudo decorre no sentido oposto ao que estamos habituados. Segue-se um ou vários encontros entre os participantes, desta feita vestidos, e aguarda-se que surja ou não um relacionamento. Entretanto, vários aspetos do comportamento humano vão sendo explicados. 

 

   Atualmente, em exibição em Portugal, pela SIC Radical, na faixa horária anteriormente ocupada por Adam & Eve, e com direito a bolinha, ou seja indicado a adultos, uma vez que nascemos vestidos, apesar de diferentes tipos de corpos serem mostrados, a forma de interpretar o programa tornou-se diferente. A "bolinha" e a hora de transmissão parecem querer conferir a este programa uma carga erótica inexistente. Como tal, abstraío-me de eventuais aprendizagens, transmitidas durante breves minutos. 

 

   Neste link assista a alguns momentos e tire as suas conclusões.

 

Quando é que, em Portugal, a nudez passará a ser vista de forma natural?

A minissérie Alias Grace

Alias Grace

 

   Alias Grace é uma minissérie, em 6 episódios, coproduzida entre a CBS e a Netflix, baseada no romance homónimo de Margaret Atwood (1996) e adaptado por Sarah Polley. No papel principal, a brilhante interpretação de Sarah Gadon. O elenco, a direção, os figurinos, a edição e a reconstituição de época são alguns dos pontos fortes para ver esta obra.

 

   Esta série retrata, num ambiente enigmático, o papel da mulher na sociedade dos meados do século XIX e a violência a que estas estavam sujeitas. Nela conta-se a história de Grace (Sarah Gadon), uma imigrante irlandesa no Canadá, desde os seus 15 anos, que está presa, acusada de matar seus patrões, Thomas Kinnear (Paul Gross) e Nancy Montgomery (Anna Paquin). A empregada que "matou os patrões" torna-se um caso de curiosidade para muitos e de condenação para outros. Um grupo de pessoas, liderado pelo reverendo Verringer (David Cronenberg), quer o perdão para Grace. Para isso, contratam o Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft), para que possam descobrir a verdade: Grace é culpada ou inocente?

 

   A interpretação de Margeret Atwood é magistral. Grande parte do seu trabalho resulta da expressão facial e do olhar. O mesmo se aplica a Anna Paquin, de O Piano, a patroa doce, ordinária, insensível, meiga e todo um conjunto de emoções que, pelo olhar desencadeia em nós

 

   Assistimos ainda aos primeiros passos da psicoterapia e à crueldade vivida nos asilos. O lugar da mulher na sociedade é discutido, em diálogos duros. De forma nua e crua é mostrado como as mulheres eram tratadas naqueles tempos e ambientes, sem direitos, abusadas, humilhadas e abandonadas. Este é o retrato de Grace, menina mulher que mostra as consequências dos abusos sofridos desde tenra idade. Por outro lado, naqueles tempos, a mulher prisioneira e desprotegida que se deparava com homens que não sabiam reagir, a não ser pela prática de abusos físicos, psicológicos e sexuais. O desejo desencadeado por Grace no "médico da mente" levam-no a mergulhar no mundo da paciente, tornando-se duvidoso, deixando de espelhar a humildade, confidencialidade e vondade iniciais. 

 

   Embora a série vá do presente ao passado e vice-versa, a forma como a diretora filma não nos deixa perdidos ou torna a minissérie enfadonha e/ou desinteressante. Além disso, a montagem com cortes rápidos, em momentos que Grace se lembra de certos detalhes e passagens da sua vida, ajuda na criação de uma grande colcha de retalhos. Colcha essa simbólica, mas também literal. Quando concluída podemos entender quem é Grace, o que só acontece no final. Uma vez mais somos desafiados por Grace a questionarmo-nos acerca de quem é ela.

 

 

 

   Para si, que já viu a série, Grace é a assassina, cúmplice, doente, injustamente envolvida nos acontecimentos ou inocente? Nas palavras dela reside a verdade ou a capacidade de dominar os outros, mérito de uma certa dose de psicopatia?

 

   O trailer

 

 

Uma das melhores séries de 2017.

À conversa com o escritor Nuno Nepomuceno

 

Nuno Nepomuceno - foto cedida pelo autor

 

 

   

   Nuno Nepomuceno é um escritor português, nascido em 1978, licenciado em Matemática. Em 2012, venceu o Prémio Literário Note com o seu primeiro romance, O Espião Português.

 

Trilogia Freelancer - O Espião Português - foto cedida pelo autor

 

 

   O seu estilo de escrita delicia-me, ao revelar-se, simultaneamente, cuidado, dinâmico e intrigante. Nas suas obras há sempre algo a aprender. Ultimamente, tenho-me debruçado nos thrillers do autor.

A religião pode mover mundos conturbados ou possibilitar, pela fé, a segurança que tantos ambicionam.

 

   Gentilmente, o Nuno Nepomuceno (N. N.) acedeu participar numa entrevista para o nosso blogue.

Vamos conhecer melhor este escritor e as obras?

Venha comigo.

 

 

P. P. : — Como é que da matemática se caminha rumo à escrita, uma área muitas vezes considerada oposta e rotulada como "inacessível" àqueles que, no 10.º ano optaram pela área científica?

 

N. N. : — Eu acredito que as duas coisas não têm necessariamente de estar desassociadas. Mais importante do que a formação científica que possuo, sou português. Como tal, julgo que tenho a obrigação de escrever e expressar-me corretamente na minha língua. É claro que para escrever um livro é preciso um pouco mais do que saber pontuar ou ter um léxico minimamente variado. Mas é um ponto de partida. Outro é a leitura. Fui habituado a ler desde bastante pequeno. A minha mãe começou por levar-me à biblioteca itinerante que passava na aldeia onde vivíamos e, a partir daí, o gosto foi crescendo até passar a um interesse. Houve um momento, que não sei precisar com exatidão, mas que situo durante a adolescência, em que comecei a sentir curiosidade sobre como seria estar do outro lado do livro, ou seja, poder ser eu a criar a história, decidir o rumo das personagens e entrar no imaginário do leitor. É por isso que escrevo, para poder tocar as pessoas.

 

 

P. P. : — Nas últimas obras que li, A Célula Adormecida e Pecados Santos, é possível, se assim o pretendermos, efetuar aprendizagens muito relevantes a respeito das religiões mais conhecidas e frequentemente envolvidas em conflitos e na (de)organização mundial, a par da escrita dinâmica.  Qual o trabalho de campo realizado para tais abordagens ou de onde emergiu o fascínio pelas temáticas em causa?

 

N. N. : — Tanto um como outro tiveram uma preparação semelhante. Comecei por decidir o tema, procurei algum material em que me pudesse apoiar, como livros ou artigos de imprensa, e fui aos locais que escolhi para cenários da ação. São exemplos as viagens que fiz a Istambul e a Jerusalém, ou as visitas à Sinagoga de Lisboa e à Mesquita Central de Lisboa. Foi da abertura dessas comunidades que surgiu parte do enredo dos livros, ou seja, foi através das conversas que mantive com os respetivos representantes e da observação que fiz dos espaços que decidi o que iria fazer com alguns capítulos. Findo este processo, passei à redação, que tentei fazer ininterruptamente sempre que foi possível. Ambos levaram cerca de quatro meses a serem escritos.

 

   Em relação à inspiração, acabou por aparecer de formas diferentes. Antes de escrever A Célula Adormecida, decidi que o livro iria ser sobre uma célula terrorista. Os grupos extremistas de inspiração islâmica acabaram por surgir de forma natural, pois na altura o auto-proclamado Estado Islâmico era continuamente referido nos serviços noticiosos. Pecados Santos foi pensado de forma diferente. A ideia de escrever mais um livro dedicado a outra das religiões monoteístas — o judaísmo, neste caso — surgiu a meio de A Célula Adormecida. Estava a ficar tão contente com o que escrevia, que achei que não poderia parar ali. Os crimes violentos e restante enredo só vieram depois. Fui à procura de algo que fosse simultaneamente surpreendente e interessante.

 

A Célula Adormecida - foto cedida pelo autor

 

Pecados Santos - foto cedida pelo autor

 

 

 

P. P.: — Como é que se consegue escrever, por forma a estimular leituras compulsivas, sou um desses casos, no que concerne à sua obra, sem perder a elegância e o estilo intimista?

 

N. N.: — Poderia dar uma resposta conveniente e dizer que é algo intrínseco, que acontece de forma natural, mas não é bem assim. Essencialmente, procuro focar-me nas personagens e trabalhá-las. Independentemente do enredo, elas serão sempre a base do livro e aquilo que nos fará ler mais, a razão pela qual nos sentimos incapazes de o largar. Se forem fracas, o livro acabará por parecer igualmente vazio, por melhores que sejam os arcos narrativos. Foi por isso que demorei doze anos a escrever a trilogia Feeelancer. O Espião Português, o primeiro volume, foi deitado fora quando eu estava a meio e reescrito após uma pausa de dois anos exatamente porque eu não fiquei satisfeito com o que escrevera na altura. Por vezes, é preciso retroceder para avançarmos de seguida.

 

 

P. P.: — Convida os leitores e seguidores deste blogue a ler os teus livros.

 

N. N.: — Não tenho muito a dizer. Considero que tenho escrito livros de qualidade, emocionantes, com enredos coesos, personagens bem trabalhadas e arcos narrativos interessantes e fortes. O resto dependerá do gosto pessoal de cada leitor.

 Muito obrigado pela entrevista. Espero que o Insensato continue por muitos mais anos e com cada vez mais leitores.

 

 

P. P.: — Obrigado, Nuno.

Sem dúvida tens alcançado os teus objetivos, ao escrever livros de qualidade e arcos narrativos fortes e fascinantes. Espero que tenhas cada vez mais sucesso e que as tuas obras, noutros países, alcancem o destaque merecido.

 

   Após a entrevista, não deixa de ser interessante como continuo a aprender com o Nuno, tendo em conta as suas respostas. Um autor que vos convido a descobrir.

 

 

*  Todas as fotografias utilizadas nesta publicação foram gentilmente cedidas pelo autor, a quem muito agradeço.

Todos os direitos das imagens estão reservados ao escritor.

A segunda parte da série A Casa de Papel

 

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   A 3 de fevereiro deste ano, escrevi a minha opinião acerca dos episódios da 1.ª temporada de A Casa de Papel, como pode ler aqui. Recentemente, pela plataforma Netflix, chegaram-nos os últimos 9 episódios desta mesma temporada, com uma duração máxima aproximada de 50 minutos. Isto porque, tendo a série já sido transmitida em Espanha, pela Antena 3, a integração na plataforma de streaming exigiu novas dinâmicas, gravações e trabalho de edição. Como tal, mantém-se a incógnita referente a uma 2.ª temporada, até porque esta série tem um ano e já vimos alguns dos seus atores envolvidos em outros projetos da A3Series, canal da Antena 3 dedicado a seriados.  Sabe-se que alguns dos atores deste projeto participarão em outro, também para a Netflix

 

   Ao longos destes 9 episódios continuamos a acompanhar El Professor e os seus jogos mentais com a detetive Raquel Murillo. Isto para, com o grupo conseguir sair de lá com uma fortuna de 2,4 mil milhões de euros. Eis o trailer.

 

 

   A Casa de Papel teve a capacidade de jogar com a nossa identidade, humanizando as suas personagens, o que dificulta discernir os bons dos maus. Quantas vezes, não ficamos do lado dos assaltantes?

Sentimentos, ação, mortes e novos ingredientes apimentam a série. No final, a passagem de alguns dos "bons" para o lado dos "maus", num enredo muito bem construído. 

 

   Como se pode constatar, neste blogue muitas são as séries espanholas, europeias e da América Latina de que aqui falo. Acredito que o telespetador está saturado das "grandes" produções americanas, com personagens pouco densas e pouco humanizadas, incapazes de "interagir" com o público. Afinal, como explicar o sucesso de A Casa de Papel? Quantos não têm vindo a descobrir a qualidade das séries produzidas pelos nuestros hermanos?

Série - Requiem

Requiem

 

 

 

   Na semana passada  assisti aos 6 episódios da minissérie da BBC, disponível na Netflix, desde março, Requiem.

Um drama de terror psicológico fantástico. Quantos sustos! Neste conta-se a história de Matilda Gray, uma violoncelista londrina que, ainda a lidar com o inusitado e assustador suicídio da mãe, começa a investigar o seu envolvimento no caso do desaparecimento de uma criança no País de Gales, ocorrido há 23 anos atrás. Cada descoberta leva-a a ambientes mais assustadores e a uma maior rejeição por parte da comunidade local.

 

A minissérie foi criada por Kris Mrksa e o elenco conta com Lydia Wilson, James Frecheville, Sian Reese-Williams, Brendan Coyle, Joel Fry, Tara Fitzgerald e Richard Harrington. 

 

Está disponível para enfrentar uma seita religiosa e o poder demoníaco?

O que acontece quando roubam o anjo que há em nós?

 

Avaliação: 4,5 em 5 estrelas.

 

Veja o trailer.

 

 

 

Legendado em Português do Brasil

 

 

 

 

Síntese dos episódios

 

Episódio 1 – “Matilda”
A violoncelista Matilda faz uma descoberta estranha que a leva a querer saber mais sobre o passado de sua família.

 

Episódio 2 – “O quarto azul”
Enquanto Matilda investiga o desaparecimento de Carys Howell e os segredos ocultos na mansão, a polícia e os moradores deixam claro que ela não é bem-vinda naquela comunidade.

 

Episódio 3 – “O colar”
Matilda confronta Rose, descobrindo mais tarde um elo entre esta e a família Dean. Trudy revela a Matilda a sua história com Carys.

 

Episódio 4 – “Blaidd Carreg”
A pesquisa de Matilda e a sua conexão com um aliado inesperado, ajudam-na a encontrar sentido em alguns dos aspetos sinistros que ela tem vindo a descobrir.

 

Episódio 5 – “Bessie”
Laura avisa Matilda que o perigo está próximo. Hal faz algumas investigações por conta própria.

 

Episódio 6 – “Carys”
À medida que os segredos vão sendo do conhecimento da comunidade, Matilda está determinada a proteger David e recusa-se em partir; apesar de Sean lhe ter dito que a sua vida está em perigo.

 

 

 

Opinião - A Mantis

la mante

 

 

   A Mantis é uma minissérie de 6 episódios coproduzida entre a Netflix e a TF1

 

   Há 20 anos atrás, uma criminosa em série aterrorizou o país, assassinando homens de forma hedionda, os quais praticavam "delitos" familiares. Dos seus alvos constavam violadores ou molestadores de menores, maridos infiéis, ... Todos os crimes seguiram o ritual da Louva-a-deus, o que acabou por designar o caso e a criminosa. 

 

Passado este tempo, nova onda de crimes começa a aterrorizar França. Todos eles praticados com base nos praticados há 20 anos atrás. A Mantis oferece-se para colaborar com a polícia, ajudando a descobrir o (a) serial killer, desde que do caso faça parte o seu filho, elemento da polícia que a odeia e evita ser associado a tal pessoa, dizendo ter perdido a mãe num acidente de avião. Este acaba por aceitar desde que a equipa não saiba quem é a sua progenitora. 

 

   Os dois primeiros episódios pareceram-me aborrecidos. Contudo, quando o mistério se intensifica, é impossível deixar de acompanhar a série. Por vezes, o perigo está ao nosso lado. Há ainda um elemento desconhecido que impulsionou o desenvolvimento da personalidade de A Mantis. Da mesma forma, o (a) seu (sua) seguidor(a) é alguém que foi, no passado, liberto(a) por ela do sofrimento causado por um pai abusador. Só que, neste caso, as vítimas não eram agressores(as)...

 

Veja o trailer

 

 

Avaliação: 3,5 em 5 estrelas.

Opinião - Deep Water

Deep-Water

 

 

 

   Deep Water é uma minissérie Australiana, de 2016, em 4 episódios, do fórum criminal, baseada em acontecimentos reais. E esta é, em meu entender, a principal razão conducente ao visionamento destes 4 momentos intrigantes, de ação moderada. 

 

   Recentemente adicionada ao catálogo Netflix Portugal, o programa já passou no Sundance TV Portugal, atualmente disponível na operadora NOS.

 

   Numa zona de encontros esporádicos entre homossexuais, crimes hediondos e de ódio começam a ter lugar. Curiosamente, o ocorrido vai levar a inspetora a descobrir o sucedido com o seu irmão há 20 anos atrás. A fundamentação real dos acontecimentos reais pode ser lida em Deep Water: were 30 unsolved Sydney deaths really gay hate crimes?

 

   Independentemente da orientação sexual, fica presente o risco que corremos ao utilizar aplicações de encontros. Isto porque, acredito que atualmente todos temos presente a real existência de psicopatas e seguidores de filosofias pouco éticas. No decorrer dos quatro episódios, embora designem a APP por um nome inexistente, a sua correspondente real é o Grindr . Faço esta referência para que, sobretudo os mais jovens (e não só) tenham cuidado com os encontros que agendam, mesmo que os corpos esculturais correspondam à realidade. O perigo existe. O ódio existe!

 

Assista ao trailer.

 

 

 

Pessoalmente, adorei o final da série.

 

Avaliação: 4 em 5 estrelas.

 

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